Jornal das Autarquias | Dezembro 2025 - Nº 218 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Tancos

Maria Antónia Esteves Coelho

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P-J, Esta Junta de P-L-Freguesia considera que o Turismo deve ser tratado de forma transversal englobando não só a divulgação do Castelo de Almourol através de visitas regulares e ainda de outras atividades que reforcem o conhecimento deste ex-libris do nosso Concelho. Mas pretendemos também projetar outros edifícios históricos relevantes existentes, nomeadamente, os de carácter religioso e que têm sido alvo de recuperação. Outras das ações prendem-se também com a criação de roteiros temáticos que preservem o legado cultural de Tancos.
Relativamente ao sector primário, o mesmo não tem grande impacto enquanto atividade económica relevante, uma vez que, quer a agricultura ou a a pecuária são mais de exploração familiar. A pesca, que foi uma área importante, no passado, agora restringe-se a alguns cidadãos que o fazem a título de ocupação complementar.

J.A.- dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P-J, Ao tomarmos conhecimento desse flagelo, teremos em primeira instância de comunicar às entidades competentes para intervenção. Numa ação mais consistente e e impacto e a longo prazo enquanto prevenção poderão ser realizadas iniciativas de sensibilização.

J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P-J, Atualmente, a violência no namoro é um problema preocupante que afeta muitos jovens e que não pode ser ignorado. Pode ser resultante do acesso abusivo dos nossos jovens à internet em que podem contactar com comportamentos que não dignificam o outro. Os encarregados de educação, a escola e outros organismos de segurança ou da área da saúde devem estar atentos a esta problemática e implementar a adequada sensibilização

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P-J, A nossa autarquia quer estar atenta aos problemas sociais existentes, que incidem sobretudo numa população mais idosa, e para além da criação de mecanismos de identificação dos casos mais graves, procuraremos, em parceria com o gabinete social da Câmara Municipal e outros organismos, proporcionar um acompanhamento necessário.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P-J, Em Tancos não tivemos grande afluxo de imigrantes, ainda que se verificasse uma outra família que optou por residir em permanência aqui. A nossa população, outrora fustigada pela necessidade de emigrar para procurar melhores condições de vida, tem uma atitude de acolhimento e integração dessas populações. Para quem viveu uma diáspora ao longo dos séculos como aconteceu com os portugueses que se espalharam pelo mundo, consideramos que deveria existir respeito por quem nos procura pelos mesmos motivos, que nos levaram para outras nações e continentes. Não obstante, esta visão humanista que defendemos, obviamente que devem ser aplicadas medidas de controlo que possam criar situações de insegurança interna.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
P-J, A questão da habitação é uma questão problemática que se tem agravado nas últimas décadas.
Criar um programa de casas acessíveis poderá minimizar, mas ainda assim terá de se implementar de forma consistente para poder ter impacto, ainda que seja a médio e longo prazo. A reabilitação de edifícios estatais, agora vagos, poderá ser uma medida que a curto prazo poderá resultar.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P-J, Alguns bens alimentares de primeira necessidade poderiam ser tabelados para evitar as dificuldades da população com baixos rendimentos. Claro que insto deveria haver por parte do governo a aplicação de medidas de apoio aos produtores para que não vissem os seus rendimentos baixarem.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P-J, No caso concreto de Tancos, é mais a questão das cheias pelo aumento do caudal do rio Tejo, uma situação que, no passado, se verificava com muita frequência. As alterações climáticas podem agravar estas situações de catástrofe.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P-J, Tancos é uma freguesia com pouca população e envelhecida, não obstante, nos últimos tempos se tinha verificado alguma procura de novos residentes. Contudo, aquilo que é uma questão transversal no nosso país, a habitação é um obstáculo para estes potenciais moradores. Não é uma situação fácil de ultrapassar e que não reside apenas na autarquia.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P-J, Estando a aproximar-se o final do ano e na aplicação do orçamento em vigor, podemos dizer que estamos numa situação confortável a nível financeiro.

J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P-J, A câmara municipal cumpre o estipulado na alínea o) do n.º 1 do artigo 33.º do Anexo I da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro. Assim, estes apoios que são atribuídos às freguesias são no quadro da promoção dos interesses próprios das populações,
No que concerne, ao nosso município podemos dizer que existe um uma especial atenção quanto à implementação de todos os apoios que permitam proporcionar o desenvolvimento das suas freguesias.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P-J, Consideramos que existir este espaço de divulgação é uma forma de aproximação às populações. A comunidade local precisa de ter conhecimento sobre questões relacionadas com o funcionamento do poder local e poder ter acesso a espaços de cidadania. Agradecemos o contributo que prestam neste âmbito.

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