Entrevista à Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras

Laura Rodrigues

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-Torres Vedras caracteriza-se por ter o mar e o campo às portas da cidade. O setor primário continua a ter um papel crucial para o desenvolvimento económico do Concelho, onde se destaca a agricultura. Somos um território marcadamente rural, de onde saem, todos os dias, hortícolas e frutícolas para os mais diversos pontos do país e da Europa.
Aos dias de hoje, o desafio a que temos vindo a responder passa por adaptar e modernizar. Foi nesse contexto que o Município de Torres Vedras liderou a candidatura do Smart Farm Colab à Fundação para a Ciência e Tecnologia, que financia este projeto de investigação. A sua missão passa, precisamente, por desenvolver soluções digitais inovadoras para a agricultura, com especial destaque para as áreas hortícola, frutícola e vitícola.
Pensando na produção de vinho que marca este território, não posso deixar de salientar a forte aposta no enoturismo, que conheceu um impulso revigorante aquando da distinção de Torres Vedras como “Cidade Europeia do Vinho”. Neste momento, contamos com 13 unidades de enoturismo, a que se irá juntar a Rota do Vinho – N9 – Torres Vedras, uma rota ao longo da Estrada Nacional 9, que acompanha algumas das áreas com maior concentração de vinha do Concelho.
Além do enoturismo, muito mais há para fazer, visitar e provar: dos 20 km de costa Atlântica ao vasto património histórico e cultural, onde se destaca o conjunto fortificado das Linhas de Torres Vedras. Também por isso, é fundamental continuar aquilo que a pandemia interrompeu, apostando na promoção deste território em segurança. Foi nesse sentido que lançámos o Passaporte Cultural e Turístico de Torres Vedras. Trata-se de um documento distribuído junto dos hóspedes dos empreendimentos turísticos e estabelecimentos de hospedagem (e que pode ser adquirido nos Postos de Turismo), que garante acesso livre a nove equipamentos culturais, além de descontos num vasto conjunto de parceiros que se juntaram à iniciativa.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-A pandemia de COVID-19 veio agravar muitas dessas situações, acentuando desigualdades sociais e económicas. Foi por isso que, desde a primeira hora, decidimos implementar um conjunto de medidas de apoio a famílias, empresas e associações. O Programa Municipal de Apoio Extraordinário no Âmbito da COVID-19 contemplou 39 medidas, que foram da redução e isenção de taxas à prorrogação do Programa de Apoio ao Arrendamento e à redução do prazo de pagamento a fornecedores do Município.
Gostaria de destacar o apoio financeiro direto a situações de comprovada emergência social, a atribuição de vales para aquisição de bens alimentares e outros de primeira necessidade, o fornecimento de refeições aos alunos carenciados durante o encerramento dos estabelecimentos escolares, assim como a cedência de equipamento informático e acesso à internet aos alunos que não tinham esses meios, garantindo que tinham condições para estudar em casa.
Ainda no que toca ao apoio social prestado um pouco por todas as freguesias do concelho de Torres Vedras, não podemos esquecer o papel fundamental das organizações de economia social. Refiro-me a associações, casas do povo, centros comunitários e outras entidades que desenvolvem um trabalho incansável em torno da comunidade. Por tudo isso, no passado mês de junho reforçámos o apoio a estas entidades, distribuindo 107.500 euros entre 22 organizações de economia social do Concelho.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.C.-No concelho de Torres Vedras, o processo de vacinação contra a COVID-19 continua a decorrer a bom ritmo. Até ao dia 8 de agosto foram administradas 108.769 vacinas no Concelho, com 54.334 cidadãos já com vacinação completa.
Para o aceleramento do processo de vacinação no território, fez-se o alargamento dos postos de vacinação. Ao posto localizado na Cidade, juntaram-se novos postos nas localidades de Turcifal, Sobreiro Curvo e Runa.
É desta forma e com o empenho de todos que alcançamos estes números, que nos deixam esperançosos e confiantes em retomar as nossas vidas em segurança, sem por em causa a saúde pública.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-A mensagem que tem sido transmitida é de que o concelho de Torres Vedras é bom para viver, para visitar e para investir. É uma mensagem que advém da realidade, onde a qualidade de vida tem atraído cada vez mais pessoas para o nosso território. Os Censos 2021 apontam para um aumento da população residente total em 4,6% relativamente a 2011, o que significa que contamos, agora, com 83.130 habitantes.
