Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Salvaterra e Foros

Manuel Joaquim Bolieiro

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
PJ – Na nossa freguesia o setor primário é a atividade principal como fonte de receita para muitas famílias que ao longo de gerações subsistem economicamente da terra. No turismo, não sendo esta a principal fonte do desenvolvimento da freguesia, é um dos fatores de desenvolvimento do concelho de Salvaterra de Magos, que ganhou maior importância a 1 de Dezembro de 2016, quando a arte da Falcoaria em Portugal foi declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

J.A. - O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
PJ - A violência doméstica constitui, de fato, um fenómeno de longa data. As nossas sociedades estão repletas de inarráveis crueldades cometidas contra as crianças, as mulheres e outros membros da família. Geralmente a violência doméstica ocorre apenas em famílias ditas anómalas ou das classes com fracos recursos socioeconómicos; que é praticada por indivíduos com perturbações psíquicas ou com problemas aditivos. Em uma sociedade civilizada e democrática é intolerável a violência doméstica. O Governo, já aprovou um conjunto de medidas que visam reforçar as respostas para prevenir e combater a violência contra as mulheres e a violência doméstica.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
PJ - Os comportamentos delinquentes iniciam-se na primeira infância e vão se agravando com o passar dos anos, associando-se a outros comportamentos anti-sociais mais graves, podendo assumir padrões criminosos na fase adulta. São muitos os fatores que contribuem para a determinação e manutenção dos comportamentos desviantes. Entre eles, práticas parentais ineficazes, ausência de atenção dos pais, maus tratos, abusos físicos ou emocionais e exposição a ambiente social violento. A família e a escola estão no centro da problemática em torno desta delinquência. Esta centralidade da família e da escola nasce da nossa convicção de que a delinquência é produto da incapacidade dessas duas estruturas de socialização. Nas escolas, temos cada vez mais notícias de professores vítimas da violência por parte de crianças. A escola deve desempenhar um papel importante, não só na formação cultural dos alunos, como também na formação do seu comportamento moral e social, pois o envolvimento da criança e do adolescente em atividades saudáveis e que explorem suas habilidades cria condições para o fortalecimento de sua autoestima, autoconfiança, autocontrole e vínculo com o próximo. Às vezes, mais que punir o que é errado, é preciso valorizar o certo, para que as crianças desenvolvam e aperfeiçoem condutas de civilidade.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
PJ - A violência gratuita parece ser uma daquelas ofertas que constantemente aparecem na internet e que se podem ganhar facilmente, bastando para isso clicar no botão. A violência está a atingir índices inaceitáveis e a grande dificuldade em se pôr um fim a esse mal. Na base desta violência estão sempre os mesmos problemas, socioeconómicos e familiares. Será um problema que só o alterar das leis penais poderá ajudar a resolver.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
PJ - Estamos muito atentos a esta grande realidade, que nos preocupa bastante, sobretudo nos casos em que sejam mais evidentes situações de pobreza e solidão, ou seja, seguimos as nossas políticas de proximidade, procurando acompanhar mais de perto todas as situações de risco. A Junta de Freguesia trabalha em rede com a Rede Social que está instalada no Concelho de Salvaterra de Magos, onde procuramos dar respostas. Fazemos ainda programas específicos em parceria com a câmara municipal na organização de momentos de convívio, viagens de âmbito cultural, apoio e encaminhamento para realização de Cartão 65 que tem benefícios e descontos em alguns serviços.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID19?
PJ – Penso que o governo tem acompanhado bem todo este processo, com medidas difíceis, mas adequadas a situação que se vive, onde todos somos chamados a dar o nosso melhor e ao nosso sentido de responsabilidade, para ultrapassarmos esta difícil doença que a todos aflige.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
PJ – Portugal viveu momentos muito críticos devido a esta situação pandémica para o qual não estava preparada. Mas penso que o governo acompanhou com êxito todo o processo de vacinação em Portugal, tomando medidas difíceis mas necessárias e adequadas à situação que se viveu e se vive. Os esforços para inocular a população foram muitos, por isso, não podemos esquecer a importância da articulação entre as Forças Armadas e O Ministério da Saúde

