Énio Câmara
J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P-J.-Sim, mas poderia ser mais valorizado.
J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P-J.-No caso da nossa Freguesia isso não se verifica, mas existindo acho que devíamos trabalhar mais na educação e prevenção, como por exemplo;
Trabalhar o tema desde cedo nas escolas, promovendo respeito, igualdade e resolução pacífica de conflitos.
Combater ideias culturais que normalizam o controlo, o ciúme excessivo ou a agressividade nas relações.
Desenvolver campanhas públicas de sensibilização sobre sinais de abuso e formas de pedir ajuda.
E também no apoio eficaz às vítimas, como por exemplo;
Reforçar linhas de apoio psicológico e jurídico acessíveis 24 horas.
Garantir mais casas de abrigo seguras para vítimas e filhos.
Criar mecanismos rápidos de proteção, como ordens de afastamento eficazes e acompanhamento policial.
J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P-J.-As escolas e as famílias têm aqui um papel decisivo. Conversas abertas, sem moralismos excessivos, ajudam os jovens a reconhecer sinais de abuso antes que a situação evolua.
Existem vários fatores que contribuem para isso, como:
exposição frequente à violência em casa ou nas redes sociais;
influência de conteúdos que romantizam relações tóxicas;
dificuldade emocional dos jovens em lidar com frustração e rejeição;
falta de educação afetiva e emocional;
pressão social e necessidade constante de validação digital.
J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P-J.-Apoio à habitação e pequenas obras
A nossa freguesia com população envelhecida e baixos rendimentos, é frequente existirem habitações degradadas. São necessários:
apoios para recuperação de casas;
melhoria de acessibilidades;
ajuda em materiais de construção;
redução de custos energéticos.
Apoio aos idosos
Os idosos isolados constituem um dos grupos mais vulneráveis. Precisam frequentemente de:
transporte para consultas;
apoio domiciliário;
comparticipação em medicamentos;
acompanhamento social e combate à solidão.
Apoio às crianças e jovens
É importante investir em:
material escolar;
refeições;
bolsas de estudo;
atividades desportivas e culturais;
prevenção da violência e exclusão social.
Reforço do orçamento social local
Para responder eficazmente, a Junta necessita de:
maior transferência de verbas do Estado e do município;
candidaturas a fundos europeus;
parcerias com instituições sociais;
programas de voluntariado comunitário.
Mais do que distribuir apoios pontuais, o verdadeiro desafio de uma autarquia é criar condições para que as pessoas recuperem estabilidade e qualidade de vida. Uma freguesia próxima da população consegue muitas vezes identificar rapidamente situações de pobreza escondida, isolamento ou risco social,
J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P-J.-Aqui nesta Freguesia não sentimos muito este assunto.
J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P-J.-Algumas medidas possíveis são:
Redução temporária de impostos sobre bens essenciais
O Estado pode:
reduzir ou eliminar IVA em produtos alimentares básicos;
diminuir impostos sobre energia e combustíveis;
controlar aumentos excessivos em setores essenciais.
Fiscalização e combate à especulação
É importante reforçar:
fiscalização de margens excessivas;
controlo de práticas abusivas;
transparência na formação dos preços.
Apoio direto às famílias mais vulneráveis
O Governo pode criar ou reforçar:
apoios extraordinários;
complementos para pensionistas;
subsídios para famílias numerosas;
vales alimentares;
apoios à renda e à energia.
Aumento gradual dos salários e pensões
Quando os preços sobem continuamente e os rendimentos não acompanham, o poder de compra diminui. Assim, torna-se importante:
atualizar salários mínimos;
incentivar melhores salários no setor privado;
valorizar pensões mais baixas.
J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P-J.-Aqui não tivemos esse problema.
J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P-J.-A situação é estável com boa saúde Financeira.
J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P-J.-Existe Acorde de Execução e delegação de competências entre a Câmara Municipal e a Juntas de Freguesias, recebemos 1 apoio financeiro mensal de cerca de 1.900 euros.
J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P-J.-O facto de o Jornal das Autarquias existir desde 2007 demonstra continuidade, resiliência e capacidade de manter um espaço dedicado à informação local e autárquica, algo muito importante numa sociedade onde, muitas vezes, os temas nacionais acabam por dominar a atenção pública.
Além disso, um jornal desta natureza contribui para fortalecer a cidadania e a participação democrática, dando voz às comunidades e promovendo debate sobre questões que afetam diretamente o quotidiano das pessoas.