Manuel Heliodoro de Freitas Dória
J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.-Sim. Sendo São Roque do Faial uma terra do norte da Madeira, com grande expressão agrícola, é normal que o setor primário seja valorizado. Infelizmente o relevo muito acentuado não nos deixa ter grandes parcelas agricultáveis, mas ainda temos uma grande percentagem de habitantes que fazem da agricultura a sua atividade principal. Quanto ao turismo, sendo a Madeira uma das zonas do país onde o turismo tem maior relevância económica e fazendo parte de São Roque do Faial alguns dos pontos mais emblemáticos da nossa região, como é o caso do Ribeiro Frio e do Pico do Arieiro, é normal que o turismo tenha para nós um papel de relevo.
J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.-Essencialmente sessões de sensibilização junto da população. Aos poucos os residentes vão ficando mais informados que o problema da violência doméstica é crime e que deve ser denunciado. Aquela ideia que entre marido e mulher não se mete a colher, tem de ser esbatida.
J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.-De facto, preocupa-me saber que alguns jovens acham normal a violência, que na maior parte das vezes nem é física, mas psicológica. Sou professor há mais de 30 anos e sinto que, aos poucos, as coisas vão melhorando. Mas também com as novas tecnologias vão surgindo outros tipos de violência.
J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.-Os recursos financeiros nunca são suficientes para a população. O ser humano quer sempre mais, e isso até é bom. Um dos grandes problemas da nossa freguesia é o despovoamento e por via disso também o envelhecimento da população. Os jovens sentem cada vez mais dificuldade em conseguir casa para se fixar. Além disso, a escassez de trabalho qualificado, que possa atrair os recém-licenciados, é cada vez menor. Daí um dos maiores problemas financeiros é para adquirir casa. Outro grande problema sente-se nos nossos idosos e reformados, na aquisição dos medicamentos.
J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P.J.-Esse problema não se colocou em São Roque do Faial. Recordo que esta freguesia está situada na costa norte da Madeira. Há cerca de meia dúzia de anos tivemos alguns venezuelanos que regressaram à sua terra, alguns já de segunda e terceira gerações. Mas, mesmo assim, não sentimos muito impacto. Para nós até era importante que viesse mais gente para repovoar o nosso território.
J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
P.J.-As medidas são bem vindas. Desde que sejam para ajudar os jovens a se fixar nas suas terras, qualquer medida deve ser acarinhada. Um dos maiores entraves, por vezes, na implementação dessas medidas é o excesso de burocracias que as mesmas acarretam.
J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.-A meu ver não é baixando o IVA que se consegue baixar os preços. Acho que deve haver uma maior regulação na inflação dos bens de primeira categoria. Quando temos, por exemplo, um residente que vai tomar café e que o mesmo aumenta, num ano, 30% e os ordenados aumentam pouco mais de 3%, algo está a falhar.
J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.J.-Na Madeira, Graças a Deus, não sentimos este ano muitos problemas com o inverno. Na nossa freguesia não temos problemas com inundações. O nosso grande problema com as chuvas, é o perigo do aluimento de terras. Como temos um relevo muito acentuado, o nosso grande problema são as derrocadas e a destruição de bens públicos como é o caso das estradas e veredas.
J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.-A limpeza de caminhos reais, a recuperação de algumas veredas e o problema de estacionamento, no centro da freguesia e nos pontos turísticos, como por exemplo no Ribeiro Frio e o Pico do Arieiro. É claro que necessitamos também de um auditório para dar maior dignidade às imensas atividades culturais que ocorrem em São Roque do Faial.
J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.-A situação financeira é estável. Tomamos posse a 3 de novembro. Herdamos uma junta de freguesia sem dívidas e com as contas regularizadas. Temos um orçamento de pouco mais de 100 mil euros, onde mais de 50% são para manter a junta a funcionar. Com o que resta pouco se pode fazer pelos nossos residentes. Limitamo-nos a realizar algumas obras de proximidade de cariz social, apoiamos a cultura, a educação e o desporto. Mas o nosso grande enfoque é no encaminhamento dos nossos residentes no sentido de se ir resolvendo os problemas que nos vão surgindo.
J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.-A Junta de Freguesia de São Roque faial recebe mensalmente, do município de Santana, o valor de 1030€, através de um acordo de execução. Se pensarmos que a junta tem de fazer limpeza em 10 caminhos e em 6 espaços verdes, é fácil perceber que o que recebemos da câmara é muito insuficiente. Para além disso o valor continua inalterado desde 2018, ou seja, há 8 anos que é sempre o mesmo valor. Nem é atualizado pelo valor da inflação…
J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.-Não tenho informação formada sobre a vossa publicação. Mas, desde já, agradeço que é o facto de se terem lembrado da nossa autarquia para participar no vosso jornal com a presente entrevista. Bem hajam pelo trabalho que desenvolvem na divulgação do poder local.