Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro

Frederico Costa Rosa

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.C.-É uma oportunidade importante e fundamental para desenvolver a península e criar vias de acesso entre Barreiro/Montijo e Barreiro/Seixal, criar emprego e induzir o investimento. Daí a decisão de voto favorável, em reunião de Câmara, a favor da instalação do aeroporto do Montijo.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-Valorizamos e é por isso que temos como missão desenvolvê-lo. A título de exemplo, posso referir a aposta nos nossos mercados municipais que visam incentivar a um maior consumo da população nesses locais. Demos melhores condições de trabalho aos nossos pescadores ao requalificar a doca seca. Promovemos a nossa doçaria e gastronomia dentro e fora do concelho, dando como exemplo o último Concurso das 7 Maravilhas Doces de Portugal e promovemos o investimento e a isenção de taxas para quem quer investir em alojamento local para que possamos ter oferta de camas na cidade.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.-A violência doméstica é um crime público que deve ser denunciado por todos, pelo que todas as medidas tomadas que vão ao encontro de ajudar no combate a este flagelo, enraizado na nossa sociedade, são extremamente importantes e nunca serão demais.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-A autarquia tem várias linhas de apoio, não só de cariz social, mas também de programas da Universidade da Terceira Idade, assim como o programa“Mexe com a idade”,que promovem a interação e o contato com outras pessoas que, estando mais isoladas, acabam por conseguir socializar muito mais. No entanto, a grande medida para resolver esta realidade é trazer mais investimento e emprego para o Barreiro, porque só assim conseguimos manter no concelho a geração que aqui quer trabalhar e viver, que aqui se quer fixar e fazer o acompanhamento dos seus pais e filhos, conseguindo estabilizar a sua vida na sua terra.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.-As medidas tomadas pela DGS, como os números revelam,consideram-se eficientes e adequadas. Face a esta situação inesperada de pandemia, a reação e a resposta do país, como um todo, no geral, tem sido positiva.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.C.-A prevenção é a que temos feito, desde sempre, também reforçada ao longo dos anos e que tem a ver com um planeamento de todas as zonas de gestão de combustível e com uma grande interligação entre todas as entidades que, no Barreiro, compõem o socorro, a segurança e os serviços municipais de Proteção Civil, para que acima de tudo haja um planeamento, mais do que uma reação a um evento que aconteça.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.-O Barreiro é um concelho iminentemente urbano, pelo que a zona rural propicia a incêndios é mais reduzida. Contudo temos a Mata Nacional da Machada que é o pulmão verde da cidade e é a zona mais critica. Mas tem-se feito juntamente com o Instituto da Conservação da Natureza e com alguns programas europeus, que a Autarquia tem vindo a desenvolver há vários anos, ações preventivas o que faz com que há mais de 10 anos não tenhamos nenhum foco de incêndio naquela área. Até agora esta coordenação entre entidades do governo, entidades centrais e autarquia tem dado estes frutos.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-Dos vários problemas com os quais o concelho se debate, um dos fundamentais está relacionado com o envelhecimento da população e a quebra de emprego. Por isso, a nossa aposta em trazer para o Barreiro mais investimento que consiga gerar emprego para reter mais população ativa que aqui possa estabilizar e constituir família.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.-Todos os problemas precisam de intervenção porque o Barreiro é uma terra com um enorme potencial, com muitas zonas para reabilitar, requalificar e regenerar. Há muito espaço público que tem de ser colocado ao serviço das pessoas. É um trabalho hercúleo, mas nós estamos cá para o fazer.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-A mensagem é simples. O Barreiro é uma terra que tem uma grande dinâmica cultural e desportiva. É uma terra onde há qualidade de vida para se viver, que tem transportes públicos únicos, que tem uma ligação muito rápida a Lisboa. Ou seja, tem tudo isso, mas precisa deste caminho que estamos a percorrer de requalificação e de criar emprego. Para isso, são fundamentais projetos âncora não só a nível local, mas nacional, de investimento para a região.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-Temos vários protocolos assinados com diversas instituições nas mais variadas áreas. Posso recordar o último, neste âmbito de pandemia que vivemos, assinado com a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro (ESTB), em conjunto com algumas Escolas Secundárias do Concelho, para a produção de álcool gel que foi disponibilizado a todas as forças que estavam no terreno.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-A autarquia tem uma situação financeira extraordinariamente estável. Em 2018, bateu o record de sempre de receitas do município eem 2019 voltou a bater o record de receitas de 2018. Desde que chegámos à autarquia, cortámos quase para metade o prazo médio de pagamento a fornecedores, aumentando o investimento.Ou seja, atualmente diria que somos uma autarquia financeiramente estável, eficiente e com capacidade de investimento. Ainda assim, sem ilusões de gestão diária e futura na qual temos de trabalhar para continuar a manter estes resultados.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-O apoio prestado pela Câmara está vertido no protocolo de descentralização, recentemente atualizado, com a inclusão de mais 200 mil euros, para além de uma grande interligação que existe entre Juntas de Freguesia e Câmara, o apoio que se presta é em toda a linha, mas vertido neste documento e que este ano levou ao que há muito era ambicionado, mas nunca concretizado,e que foi este reforço de verbas.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-O Barreiro tem um caminho longo pela frente. Não há uma varinha mágica para resolver problemas de décadas, mas há uma grande convicção de que osvamos resolver um a um, vamos trazer investimento para o Concelho, vamos fazer obra para que o Barreiro seja uma cidade cada vez mais atrativa, cada vez mais competitiva e que num futuro próximo seja capaz de desenvolver o enorme potencial que tem para oferecer.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Embora não seja fácil, das 24 horas de cada dia tenho de fazer uma gestão, para que pareçam 48horas.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Continuem a dar voz a este elemento decisivo e fundamental na democracia portuguesa, que é o poder local, pela via dos municípios e autarquias, promovendo as nossas regiões e o desenvolvimento das nossas terras.

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