Jornal das Autarquias | Fevereiro 2025 - Nº 208 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Santo António da Serra

Gilberto Dias Rodrigues

J.A.- O turismo e o setor primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.- O turismo e o setor primário (agricultura) são fundamentais para o desenvolvimento local e promoção da nossa economia. A reabertura do Enotel, bem como o aparecimento dos alojamentos locais tem dinamizado a nossa economia.
No setor agrícola, temos procurado incentivar os produtores locais através de apoio logístico.
A Produção de maçãs para a transformação em Sidra tem sido fundamental para a dinâmica do setor primário na nossa freguesia.

J.A.- Cada dia que passa, a violência doméstica tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.- O combate à violência doméstica exige uma ação coordenada entre a polícia, serviços sociais e educacionais, bem como apoio psicológico e jurídico às vítimas. Medidas como a criação de programas educativos nas escolas, o fortalecimento das redes de apoio às vítimas, e a criação de centros de acolhimento para mulheres e crianças são essenciais para mitigar o problema.

P.J.- J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.- A violência no namoro entre jovens é um problema alarmante que necessita de uma abordagem preventiva. A educação sobre relacionamentos saudáveis e o respeito mútuo deve ser promovida desde cedo, tanto nas escolas quanto nas famílias. Além disso, é importante que os jovens saibam como identificar sinais de abuso e tenham acesso a apoio adequado.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.- As populações mais vulneráveis geralmente necessitam de acesso a serviços de saúde, educação, habitação, alimentação e apoio psicológico.
No cado concreto da nossa Freguesia, a maior lacuna prende-se sobretudo com a falta de apoios para a requalificação de casas degradadas, em muitos casos de herdeiros que por questões burocráticas, não conseguem legalizar as habitações e por isso, impedidos de efetuar melhoramentos.
Entendemos que o Município, juntamente com o Governo Regional, deveria apostar na construção de habitação à custos controlados, por forma a evitar “a fuga” dos nossos jovens para outras Freguesias.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois de terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no país? Qual a vossa opinião sobre este assunto?
P.J.- Entendemos que com uma integração eficaz, estes imigrantes podem ser uma mais-valia para a nossa Freguesia. A falta de mão de obra é significativa e a necessidade de reverter o decréscimo da nossa população e fundamental e deve ser vista como uma riqueza para o desenvolvimento da comunidade.
É essencial que a autarquia tenha sensibilidade para promover políticas de inclusão.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?
P.J.- Na nossa Freguesia, as políticas habitacionais devem focar-se na construção de habitação à custos controlados, para a melhoria das condições de vida dos cidadãos, com especial atenção para os jovens casais que têm muitas dificuldades, para adquirir uma habitação própria.
Um dos nossos grandes problemas é o decréscimo da população e entendemos que é essencial que o Governos regional aposte neste tipo de construção, sobretudo em Freguesias com este tipo de dificuldades.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.- O aumento dos preços de bens essenciais requer a implementação de políticas públicas que garantam a acessibilidade a alimentos e bens básicos, como subsídios e programas de apoio às famílias mais vulneráveis. A promoção de mercados locais e o apoio à produção nacional também podem ajudar a reduzir a dependência de importações.

J.A.- Com os incêndios que lavraram este verão, como reagir com as inundações resultantes das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.J.- A resposta a desastres naturais deve incluir a prevenção e a preparação. É crucial investir em sistemas de drenagem e contenção de encostas, além de promover o reflorestamento e o cuidado ambiental para minimizar o impacto das derrocadas e das inundações.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção?
P.J.- Além dos temas já mencionados (falta de habitação), há problemas inerentes com as acessibilidades, nomeadamente caminhos municipais em elevado estado de degradação e ausência de limpeza e manutenção dos mesmos.

J.A.- Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.- Sendo uma freguesia de pequena dimensão e tenso um orçamento muito reduzido para fazer face as nossas necessidades, temos procurado fazer uma eficiente gestão dos recursos, com atenção ao equilíbrio entre receitas e despesas, é crucial para garantir a sustentabilidade financeira da autarquia ao longo do mandato.

J.A.- Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.- As juntas de freguesia, como entidades locais, desempenham um papel importante na gestão de proximidade e na implementação de políticas públicas a nível local.
Entendemos que é muito reduzido o apoio financeiro da autarquia para a nossa Freguesia.
Está previsto receber em 2025 o valor aproximado de 16.000€ para fazer face as despesas de limpeza e manutenção e conservação do espaço, desenvolvimento de projetos na área cultural, desportiva e atividades de lazer, bem como para a melhorias em infraestruturas.

J.A.- Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?
P.J.- A Junta de Freguesia continua comprometida com o desenvolvimento e bem-estar de todos, incentivando a participação ativa da população em processos de decisão e colaboração para um futuro melhor.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.- O Jornal das Autarquias tem um papel importante na comunicação entre as autarquias e a população, fornecendo informações sobre o trabalho desenvolvido, projetos em andamento e outras questões de interesse público. Se a autarquia valorizar esse trabalho, a opinião pode ser positiva, destacando a relevância da divulgação das ações municipais, o fortalecimento do diálogo entre os cidadãos e os órgãos autárquicos e a importância de manter a população bem informada sobre as questões locais.

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