Jornal das Autarquias | Fevereiro 2026 - Nº 220 - I Série

Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes

Manuel Rodrigues Faria

Manuel Rodrigues Faria

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
Sim. As autarquias do concelho de Leiria, incluindo a União de Freguesias de Pousos, Barreira e Cortes, têm vindo a valorizar o turismo e o setor primário, procurando diversificar a economia local para além da forte componente industrial.
Ao nível do turismo, a promoção do território tem sido desenvolvida sobretudo pelo Município, através de estratégias de marketing territorial e da presença em eventos de referência, como a Bolsa de Turismo de Lisboa, com o objetivo de dar a conhecer a diversidade, o património, a gastronomia e o potencial turístico da região. A Junta acompanha este trabalho, valorizando à escala local os recursos existentes em cada freguesia.
Paralelamente, o setor primário continua a ter um papel relevante na identidade e na economia local, sobretudo nas zonas com maior ligação à agricultura. A valorização dos produtos locais, a preservação do território e o reconhecimento da importância da atividade agrícola fazem parte de uma estratégia de desenvolvimento equilibrado.
Em suma, procura-se promover o turismo e, simultaneamente, preservar e potenciar os recursos locais, incluindo os do setor primário, ajustando essa valorização às características específicas de cada localidade, num território marcado pela diversidade das suas freguesias.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
A violência doméstica é um problema grave e transversal à sociedade, que exige uma resposta articulada entre o Estado, as autarquias e as instituições locais. Ao nível da freguesia, o papel passa sobretudo pela proximidade, pela sinalização precoce das situações de risco e pelo encaminhamento adequado das vítimas.
Importa salientar que existem respostas locais com forte enfoque no apoio às vítimas, nomeadamente estruturas de acompanhamento social, apoio psicológico e mecanismos de proteção, com as quais a Junta colabora sempre que necessário. Esta rede local é fundamental para garantir uma resposta rápida e eficaz.
Paralelamente, a prevenção continua a ser essencial, através de ações de sensibilização, promoção da igualdade, educação para o respeito e combate ao isolamento social, fatores que muitas vezes estão associados a estas situações. Só com um trabalho de proximidade e em rede será possível atenuar este flagelo.