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
PJ – Na nossa freguesia o que se passou, foi o mesmo que se passou por todo o país. A pandemia apanhou-nos a todos de surpresa e na verdade, ninguém estava preparado para uma situação como esta, o pânico instalou-se nas pessoas, viram a sua liberdade condicionada, as escolas a encerrar, as igrejas fecharam, sendo de uma vital importância estes lugares de culto para a comunhão e confraternização uns com os outros.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J. - Do Governo não tivemos qualquer apoio. A Junta em parceria com outras entidades disponibilizámos um serviço para compras no supermercado, farmácias e tudo o que as pessoas necessitassem para não terem que se deslocar, salvaguardando assim a sua segurança.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
PJ – Um dos maiores problemas é o envelhecimento da população, agregado ao êxodo da população mais jovem, que partem à procura de condições melhores. Outro grande problema é a falta de pessoal para o serviço geral, abrimos concursos, e no entanto acabam por se fechar por falta de candidatos e, a escassez de meios económicos para um desenvolvimento sustentável. A falta de habitação social municipal, e também privada, para arrendamento, tudo isto são situações com que nos debatemos diariamente.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
PJ – A rede viária, continua ser um problema atual, com necessidades de intervenção urgente a todos os níveis. Precisamos de melhor ainda mais a mobilidade nas suas diferentes vertentes, nomeadamente, na construção de passeios com mais espaço e que permitam maior segurança aos peões e adaptar para as pessoas que se deslocam em cadeira de rodas. Outro grande problema com que nos debatemos é a falta de saneamento básico em muitos locais da freguesia e essencialmente a falta de recursos financeiros.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
PJ – Num momento em que a economia mundial se encontra em desaceleração e a atual pandemia veio contribuir para o agravamento das previsões económicos, antevendo-se uma expectável recessão, penso que o futuro não se avizinha nada de risonho. Creio que não podemos desanimar, temos de continuar a trabalhar para criar condições para garantir o melhor para as populações

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
PJ – A beleza existente neste Concelho e a qualidade de vida que os cidadãos aqui usufruem é algo maravilhoso, somos uma freguesia com uma cultura e uma identidade muito próprias, que muito nos orgulham, dispomos de uma grande hospitalidade, de tradições, e de bons costumes, existe segurança, enfim, temos uma excelente localização geográfica e de fácil acessibilidade, pois desfruta de uma posição privilegiada, com a A13, que atualmente, consiste em dois troços separados entre si:  Marateca – Almeirim — troço que estabelece a ligação natural entre o Sul de Portugal (Alentejo e Algarve) e as regiões a norte de Lisboa, interligando a A2 — Autoestrada do Sul e a A6 — Autoestrada do Alentejo, na Marateca, à A1 — Autoestrada do Norte, em Almeirim/Santarém. Estes são alguns aspetos para que se invista na freguesia, precisamos é de investidores que queiram investir aqui. Sendo a Câmara Municipal, o nosso maior parceiro, tento sempre de alguma forma expor os problemas mais sérios e urgentes a resolver. Tentamos de alguma forma fazer um excelente trabalho para o desenvolvimento da freguesia e sempre em prol do bem-estar da nossa população.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
PJ – A situação da freguesia em termos financeiros é estável, os nossos orçamentos são realistas e com um bom grau de execução. É certo de que não dispomos de grandes verbas para fazermos grandes obras e investimento e o prazo médio de pagamento aos fornecedores é inferior a 30 dias.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
PJ – A Junta de Freguesia recebe apoio da Câmara Municipal através do Protocolo de Delegação de Competências e quando necessitamos de adquirir viaturas ou realizar obras de maior investimento, através de vários protocolos de cooperação temos contado sempre com o apoio incondicional da Câmara Municipal.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
PJ – Entendo que as juntas de freguesia são, atualmente, o impulsor de desenvolvimento do atual modelo político, a força do poder local desempenhando um papel preponderante à população que cada um representa. O meu compromisso é o que tenho afirmado em todos os momentos, continuar a fazer desta jornada um caminho para o futuro, com mais progresso, mais responsabilidade, mais exigência connosco e com os outros. Continuar a fazer de Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra o território onde as pessoas se sentem bem e querem continuar a crescer. E isto só é possível fazer com o envolvimento de todos e juntos vamos conseguir.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
PJ – Nem sempre é tarefa fácil, pois esta é uma função que absorve muito de nós a favor do serviço público e da comunidade, trata-se de um equilíbrio difícil de gerir, mas a família entende perfeitamente as funções inerentes de ser Presidente de Junta e as limitações que por vezes existem, mas é na família que encontre todo o apoio e estabilidade para a prossecução das minhas tarefas. Nunca a família fica para segundo plano.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
PJ – O Jornal das Autarquias é fundamental para a divulgação de um trabalho ao qual nem sempre é dado o devido valor, é uma forma de divulgar todo o nosso trabalho em favor da nossa comunidade e de mostrar as dificuldades que os autarcas enfrentam para a concretização de projetos.

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