Carta aberta do Presidente da Junta de Freguesia do Peral

Hélder José Ventura dos Santos

1 - O setor primário, é a principal fonte de rendimento, e trabalho dos residentes na freguesia, predominando a produção da Pêra Rocha, e todas as atividades inerentes ao processo, havendo ainda outras culturas, como maçã, ameixa ou vinha, mas com menor expressividade de áreas ocupadas. O turismo, resume-se a alguns alojamentos locais, atendendo a que não temos, diretamente, pontos de relevo em rotas turísticas, se bem que a localização da freguesia, bem como a hospitalidade das suas gentes, tem vindo a ser muito atrativa para a fixação de cidadãos estrangeiros, que procuram no nosso país um local para gozar as suas reformas.

2 - A violência domestica, é um tema muito sensível, pessoalmente, condeno veemente essas situações e tento ser o mais pro ativo possível na sua prevenção. Preocupa-me o facto deste tipo de violência assumir muitas e variadas formas, por mais vigilantes que estejamos, corremos sempre o risco, de ter uma possível vitima entre nós, mesmo á nossa frente e não a reconhecer, não conseguindo agir/ajudar, por desconhecimento. Somos uma comunidade relativamente pequena, onde, felizmente estes casos (identificados), são muito esporádicos quase inexistentes, mas posso garantir que estou e estarei sempre empenhado a reduzir ainda mais a sua ocorrência.

3 - Como já referi anteriormente, somos uma comunidade pequena, com uma realidade diferente dos grandes meios urbanos, a proximidade das pessoas, e o facto de todos se conhecerem, é um grande “travão” á proliferação desses comportamentos. Claro que existem situações, mas temos conseguido, colaborar com as entidades competentes, por forma a minimizar os impactos e garantir que os nossos jovens chegam a “bom porto”.

4 - É de notar, que estamos a viver, uma situação nova, para todos, com repercussões a nível social, ainda impossíveis de ser medidas, pois de um momento para o outro, perdemos as nossas liberdades e direitos adquiridos. Por outro lado, o uso e abuso das novas tecnologias, tem vindo a mudar a forma de relacionamento interpessoal, pois os convívios são cada vez menos, cara a cara, o contato pessoal é cada vez menor, e a própria vida das pessoas é cada vez mais acelerada, aos poucos fomo-nos habituando a querer tudo para já, para agora, aumentando os nossos níveis de stress e reduzindo em muito a paciência e tolerância. As famílias atravessam também grandes dificuldades, tempos difíceis em termos económicos, em questões de emprego, em imposição de comportamentos. Pegando em tudo isto, e de forma muito resumida, temos um catalisador bastante forte, para a escalada de comportamentos menos correto por parte das pessoas, e consequentemente, atitudes mais violentas.

5 - O envelhecimento da população, e em muitos casos, os rendimentos baixos ou inexistentes, são problemas aos quais não somos alheios, e com que nos debatemos diariamente. Prestamos o apoio que nos é possível, em articulação com as entidades locais, nomeadamente o Banco Alimentar e Ação Social do Municipio, a RLIS (Leader Oeste) e a Cruz Vermelha do Cadaval, colaboramos na referenciação de situações, na distribuição de alimentos, na instrução de pedidos de apoio, em algumas deslocações necessárias, quer para estes pedidos, consultas médicas, exames, de uma forma geral, tudo aquilo que nos e possível fazer, por uma determinada situação, fazemos e queremos sempre fazer mais e melhor, para que todos os nossos fregueses, tenham direito aos mínimos necessários para assegurar a sua subsistência e condições dignas de higiene e salubridade nas suas vidas.

6 - As medidas tomadas pelo governo, para a contenção da Pandemia, a meu ver, têm sido adequadas ao momento, em que são tomadas. Infelizmente, avaliar este tipo de situação, é sempre complicado, pois estamos a navegar á vista, ninguém tem uma certeza, ou sequer uma teoria sobre como atuar, tudo pode ser a melhor ou a pior decisão, mas só podemos fazer o balanço á posteriori.
Claro que a nível social e económico, muito mais pode ser feito, com um melhor aproveitamento de recursos, bem como de fundos europeus e ajudas diretas á população afetada, sendo aqui, que a meu ver os erros podem ser apontados. Julgo que os interesses coletivos não estão a ser salvaguardados, e iremos sair desta pandemia, com uma situação social muito preocupante, com degradação das condições de vida, e em determinados setores da economia, essa degradação será irreversível, com a falência de negócios e a perca irreparável de postos de trabalho, que em meios mais pequenos tem ainda mais impacto na “vida” da comunidade, pois podem perder-se os poucos pilares que ajudam a suportar a essa mesma vida.

