Novembro 2020 - Nº 157 - I Série - Madeira

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Jorge

Américo da Silva Gomes

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.J.- Este é um assunto que já se arrasta a anos com muitas polemicas envoltas, quer a nível ambiental, quer financeiras. Dada a sobrecarga aérea, o atual aeroporto de lisboa não consegue efetivamente dar resposta, são cada vez mais as pessoas que viajam, quer em negócios, quer em lazer, o que sobrecarrega o tráfego aéreo. Sem duvidas que num futuro próximo, faz todo o sentido que esta obra avance.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- São Jorge sendo uma freguesia do Norte da Ilha, a agricultura é sem duvida o seu principal sector, sendo que a maioria das pessoas tem os seu terrenos e deles vão buscar os seu meios de subsidência, destaca-se a produção da Uva Malvasia de São Jorge, muito procurada para a produção do vinho madeira, a batata doce que data a qualidade do solo é de uma qualidade muito boa, a batata normal é também um tubérculo muito cultivado na nossa freguesia. Relativamente ao turismo, sempre defendi que São Jorge necessita de investimento nesta área, neste momento já vemos crescer na freguesia o alojamento local, no entanto em muitas alturas do ano, a procura continua a ser superior a oferta. São Jorge é uma terra de um povo por natureza acolhedor, com uma gastronomia das melhores da ilha, possuidora de um património único, que se eleva do mar à serra.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- Este é um problema que se arrasta ao longo dos tempos, felizmente que em São Jorge são poucos os casos, sendo que os existentes já se encontram sinalizados pelas autoridades competentes. Perante casos de violência domestica, e de modo a acabar com este flagelo, as autoridades deverão ter uma intervenção mais pesada.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Felizmente na nossa freguesia não temos conhecimento de nenhum caso, no entanto mais uma vez cabe as entidades competentes sinalizar estes casos e proceder a sua correção.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Muitas vezes essa violência esta associada a etnia das pessoas, infelizmente nos dias de hoje estes complexos continuam a existir, não podemos julgar ninguém pela sua cor, pela sua religião, pela sua ideologia politica.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- São Jorge, de facto caminha para uma população mais envelhecida, os jovens saem da freguesia a procura de melhores trabalhos e muitas vezes só regressam em ferias. Temos algumas pessoas que efetivamente necessitam de apoio, principalmente nesta altura da pandemia, com o aumento do desemprego. Sempre que nos contactam ajudamos dentro do possível, com bens essenciais, comida, medicamentos. Uma vez que a nossa Junta de Freguesia têm um orçamento reduzido, é a própria direção que suporta alguns destes custos.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.J.- Muito sinceramente a DGS atuou de forma tardia no combate a pandemia, chegando até a desvalorizar esta doença. Deviam ter seguido as medidas tomadas pelo Governo Regional, que de forma a travar a pandemia tomou medidas preventivas eficazes e que travaram a entrada do vírus na nossa ilha.

J.A.- Com a aproximação do inverno, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Com a aproximação do inverno, a nossa equipa de funcionários, garante uma limpeza quer a nível de veredas, caminhos municipais, levadas e cursos de água, de modo a dar aos nossos fregueses e a quem nos visita uma maior segurança. Esta é uma época em estamos ainda mais atentos aos idosos, muitos vivem sozinhos e necessitam do nosso apoio.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- Da parte do governos regional, é nos atribuída uma verba trimestralmente, que utilizamos para fazer face aos flagelos com que nos deparamos.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Neste momento um dos principais problemas da freguesia, continua a ser o acesso, aguardamos a conclusão da via expresso que neste momento já se encontra na fase final. É sem dúvida uma obra imprescindível para toda a freguesia.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Outro problema que a freguesia se depara é a falta de investimento privado e publico, São Jorge não pode cair no esquecimento. Investir na freguesia iria criar novos postos de trabalho, os jovens necessitam de um incentivo para não saírem da freguesia a procura de melhores condições de emprego. Quanto a população mais idosa, é de estrema importância que se mantenham os centros de dia, é importante termos os nossos idosos ativos.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Tenho esperança que num futuro próximo, vejamos nascer em São Jorge uma unidade hoteleira, como já referi São Jorge tem muito para oferecer aos seus visitantes, quem cá vem deseja sempre voltar.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Como sempre defendi, São Jorge não pode cair no esquecimento, somos uma freguesia que vai do mar a serra, terra de gente humilde e trabalhadora, exigimos o mesmo tratamento que têm outras freguesias a norte da ilha. Temos o dom de acolher quem nos visita, gostamos de manter vivas as nossas tradições, no carnaval, nas celebrações da Pascoa, nas festas de verão, no Natal, nestas ocasiões passam por São Jorge centenas de pessoas. Investir na freguesia é garantir que mais pessoas possam vir conhecer e disfrutar do quando bonita é a nossa freguesia, não é por acaso que a chama-mos de São Jorge Rincão Florido.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Este ano o orçamento da Junta de Freguesia rondou os oitenta mil euros, temos que seguir a risca o orçamento para não termos derrapagens orçamentais. O dinheiro é canalizado ao cêntimo para cobrir as despesas da freguesia. Com o pouco que temos ainda muito conseguimos fazer e as pessoas sabem disso.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal apoia-nos anualmente com uma verba de dezasseis mil euros, esta verba é canalizada na sua totalidade para a limpeza e manutenção dos caminhos municipais e veredas. A parte desta verba, julgo que nenhuma freguesia do concelho se pode queixar, a Camara Municipal está sempre disponível a apoiar, da nossa parte só temos que agradecer todo o apoio que nos dão.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Face ao que o mundo esta a viver com a chegada desta pandemia, queria deixar uma mensagem de esperança a todos os nossos fregueses, que continuem a seguir as instruções das pela DRS e pelo Governo Regional, e que sairemos desta pandemia mais fortes.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- A verdade é que muitas vezes não podemos estar com os nossos para estar em prol da população, é difícil mas quem corre por gosto não cansa. Não existe melhor recompensa do que andar na rua e ver as pessoas satisfeitas com o nosso trabalho.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Quero agradecer a oportunidade de darmos a conhecer a nossa linda freguesia, deixo aqui o convite para que nos visitem e possam disfrutar da nossa linda terra São Jorge.

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