Jornal das Autarquias | Junho 2026 - Nº 224 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Câmara de Lobos

Filipe Freitas

Filipe Freitas

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.- O sector primário é valorizado na nossa freguesia. Somos uma freguesia onde a pesca e a agricultura desempenham um papel fundamental na nossa economia, a qual se junta o sector do turismo.
A freguesia de Câmara de Lobos possui o que de melhor tem na Região Autónoma da Madeira no que ao sector primário diz respeito.
São os nossos pescadores que se dedicam à captura da pesca do peixe-espada preto, enquanto as culturas da banana, vitivinícola, cana-de-açúcar e hortícolas, pintam as nossas paisagens do mar à serra.
São estas produções que fazem com que a nossa gastronomia seja um ex-libris da Região, como seja o filete de espada, o Vinho Madeira, a banana e a tradicional poncha à pescador, produtos tradicionais da nossa freguesia e conhecidos mundialmente e que atraem à nossa baía, ao Pico da Torre e ao Cabo Girão milhares de turistas diariamente.
A Junta de Freguesia promove, há mais de 30 anos, a Festa Gastronómica do Peixe-Espada Preto, relevando e premiando o trabalho dos mais de 200 pescadores que se dedicam a esta arte de pesca, que valoriza a nossa economia e a nossa gastronomia, atraindo milhares de locais e turistas a este evento.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem-se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
P.J.- Infelizmente a violência doméstica ainda é um problema grave da nossa sociedade. Um problema que deverá ser denunciado por todos os meios independentemente do autor, e que deveria ser punido de forma severa.

J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
P.J.- Este problema, não tem idade, vai dos mais jovens até aos mais idosos. As novas tecnologias, vieram, no meu ponto de vista, agravar esta problemática nos mais jovens, isto porque as mensagens nas redes sociais, o geolocalizar dos parceiros, as mensagens e a partilha de imagens que deveriam ser do foro privado, fazem aumentar esta “pandemia” especialmente nos nossos jovens, situação que urge a criação de medidas de mitigação deste problema.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.- Devido ao facto de sermos uma freguesia onde o sector primário teve e continua a ter uma preponderância muito grande na nossa economia, e que por vezes efetuaram poucos descontos para a Segurança Social, temos ainda algumas franjas da população, nomeadamente os mais idosos, com parcos recursos que ainda necessitam e recorrem aos apoios das diversas instituições, quer públicas ou mesmo privadas de apoio social.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no País. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
P.J.- Câmara de Lobos é uma freguesia de muita emigração, no passado para a Venezuela, África do Sul, Brasil, Canadá, Austrália, e mais recentemente as ilhas britânicas, França e Suíça, um pouco por toda a Europa. Por termos essa cultura da aventura e partilha a nossa população tem sabido receber os imigrantes que têm chegado, e que de modo geral vêm para trabalhar nos sectores onde a falta de mão de obra é mais premente, pelo que para nós não tem sido um problema, antes pelo contrário.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?
P.J.- Ao contrário do panorama nacional, o Governo Regional e o município de Câmara de Lobos, têm vindo a construir habitação social e a custos controlados. Nos últimos dois anos foram construídos e entregues em Câmara de Lobos cerca de 180 alojamentos, a grande maioria na nossa freguesia, estando previsto para os próximos meses a entrega de mais 60 alojamentos, e a construção até final deste mandato de mais duas centenas, que se irão juntar aos vários projetos privados e cooperativos que estão previstos.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
P.J.- Infelizmente com as guerras que têm existido nos últimos tempos, o custo do cabaz alimentar tem subido vertiginosamente, em virtude dos custos de produção e transporte ter subido imenso.
A baixa de impostos seria uma boa medida, se o mesmo se refletisse no preço final dos produtos, mas creio que devido à especulação esta baixa não se iria refletir no preço final.
Uma medida que poderia ser implementada a exemplo do que aconteceu em 2022, com o auto voucher, por via do aumento dos combustíveis, poderia ser a aplicação de um apoio idêntico, direto às famílias com o reembolso via Autoridade Tributária, de modo a minimizar este aumento que se tem verificado.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
P.J.- Felizmente para nós, não tivemos problemas de maior, algumas pequenas derrocadas, sem grande impacto nos locais.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.- Apesar das habitações construídas e previstas, a habitação, a falta de estacionamento no centro da freguesia e a falta de mão-de-obra, são situações que merecem a nossa atenção.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
P.J.- A situação financeira da Junta de Freguesia é equilibrada, por via dos constrangimentos legais, não podemos recorrer a grandes empréstimos, por isso não nos podemos aventurar em grandes obras. Limitamo-nos a obras de pequena dimensão, mas de proximidade com as populações locais, cumprindo a tempo e horas com os nossos fornecedores.

J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
P.J.- Nós temos um excelente relacionamento com a Câmara Municipal, que nos dá apoio logístico nos nossos eventos, e via Contrato Interadministrativo, que nos concede um apoio financeiro superior às transferências do Fundo de Financiamento das Freguesias.

Go top