Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Montijo

Nuno Miguel Caramujo Ribeiro Canta

 

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.C.-Desde o primeiro momento, que demonstrámos a nossa concordância com a escolha da BA6 para instalação do novo aeroporto, porque acreditamos ser a melhor solução para a coesão social e territorial da Área Metropolitana de Lisboa e da Região de Setúbal, sendo a única solução que permite diluir as assimetrias socioeconómicas existentes entre as duas margens do Tejo.
Agora, devido à pandemia de covid-19, é ainda mais importante a concretização deste investimento, o maior realizado no país nos últimos dez anos, pois será um motor de criação de riqueza e de emprego para o concelho do Montijo e para região.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-Sendo certo que nos preparamos para enfrentar tempos que nunca vivemos e que esta crise de saúde publica afetou todas as áreas da economia, no sector primário, em particular nas áreas da floricultura, horticultura, agroindústria e vitivinicultura, o concelho do Montijo, tem nos últimos anos, apresentando uma grande vitalidade na produção agrícola e agroindustrial, atraindo novos investimentos na pecuária, na produção de frutos (nomeadamente frutos vermelhos) e, também, na floricultura, onde o Montijo é um dos maiores produtores de flores de corte da Península Ibérica. Todas estas áreas do sector primário são essenciais para a economia do concelho, para a criação de emprego e acreditamos que, com algumas dificuldades, conseguirão superar estes tempos difíceis.
Relativamente ao sector do turismo, que acreditamos ser um dos mais afetados neste momento e que levará algum tempo a voltar ao dinamismo pré-crise covid-19, o concelho do Montijo tem registado uma crescente procura turística, fruto também da proximidade a Lisboa e do aumento de turistas na capital. Naturalmente que este panorama, tem reflexos ao nível da hotelaria, restauração e empresas similares no concelho, o que é verificável pela construção de mais um hotel no coração da cidade, pelo crescimento do alojamento local e das unidades de turismo rural, assim como na abertura de mais espaços de restauração na cidade e no concelho. Acreditamos que a concretização do novo Aeroporto do Montijo vai dar um impulso significativo no turismo no nosso concelho e região.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.-A violência doméstica é um crime hediondo e é responsabilidade de cada um de nós combater este flagelo que, apesar de todas as medidas legislativas no sentido do agravamento da sua penalização, continua a persistir na nossa sociedade.
Nesta matéria, há largos anos que o Município do Montijo executa uma estratégia clara, que assenta na disponibilização do Espaço Informação Mulheres, que presta atendimento técnico, apoio social e psicológico a vítimas de violência doméstica e promove o encaminhamento para Casa Abrigo para Vítimas de Violência Doméstica, que existe no concelho do Montijo, numa parceria entre a Câmara Municipal e uma instituição local. Dinamizamos, também, desde 2005, a Rede de Apoio a Mulheres em Situação de Violência, em parceria com instituições locais e com os serviços centrais do Estado, que têm ação nesta matéria.
Regularmente promovemos ações de informação, formação e sensibilização nesta matéria tanto para os parceiros da Rede Social como para o público geral.
Portanto, como é visível, o Município do Montijo tem uma larga experiência no combate a este flagelo e na promoção de uma sociedade que respeite os direitos das mulheres.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-A Câmara Municipal do Montijo tem diversas medidas de apoio à população sénior e à população mais vulnerável do concelho. Temos 458 agregados familiares a habitar o parque de habitação social do município; temos assistentes sociais que articulam as questões mais prementes com outras entidades, como a Segurança Social.
Temos em funcionamento uma Loja Social onde a população mais vulnerável pode ir buscar vestuário e algum mobiliário; desenvolvemos projetos de envelhecimento ativo em todas as freguesias do concelho, procurando contribuir para o combate à exclusão e ao isolamento social dos idosos.
Em parceria com diversas instituições, que integram a nossa Rede Social, temos em funcionamento, em todo o concelho, o apoio alimentar à população economicamente mais frágil; temos uma Cantina Social também para apoio alimentar; entre outras medidas que procuram proporcionar melhores condições de vida aos nossos munícipes.
Aliás, a estreita colaboração com as instituições particulares de solidariedade social é um trabalho diário que passa pelo apoio financeiro a estas instituições, pela aquisição de equipamentos, de viaturas, entre outros.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.-Na nossa opinião, perante a crise sanitária da covid-19, as autoridades de saúde tiveram sempre uma resposta pronta, adequada, dinâmica, forte e compatível com os problemas que iam e vão surgindo ao longo deste processo.