7 - Quanto á vacinação no contexto nacional é um tema sobre o qual, só me posso pronunciar em termos gerais, daquilo que vou lendo e vendo na comunicação social, parece-me estar a decorrer muito bem. Aqui no nosso concelho, vou acompanhando mais de perto e acho que tem sido um processo muito bem conduzido, com a Autoridade local de Saúde a ter um desempenho irrepreensível na sua condução, em articulação com todas as outras entidades envolvidas, o que nos permite estar ao nível pretendido, em termos de população vacinada, sem grande número de casos, e de ocorrências a assinalar.

8 - A pandemia, afetou e afeta, todos, transversalmente, uns mais, outros menos, mas julgo que ninguém pode dizer, que não sentiu os efeitos desta. Debatemo-nos com os problemas típicos de perca de rendimentos, de agravamento de situações de pedidos de ajudas alimentares e de outros tipos de apoios, que as pessoas necessitam para poderem subsistir. A nossa atividade principal, continuou com alguns constrangimentos no ritmo, cumprindo com as diretrizes da DGS, mas somos um povo resiliente e com um elevado espirito de entreajuda, vamos andando…

9 - Como já referi, as lacunas e os erros do nosso governos, têm sido a nível das ajudas sociais, pois no nosso caso, não houve qualquer incremento na tesouraria, ou apoios de qualquer ordem, diretamente relacionado com o Covid, e por outro lado, tivemos um aumento de custos e de afetação de recursos, para fazer face às exigências, desde desinfeções, a aquisição de Equipamentos de Proteção, otimização das instalações, necessidade de mais pessoal para higienizações, no cômputo geral, fomos aumentados em trabalho, mas em termos financeiros não sentimos que qualquer aumento, ou ainda que fosse, ajuda. Mas, a Junta de Freguesia, dentro das suas possibilidades, e ás vezes, indo um pouco alem das mesmas, enveredou sempre, e friso, sempre, todos os esforços, empenhando todos os recursos para que nada faltasse aos seus fregueses, desde solicitações de medicação, a distribuição de bens alimentares, aos documentos para os alnos em tempo escolar, algum material extra que necessitaram, tomamos todas as medidas e demos toda a ajuda que estava ao nosso alcance, pois não podemos esquecer, que temos um orçamento muito limitado, atendendo á nossa dimensão.

10 e 11 - Esta freguesia, tem, como todas, inúmeros problemas para resolver, seria pretensioso, não os reconhecer, mas parece-me que é de destacar o envelhecimento da população, a falta de empregos alternativos ao setor primário, e a falta de incentivos ou capacidade de captar a fixação de jovens, pondo em causa o funcionamento dos estabelecimentos de ensino da freguesia, sendo uma preocupação, com a qual vivo, ver encerrar uma escola, por falta de crianças, pois, como qualquer pessoa na minha posição, gostaria de estar associado á construção de uma nova valencia na área da educação infantil, e nunca o contrario, desta forma, todos os dias, eu e a equipa que me acompanha, tentamos identificar e solucionar, a grande maioria das dificuldades que nos vão surgindo.
Não posso deixar de destacar, um grave problema que estamos a viver, associado á nossa principal atividade económica, a agricultura. Estamos a ser assolados por uma praga fitossanitária, extremamente agressiva e galopante, para as nossas árvores de fruto, o fogo bacteriano, que pode vir a ter impactos nefastos na produção e na economia local, não sendo ainda possível ou sequer expectável as reias proporções que irá tomar. Para já, a Junta de Freguesia, tem vindo a associar-se às entidades locais no âmbito da divulgação e prevenção, bem como da vigilância destas situações, por forma a que a sua propagação seja o mais contida possível.

12 - A freguesia do Peral, é um território, com muita potencialidade, tem uma localização geográfica, muito boa, tem uma excelente rede viária, permitindo acessibilidades bastante boas aos eixos estruturantes de circulação. Julgo que temos de nos fazer valer, da nossa maior riqueza, o clima e as características do território, que nos permite um estilo de vida mais sustentado e equilibrado, onde não impera a agitação e a correria dos grandes meios urbanos. Já temos, na aldeia da Sobrena, um Campo de Férias, com 20 anos de atividade, que tem trazido, desde todos os pontos do país, centenas, aliás, milhares de crianças ao Cadaval, mais propriamente á freguesia do Peral, e com eles, os seus familiares, para visitas. Sempre vi aqui, uma porta para a divulgação da freguesia, e quem sabe, para a criação de uma parceria, com um possível empreendedor, para a criação de outras valências, que possam ajudar a alargar a oferta neste domínio. Também somos atrativos, para o setor das energias limpas, já temos no nosso território uma instalação solar, com uma dimensão considerável, e sabemos da intenção de fixação de outra instalação, com maior dimensão, da qual poderão advir alguns postos de trabalho, isto muito resumidamente.
Perspetivo para a freguesia do Peral, muito trabalho e empenho da minha parte, sempre na busca de atrair mais e melhor para o território, aliado a um cenário de crescimento e rejuvenescimento, alavancado nas suas condições naturais e numa resiliência grande por parte dos seus habitantes, com uma grande capacidade de se reinventarem e de procurarem sempre melhorar as condições existentes.