J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
É uma realidade muito preocupante, que exige uma intervenção preventiva e próxima. A normalização de comportamentos de controlo, ciúme excessivo ou agressão entre jovens não pode ser encarada como algo normal e deve ser combatida desde cedo.
Nesse sentido, a Junta tem apostado na colaboração com associações locais, nomeadamente através da dinamização de workshops de sensibilização dirigidos a jovens e famílias, e na divulgação de serviços que privilegiam a saúde mental, o bem-estar emocional e relações saudáveis. Estas iniciativas são fundamentais para promover a literacia emocional, a igualdade e o respeito mútuo.
Acreditamos que a prevenção, aliada ao apoio psicológico e social adequado, é essencial para evitar que estas situações se agravem e se transformem em problemas mais sérios no futuro.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
As populações mais vulneráveis necessitam, acima de tudo, de apoios financeiros que respondam às necessidades básicas do dia a dia, como a alimentação, a habitação, a saúde e a mobilidade. O aumento do custo de vida tem vindo a agravar situações de fragilidade social, tornando essencial o reforço destes apoios.
Ao nível local, a Junta procura apoiar dentro das suas competências, através da sinalização das situações mais críticas, do encaminhamento para os serviços de ação social e da colaboração com instituições e associações que prestam apoio direto às famílias. Muitas vezes, mais do que grandes investimentos, são necessários apoios céleres e ajustados à realidade concreta de cada agregado familiar.
É igualmente importante garantir recursos para combater o isolamento social, apoiar idosos, pessoas com deficiência e famílias em risco, promovendo uma rede de proximidade que permita uma resposta mais eficaz e humana.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
Na União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, a chegada de imigrantes tem sido encarada com sentido de responsabilidade, proximidade e humanismo. Ao nível da freguesia, o nosso papel passa por acolher, informar e encaminhar estas pessoas para os serviços adequados, garantindo o acesso a direitos básicos e o conhecimento dos seus deveres enquanto cidadãos.
Importa igualmente destacar o papel das juntas de freguesia nas matérias administrativas, nomeadamente na emissão de atestados de residência, um processo que exige rigor, responsabilidade e uma análise cuidada da documentação apresentada. Neste âmbito, a União de Freguesias atua em articulação com as entidades fiscalizadoras competentes, procurando prevenir e combater situações de ilegalidade, assegurando o cumprimento da lei e a proteção do interesse público.
Defendemos uma integração responsável e equilibrada, que respeite as regras do país e promova uma convivência harmoniosa nas comunidades locais. A imigração pode constituir uma mais-valia para o território, desde que exista acompanhamento adequado, articulação entre entidades e políticas públicas que garantam condições dignas de habitação, trabalho e inclusão social.
Enquanto autarquia de proximidade, continuaremos a trabalhar em rede com o Município e com as instituições sociais, garantindo respostas eficazes, humanas e legalmente sustentadas no terreno.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
A questão da habitação é, atualmente, uma das maiores preocupações das famílias. Qualquer medida que contribua para aumentar a oferta de habitação acessível e para garantir maior estabilidade no acesso à habitação deve ser analisada de forma responsável e equilibrada.
Neste contexto, importa destacar as medidas que têm vindo a ser desenvolvidas pelo Município de Leiria, no âmbito das políticas municipais de habitação. A União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes acompanha este trabalho e articula de forma próxima com o Município, sinalizando situações concretas e colaborando na identificação de soluções ajustadas à realidade local.
Importa ainda referir que esta União de Freguesias tem vindo a registar uma procura significativa por soluções habitacionais, refletindo as dificuldades sentidas por muitas famílias. Dentro das suas competências, a Junta procura, sempre que possível, apoiar, encaminhar e encontrar respostas, trabalhando em rede com as entidades competentes.
É fundamental que as políticas públicas tenham impacto real no território e atendam às diferentes realidades existentes. As autarquias, pela sua proximidade às populações, conhecem bem os problemas no terreno e devem ser parte ativa na definição e implementação das respostas.
Defendemos soluções construídas de forma conjunta, que promovam o equilíbrio entre a proteção das famílias, o aumento do parque habitacional e a sustentabilidade do setor, garantindo que o direito à habitação seja efetivamente assegurado.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
O aumento do custo de vida continua a ter um impacto significativo nas famílias, sobretudo nas mais vulneráveis. É importante reconhecer que já existem medidas em vigor para mitigar estes efeitos, nomeadamente apoios sociais e mecanismos de proteção do rendimento, que têm permitido atenuar algumas situações mais críticas.
No entanto, face à persistência do aumento dos preços dos bens essenciais, consideramos necessário avançar também com medidas inovadoras e complementares, como o reforço e alargamento dos atuais apoios alimentares, a criação de acordos de preços de referência para um cabaz de bens essenciais, e um maior apoio à produção local e aos pequenos produtores, promovendo circuitos curtos de comercialização.
Ao nível local, a União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes trabalha em articulação com o SAAS – Serviço de Atendimento e Ação Social, sinalizando situações de maior fragilidade e encaminhando as famílias para os apoios existentes, garantindo respostas mais rápidas e ajustadas às necessidades concretas.
Este trabalho de proximidade reforça a importância de políticas públicas eficazes, socialmente justas e com impacto real na vida das pessoas.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
As situações de intempérie exigem uma resposta assente na prevenção, na manutenção regular do território e numa atuação rápida sempre que ocorrem incidentes. A limpeza de linhas de água, valetas e sistemas de drenagem, bem como a identificação e estabilização de zonas mais vulneráveis, são fundamentais para reduzir o risco de inundações e derrocadas.
Ao nível local, a União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes tem vindo a sinalizar situações de risco e a articular com o Município de Leiria e com os serviços de proteção civil, garantindo uma intervenção célere sempre que necessário.
Importa ainda referir que, apesar de ter sido um ano particularmente exigente a este nível, a União de Freguesias, no âmbito das suas competências, tem vindo a dar resposta e a solucionar os problemas apresentados pelos fregueses, sempre com espírito de proximidade e responsabilidade.
Esta União de Freguesias conta ainda com uma unidade local de proteção civil, composta por voluntários, que desempenha um papel fundamental no apoio às populações, na monitorização do território e na resposta imediata em situações de emergência.
Para além da resposta imediata, estamos empenhados em investir em infraestruturas e soluções preventivas que permitam minimizar ou evitar danos futuros, apostando no planeamento, na gestão responsável do território e na cooperação entre entidades, de forma a reduzir o impacto de fenómenos climáticos extremos no futuro.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
Os problemas que exigem uma intervenção mais rápida estão, sobretudo, relacionados com a manutenção do espaço público, a conservação de algumas infraestruturas, a segurança e mobilidade rodoviária, bem como com situações de maior fragilidade social.
A degradação de pavimentos, a limpeza e manutenção de espaços verdes, a drenagem de águas pluviais e a resposta a ocorrências provocadas por fenómenos climáticos extremos são algumas das situações que requerem uma atuação célere. Paralelamente, o acompanhamento de casos sociais urgentes, em articulação com o Município e com as entidades competentes, continua a ser uma prioridade.
A União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, pela sua proximidade às populações, procura dar resposta rápida às situações mais urgentes, definindo prioridades e atuando dentro das suas competências, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos fregueses.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
A situação financeira da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes tem sido gerida com rigor, responsabilidade e transparência ao longo deste mandato. Procuramos assegurar o equilíbrio das contas, cumprindo os compromissos assumidos e garantindo a sustentabilidade financeira da autarquia.
Apesar dos desafios resultantes do aumento dos custos e das exigências crescentes por parte da população, temos conseguido manter uma gestão criteriosa dos recursos disponíveis, priorizando as necessidades mais urgentes e assegurando a continuidade dos serviços prestados aos fregueses.
A gestão financeira tem sido orientada para a eficiência, permitindo responder às solicitações da população e, sempre que possível, investir na melhoria das infraestruturas e dos serviços, sem comprometer a estabilidade financeira da autarquia.