Sendo este um problema mundial, naturalmente que se deparam com questões idênticas (como a escassez de equipamentos de proteção individual ou a dificuldade em adquirir ventiladores) a tantos outros países, mas souberam encontrar o caminho para solucionar esses e outros problemas.
Ao nível das recomendações à população em geral foram proativos e agiram em conformidade. De realçar que os portugueses têm sido extraordinários no cumprimento das medidas e orientações. Não sabemos o que poderá, ainda, estar por vir, mas acreditamos que o nosso sistema de saúde hoje está melhor preparado para conseguir dar uma resposta, ainda mais, eficaz e robusta.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.C.-Apesar do concelho do Montijo apresentar uma vasta área rural, com floresta e montado de sobro, não somos das zonas do país onde exista um risco elevado de incêndios florestais de grande dimensão, pelo que, tal como todos os anos, iremos tomar as medidas previstas na legislação em vigor de defesa da floresta contra incêndios.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-Sendo um concelho estrategicamente localizado, com vias de acesso a Lisboa, neste momento a nossa maior questão é a criação de emprego para que os nossos concidadãos não tenham apenas uma resposta residencial no Montijo, mas que tenham também mais respostas ao nível da empregabilidade. Contudo, não encaramos esta questão como um problema, mas sim como um desafio que nos propomos atingir: a criação de mais emprego, para fixar mais pessoas na terra, para que os montijenses possam cá viver, residir e trabalhar e, com isso, criarmos e estreitarmos laços de identidade local.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-Que somos um concelho estrategicamente localizado, com vias de acesso a todas as zonas do país. Um concelho onde existe margem de crescimento para negócios na área do turismo e restauração, devido à proximidade a Lisboa que se irá acentuar com a construção do novo aeroporto do Montijo. Um concelho com uma vasta zona rural, com solos de elevada qualidade para a exploração agrícola e agroindústria. Montijo apresenta-se como um concelho com identidade, com história, mas aberto ao futuro e ao progresso.
A nossa visão estratégica para o desenvolvimento económico do concelho do Montijo assenta justamente na importância do empreendedorismo, da inovação e da captação de investimento que permitirá criar mais e melhor emprego.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-Sim, temos protocolos com diversas instituições de ensino, sobretudo a nível de ensino superior, que nos dão o know-how académico necessário para a concretização de vários projetos e, simultaneamente, também nos permitem diversificar a oferta educativa aos nossos munícipes. Temos, por exemplo, em curso a revisão do Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo no Montijo com o Instituto Politécnico de Setúbal. Temos, igualmente, um Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta, que presta apoio a todos os estudantes do Montijo e da região de Setúbal que frequentam esta instituição de ensino superior à distância. Protocolámos, também, recentemente com o ISCTE para a oferta de conteúdos formativos na área da gestão autárquica e desenvolvimento local aos trabalhadores municipais, para o acolhimento de estágios, para a criação de uma bolsa de projetos de investigação e realização de consultoria.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-O Município do Montijo apresenta uma situação financeira de excelência no panorama das contas públicas autárquicas tanto no distrito como no país. São as contas em dia, o prazo de pagamento a fornecedores dos mais curtos do país (2/3dias) e a disponibilidade financeira municipal que nos permite manter a nossa política de investimento público e, simultaneamente, manter um nível de confiança dos empresários e empresas que investem e querem investir no Montijo.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-A Câmara Municipal do Montijo tem com as cinco juntas de freguesia do concelho uma relação de grande cooperação, proximidade e parceria. Temos como todas Acordos de Execução de Delegação de Competências, que não só se traduzem em transferências financeiras na ordem dos 760 mil euros no ano em curso, como implicam a alocação de trabalhadores municipais e viaturas ao serviço das juntas de freguesia.
Paralelamente, a estes Acordos de Execução que formalizam transferências na área da manutenção do espaço público, dos espaços verdes, pequenas reparações nas escolas, realizamos investimentos de forma direta no abastecimento de água, nas obras públicas, na educação, entre outros.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-Nestes tempos que vivemos é importante resistirmos ao medo, termos confiança na nossa democracia, nas nossas instituições democráticas e esperança que, juntos, vamos ultrapassar esta fase difícil.
A Câmara Municipal do Montijo está, todos os dias, a trabalhar em prol da sua população, para aumentar a qualidade de vida no nosso concelho e continuar o caminho de progresso e desenvolvimento para a nossa terra.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Votos de sucesso na importante missão de informar a opinião pública com rigor, seriedade e isenção.

Go top