Nuno Neves
J.A. – O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.C,-Sem dúvida. Em Vila Nova de Poiares, o turismo e o sector primário são pilares estruturantes do nosso desenvolvimento local. Temos apostado na valorização do nosso património natural, cultural e gastronómico, promovendo o território como destino de natureza e autenticidade. Paralelamente, apoiamos os nossos produtores locais, incentivando práticas sustentáveis e a valorização dos produtos endógenos, que são também uma marca identitária do concelho.
J.A. – Cada dia que passa, a violência doméstica tem-se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.C,-A violência doméstica é um problema estrutural que exige uma resposta integrada. Ao nível municipal, temos reforçado a articulação com as forças de segurança, as escolas, as IPSS e as entidades da rede social. Apostamos na prevenção, através de ações de sensibilização, especialmente junto da comunidade escolar, e no apoio direto às vítimas, promovendo encaminhamento adequado e apoio psicológico e social. É essencial continuar a investir na educação para a cidadania e no combate à cultura de tolerância face à violência.
J.A. – Esta situação está a tornar-se quase um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.C,-É uma realidade preocupante. A banalização de comportamentos de controlo, ciúme excessivo ou agressividade nas relações de namoro exige uma intervenção precoce. Defendemos um reforço da educação emocional nas escolas e campanhas dirigidas aos jovens, promovendo relações baseadas no respeito, na igualdade e na empatia. A prevenção começa na formação de valores.
J.A. – Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas nessa autarquia?
P.C,-As populações mais vulneráveis necessitam, acima de tudo, de estabilidade e acesso a condições básicas: habitação condigna, apoio alimentar, acesso à saúde, educação e emprego. O Município tem reforçado os apoios sociais diretos, colaborando com as instituições locais, e tem procurado implementar programas de inclusão social e combate à pobreza.
J.A. – Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes? Qual a vossa opinião?
P.C,-Vila Nova de Poiares tem procurado acolher de forma responsável e solidária os cidadãos imigrantes que aqui se fixam. Trabalhamos na sua integração, promovendo o acesso à informação, serviços públicos e mercado de trabalho. Destacamos ainda o curso de língua portuguesa para estrangeiros, que se tem revelado extremamente importante no processo de inclusão e integração da população imigrante na comunidade. Acreditamos que a imigração, quando bem integrada, pode representar uma mais-valia demográfica, social e económica para o território.
J.A. – O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?
P.C,-Consideramos que o reforço das políticas de habitação é essencial, sobretudo para jovens e famílias com rendimentos médios e baixos. É fundamental aumentar a oferta de habitação acessível e simplificar os processos de reabilitação urbana. Temos em curso projetos nesse sentido, nos três eixos definidos, quer em matéria de arrendamento a custos controlados, quer também no designado Primeiro Direito, e ainda no âmbito da BNAUT-Bolsa Nacional de Alojamento Urgente e Temporário. Consideramos que os municípios devem ser parceiros ativos na execução dessas políticas, garantindo que as medidas respondem às necessidades reais das populações.
J.A. – Os preços dos bens alimentares estão cada vez mais altos. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.C,-O aumento do custo de vida tem afetado fortemente as famílias, pelo que defendemos que o Governo deva continuar a adotar medidas que aliviem a carga fiscal sobre bens essenciais, apoiar a produção nacional e reforçar mecanismos de regulação e fiscalização. Ao nível local, procuramos mitigar estes impactos através de apoios sociais e incentivo ao consumo de produtos locais.
J.A. – Com as tempestades ocorridas neste inverno, resultaram derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos.
P.C,-Destacamos a necessidade de intervenção na Escola Dr. Daniel de Matos, cuja cobertura foi afetada pelas tempestades, esperando que as obras já anteriormente previstas para a reabilitação deste equipamento escolar possa arrancar tão rápido quanto possível. As intempéries exigiram uma resposta rápida por parte dos nossos serviços municipais e, nesse campo, queremos realçar a disponibilidade e prontidão de resposta dos serviços de proteção civil, serviços municipais e das freguesias do concelho, que permitiram a rápida limpeza e consolidação de taludes, desobstrução de vias e avaliação técnica das zonas de risco. Estamos igualmente a reforçar medidas de prevenção, nomeadamente a monitorização de áreas vulneráveis e a sensibilização dos proprietários para a correta manutenção dos terrenos. Realçamos ainda que os nossos serviços municipais estão também a prestar apoio, a particulares e empresas, no âmbito da submissão de candidaturas para recuperação dos estragos, também a nível agrícola.
J.A. – Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.C,-Um dos principais problemas é as acessibilidades, com premente necessidade de reforço da rede viária, sobretudo com uma ligação rápida aos eixos rodoviários estruturantes, e uma alternativa à principal via de ligação à cidade de Coimbra, a EN-17, que se encontra muito degradada e sem conseguir dar uma resposta adequada aos milhares de utilizadores que diariamente usam esta via. Destacamos também a necessidade de investir na fixação de população jovem, na dinamização económica e na melhoria contínua dos serviços públicos. O desafio demográfico é transversal a muitos territórios do interior e exige políticas consistentes de atratividade e qualidade de vida, e este é um dos pontos fundamentais do nosso compromisso político: “As pessoas primeiro”.
J.A. – Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.C,-A situação financeira está estável e relativamente consolidada. Herdámos uma situação difícil, que exige uma gestão rigorosa, mas vamos procurando equilibrar investimento com sustentabilidade financeira. O nosso compromisso é continuar a executar obras e projetos estruturantes sem comprometer o futuro do Município.
J.A. – Qual o apoio que a Câmara Municipal presta às juntas de freguesia?
Mantemos uma relação de proximidade e cooperação permanente com as juntas de freguesia, assegurando transferências financeiras, apoio técnico e delegação de competências. As juntas são parceiras fundamentais na resposta às necessidades das populações.
J.A. – Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?
P.C,-Quero transmitir uma mensagem de confiança e união. Continuaremos a trabalhar com dedicação, transparência e proximidade, colocando sempre os interesses da população de Vila Nova de Poiares em primeiro lugar. O desenvolvimento faz-se com todos.
J.A. – O Jornal das Autarquias existe desde 2007. Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.C,-O papel da comunicação social local e especializada é fundamental para a democracia e para a valorização do poder local. O Jornal das Autarquias tem desempenhado um papel relevante na divulgação do trabalho desenvolvido pelos municípios e na promoção do debate construtivo sobre os desafios do território. Felicitamos o vosso jornal pelo percurso e contributo ao longo destes anos.