13 - A mensagem que levo, e sempre tentei transmitir, é a da seriedade e empenho, com que assumo o cargo que ocupo, tento e sempre tentei, distribuir de forma equitativa os recursos disponíveis, tentando não descurar as necessidades das localidades da freguesia, pois temos um povoamento disperso, e que se encontra distribuído por 4 localidades e 2 lugares, sem contiguidade espacial, dificultando muito a nossa atividade, pois os nosso recursos são muito limitados. Contudo, dizemos sempre “presente!”, e nunca ignoramos os problemas, sendo meu apanágio, a prudência, não prometer mundos e fundos, sem que antes, avalie e pondere todas as situações, pois só assim é possível uma gestão sustentada do erário publico, da qual muito modestamente me orgulho, pela postura criteriosa e responsável que tem sido adotada.

14 - A situação financeira da freguesia, é uma situação estável, ou seja, temos as nossas contas em dia, fruto de uma grande ginástica que é feita na gestão e aplicação dos parcos recursos. Ainda assim, vamos efetuando algumas obras e apoiando as nossas coletividades e organizações, sempre fazendo contas ao saldo disponível, e não querendo, de forma alguma, hipotecar os destinos desta autarquia, para outros que possam assumir este cargo, o façam sem preocupações de tesouraria. Não temos grandes reservas, mas também não temos dividas, tem sido esta a minha postura pessoal, e enquanto Presidente de Junta, honrar sempre os meus compromissos, e caminhar, de acordo com o tamanho da minha passada.

15 - A Camara Municipal, tem uma excelente relação com a junta de freguesia do Peral, aliás, é de salientar e aproveito aqui, para dirigir uma palavra de agradecimento a todo o Executivo Camarário, pois têm sido incansáveis no que diz respeito á colaboração e resolução de problemas que nos vão surgindo. Além de todas as obrigações que temos protocoladas, que o município e a junta de freguesia cumprem com a seriedade e todo o rigor que lhes é exigido, temos conseguido sempre manter uma estreita colaboração e partilha nos projetos e obras levadas a cabo. Fruto disto, e mais uma vez, salientando a visão do executivo, muito se deve á facilidade de dialogo, e ao habito criado, de mensalmente, reunir com todos os presidentes de junta, onde se fala abertamente dos problemas e se procura, através de ajuda mutua, solucionar da melhor forma possível, cada um deles.

16 - A mensagem que gostaria de transmitir, é a de que, durante este tempo, em que tive a honra de poder assumir os desígnios da Freguesia, as palavras de ordem foram a transparência, seriedade e rigor de gestão. Tentei (aliás, eu e a minha equipa, pois em tudo, somos uma equipa de três pessoas, liderada por mim, mas onde todas as decisões, são discutidas e pensadas por todos), fazer sempre o que me foi possível, esperando e acreditando estar a fazer o melhor para todos, em prol dos melhores interesses coletivos. Tentei ser o mais imparcial e o mais justo possível, posso apenas dizer de consciência tranquila, que tudo fiz, a pensar que seria o melhor para os interesses de todos.
É desta forma, que estarei disponível para ser novamente candidato, e me irei apesentar nas urnas, com a mesma humildade de sempre, com a convicção e com o desejo de querer servir os interesses da freguesia, tendo o apoio e comigo, um conjunto de pessoas capazes, motivadas, dinâmicas e com vontade de fazer mais e melhor.

17 - A vida de presidente de junta, é uma vida de dedicação á causa pública, só possível, para quem acima de tudo tem a vontade de servir os outros, é obvio, que há privações de tempo e de disponibilidade para a família, contudo, pelas dimensões da nossa autarquia é perfeitamente conciliável. Não posso deixar de agradecer e enaltecer o papel da minha esposa, por todo o apoio dado, ao longo deste tempo, sem o qual o qual não seria possível desempenhar este cargo, atendendo á minha vida pessoal.
Sem qualquer pretensão minha, é muito gratificante, poder servir esta freguesia e as suas gentes, é por eles que aqui estou, e que me irei candidatar, sempre com a intenção de poder dar o meu melhor contributo.

18 - Quero agradecer ao Jornal das Autarquias, esta possibilidade de dar a conhecer o nome da Freguesia do Peral, e deixar um convite a todos os leitores, visitem-nos, será um prazer receber a vossa visita. Gostaria de salientar a importância do vosso trabalho, e a relevância, pois pequenas autarquias, como a nossa, são pouco ouvidas, em detrimento das mais importantes no contexto nacional, acabando por ser meio esquecidas. Queria ainda deixar uma palavra de apreço, a todos os presidentes de junta, que de norte a sul, do nosso país, lutam diariamente, pelos interesses das suas populações, e particularmente, os de meios mais pequenos e mais recônditos que conhecem pessoalmente todos os seus fregueses, e que com eles partilham muito mais que a vida de autarca, sentem e vivem os seus problemas.

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