Por: Câmara Municipal do Seixal em 2008-10-21 20:23:00
Seixal: XIV Fórum sobre Património Marítimo do MediterrâneoPalhabote de Santa Eulália para visitar na Doca da Marinha de 23 a 25
Inserido no XIV Fórum sobre Património Marítimo do Mediterrâneo, que vai acontecer no Seixal de 23 a 25 de Outubro, vai estar em Lisboa o Palhabote Santa Eulália, do Museu Marítimo de Barcelona, o qual pode ser visitado na Doca da Marinha, no dia 23, das 10 às 18 horas e nos dias 24 e 25, das 10 às 19 horas. As marcações podem ser feitas através do Ecomuseu Municipal do Seixal, pelo telefone número 210 976 112. A entrada é gratuita.
Os palhabotes, últimos veleiros do Mediterrâneo
Os palhabotes são embarcações com casco de madeira e com aparelho de escuna, que se utilizavam como cargueiros. Este tipo de veleiros foi amplamente adoptado, em finais do século XIX, pelos armadores espanhóis que procuravam um tipo de barco pequeno, rápido e de tripulação reduzida.
O palhabote Santa Eulália: um pouco de história
O palhabote de três mastros Carmen Flores foi construído na praia de Torrevieja (Alicante) pelo carpinteiro naval Antonio Marí Aguirre. O armador que o mandou construir foi o comerciante valenciano Pascual Flores, que encomendou a construção de duas embarcações que tinham que envergar o nome dos seus filhos, Pascual e Carmen. Em 1918 foi lançado à água o Pascual e, durante esse ano, também se concluiu a construção do Carmen Flores, apesar de só ter sido lançado à água nos primeiros dias de 1919.
Em 28 de Dezembro de 1918 a embarcação recebeu a sua licença de navegação e desde o seu primeiro dia no activo, sob a propriedade de Pascoal Flores, o barco dedicou-se ao transporte de mercadorias, especialmente cereais, madeira, sal e minério. Em 1921 realizou a sua primeira viagem à América, levando sal e trazendo cereais, saindo de Alicante para Manzanillo e Santiago de Cuba, para voltar, finalmente, ao porto de Barcelona. Esta primeira aventura transoceânica deu lucros suficientes para amortizar o custo total da construção do barco, os gastos da travessia e os salários dos marinheiros. As suas qualidades de veleiro eram tais que rapidamente ganhou a alcunha de “El Chulo” (“O Bestial”).
Em 1931 foi adquirido por Jaume Oliver, armador maiorquino, que lhe mudou o nome para Puerto de Palma e lhe instalou o motor, transformando-o num moto veleiro. Também lhe retirou o mastro da mezena. Em 1936 passou para as mãos da famosa Naviera Mallorquina, companhia que o rebaptizou com o nome de Cala San Vicens, nome já anteriormente atribuído a outro barco da companhia, que havia naufragado em 1935.
Como Cala San Vicens navegou até 1975, quando foi adquirido pela empresa Sayremar, que se dedicava a trabalhos subaquáticos e de salvamento. Novamente rebaptizado, agora com o nome Sayremar Uno, o velho barco levou a cabo todo o tipo de tarefas para a mencionada empresa e, posteriormente, para outra similar, a Kilón, até Maio de 1996. Finalmente, em Janeiro de 1997, foi adquirido pelo Museu Marítimo de Barcelona, e em pouco tempo começou o processo de restauro que foi concluído, oficialmente, com a participação do barco na Regata Ruta de la Sal, em Abril de 2001. Nesse momento o barco já tinha sido rebaptizado como Santa Eulália, o seu actual nome.
Características técnicas
A ficha técnica resume os principais dados e elementos que caracterizam esta embarcação:
Ano de construção: 1918
Estaleiro: Estaleiros Marí, em Torrevieja
Deslocamento: 271 ton.
Tonelagem bruta/limpa: 167 ton./155 ton.
Material do casco: madeira
Comprimento total: 34 m (46 m incluindo o gurupés)
Boca máxima: 8.5 m
Pontal: 4,6m
Superfície vélica máxima: 515,495 m2 (11 velas)
Altura dos mastros sobre a coberta: 27m
Motor: Volvo Penta 397 cavalos
Tripulação: 5 (patrão, contramestre, três marinheiros e motorista)
Lotação máxima autorizada: 12 pessoas
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Manuel Sampaio, 2008-10-29 18:57:00
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