Na última edição do “Portugal City Brand Ranking”, Torres Vedras ocupava a 22ª posição. O que significa que entre os 308 concelhos do país, estamos entre os 25 concelhos mais atrativos para viver, visitar ou investir. São indicadores que nos deixam muito satisfeitos e que refletem o trabalho que temos vindo a desenvolver.
O mesmo acontece com as conclusões do estudo que estamos a desenvolver com o objetivo de definir a estratégia de posicionamento da marca Torres Vedras. Os agentes locais têm uma perceção geral positiva sobre o potencial do Concelho, precisamente, naqueles três domínios.
No que toca ao investimento, Torres Vedras beneficia de uma localização privilegiada, que se caracteriza pela proximidade a Lisboa, mas também pelas condições de acesso ao resto do país. Para acompanhar todas as formas de investimento no Concelho, criámos a Agência Investir Torres Vedras, que dinamiza o empreendedorismo e vários programas de incubação.
Quem pretende investir em Torres Vedras encontra, ainda, um conjunto de benefícios fiscais que se encontram disponíveis para projetos de investimento de interesse municipal, como a isenção total ou parcial de impostos municipais.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-Sim, a Câmara Municipal de Torres Vedras tem vindo a fazer uma forte aposta no sentido de atrair a produção de conhecimento para o Concelho, ao mesmo tempo que potencia a atratividade do território.
Em 2017 demos início a uma colaboração com o Instituto Politécnico de Leiria, que permitiu trazer o ensino superior público para a Cidade através de um polo que funciona no Torres Vedras LabCenter, em pleno Centro Histórico de Torres Vedras. Este polo teve início com 42 alunos e no ano letivo 2020/2021 já contava com 203 alunos, divididos em 12 turmas.
Já no próximo ano letivo entrará em funcionamento um polo da Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria no antigo edifício dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, fruto de um protocolo assinado em dezembro de 2020. Desta vez, a colaboração entre o Município e o Politécnico de Leiria permitirá alargar a oferta do ensino superior a cursos de formação de profissionais para carreiras de saúde, mas também formação na área das tecnologias de diagnóstico e terapêutica, com ligação às várias empresas da região.
Em articulação com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa iremos criar o Torres Vedras Health Park for Multidisciplinary Care. Trata-se de um espaço dedicado à saúde que ocupará o antigo Hospital Dr. José Maria Antunes Júnior e que irá dedicar-se à prestação de cuidados assistenciais, à formação de profissionais da saúde, ao ensino e à investigação em Medicina e em outras Ciências Biomédicas.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-O ritmo do processo de vacinação leva-me a deixar uma mensagem de esperança de que já estivemos mais longe de travar a pandemia e de regressar ao que apelidamos de “normalidade”. No entanto, sabemos que esta batalha ainda exige o esforço e empenho de todos. Sabemos o quão importante é a vacinação, mas também sabemos que não dispensa o cumprimento das medidas de proteção. Cada um deve dar o exemplo no que toca ao respeito pelo distanciamento físico, pela utilização de máscara e pela adoção das regras de higiene e de etiqueta respiratória. Cada um de nós tem, em si, a missão de salvaguardar a saúde pública.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-É uma tarefa bastante exigente e que só se consegue com uma vasta equipa, que é incansável e que todos os dias trabalha em prol deste Concelho e da sua população. A Câmara Municipal de Torres Vedras pauta-se pelo dinamismo, por desenvolver projetos nas mais variadas áreas que exigem muito trabalho para que possamos dar resposta às necessidades dos cidadãos.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Desejo que o Jornal das Autarquias continue a promover o que de melhor se faz um pouco por todo o país. Naquela que é denominada como a era do conhecimento, é fundamental que as populações tenham acesso a informação rigorosa e isenta, sobre aspetos que realmente importam para a sua vida individual e coletiva. Ao longo do tempo, o Jornal das Autarquias tem cumprido honrosamente essa missão. Espero e acredito que assim continuará!

Go top