J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
As juntas de freguesia recebem um apoio fundamental por parte da Câmara Municipal de Leiria, indispensável para o exercício das suas competências e para a resposta eficaz às necessidades das populações.
Para além do apoio financeiro, nomeadamente no âmbito da transferência de competências, é igualmente relevante o apoio logístico e técnico prestado pelo Município, que permite às juntas executar intervenções no espaço público, assegurar a manutenção de infraestruturas e responder de forma mais célere a diversas situações no terreno.
No caso da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, este apoio assenta num trabalho de estreita colaboração, diálogo permanente e articulação contínua com os serviços municipais, o que se traduz numa atuação mais eficiente, próxima e ajustada às reais necessidades dos fregueses.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
O Jornal das Autarquias tem desempenhado, ao longo dos anos, um papel muito relevante na divulgação do trabalho desenvolvido pelas autarquias e na valorização do poder local. Desde 2007, tem sido um espaço privilegiado de informação, reflexão e partilha de boas práticas entre autarcas, técnicos e cidadãos.
A proximidade aos territórios, o acompanhamento das realidades locais e a atenção às preocupações das freguesias e municípios tornam o Jornal das Autarquias uma referência importante no panorama da comunicação social ligada ao poder local.
É, por isso, um contributo valioso para o reforço da democracia local e para a aproximação entre as autarquias e as populações.

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