Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Entroncamento

Jorge Manuel Alves de  Faria

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.- O concelho do Entroncamento caracteriza-se por ser um concelho urbano, com um setor primário de reduzida significância. Olhando para a população empregada do concelho destaca-se positivamente a percentagem mais baixa da população empregada no setor primário, assim como uma proporção mais elevada de trabalhadores por conta de outrem, com qualificações elevadas, nos setores secundário e terciário (destaque para os serviços).
O Turismo no Entroncamento pretende valorizar a “cidade dos comboios” através do Museu Nacional Ferroviário, explorando a proximidade com a capital e a centralidade nacional. Na cidade é possível deslocarmo-nos a pé, de bicicleta (ciclovias) e utilizar os transportes urbanos para apreciar a paisagem natural junto ao Parque do Bonito, e o património cultural edificado, seja o património religioso seja o industrial, com os bairros ferroviários atualmente em requalificação lembrando a origem da cidade industrial com a sua cintura habitacional.
No âmbito gastronómico, num roteiro alargado de restaurantes locais, pode-se desfrutar de pratos de peixe e carne com influência da sua população heterogénea, das migas de bacalhau, às açordas .
Os Fenómenos do Entroncamento noticiados por Eduardo O. P. Brito, na década de 50 do séc. XX, são também uma marca de referência da cidade, desde a arte urbana, merchandising, bem como através da música, “Estranhos Bizarros Gigantes (Fenómenos do Entroncamento)”, canção inédita, assinada por Pedro Dionísio, e que resultou da colaboração entre jovens artistas locais, envolvendo as associações e clubes da cidade.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.- A Violência Doméstica é um tema que sempre fez parte da agenda de prioridades da Autarquia do Entroncamento, estando em consonância com as medidas recentemente tomadas e emanadas pela CIG. Nesse âmbito, no ano de 2020, o Município do Entroncamento criou a estrutura “ Espaço M”, sendo um serviço de apoio e atendimento às vítimas de violência doméstica e de género. A sua implementação foi realizada no âmbito do Projeto Maria – Estratégia Integrada de Intervenção na área da Violência Doméstica e de Género no Médio Tejo, que visa uma resposta intermunicipal e integrada para a problemática da violência doméstica e de género, abrangendo os 13 municípios da região. Este serviço presta apoio psicológico e social às vítimas de violência doméstica e de género, em estreita coordenação com a Polícia de Segurança Pública e demais entidades que operam no âmbito social, promovendo a articulação necessária a um eficaz atendimento, apoio, encaminhamento e acompanhamento, contribuindo para a consolidação das respostas municipais e intermunicipais no combate a este flagelo social, o reforço da sensibilização e da informação. À data presente, a Estrutura “ Espaço M-Entroncamento” encontra-se em processo de certificação pela CIG (Comissão para a Igualdade do Género).

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.- Tem sido uma preocupação da Autarquia desenvolver projetos e programas neste âmbito, tendo como finalidade combater a solidão e o isolamento social, contribuindo ainda para a melhoria das condições de vida dos nossos idosos. Têm sido atribuídos benefícios a vários níveis, nomeadamente através do Cartão Municipal do Idoso, Programa Entroncamento Solidário para realização de pequenas obras nos domicílios, tarifa do idoso ao nível da redução do valor da fatura da água, redução no passe sénior mensal do TURE (transporte urbano). Possui ainda um Centro de Convívio da Terceira Idade e desenvolve ao longo do ano atividades ligadas ao programa municipal “ Viver + Ativo”, com o objetivo de promover o bem-estar físico e psicológico desta população.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.C.- O plano de desconfinamento anunciado e em vigor, desde 01 de outubro, não é o plano perfeito, mas um plano adequado à evolução da pandemia no país. Um plano que se quis ponderado, que permita a gestão cautelosa da pandemia, mas que busca com realismo algum regresso à vida social e laboral, restaurando parte da saúde económica e mental que tanto se fragilizaram no último ano.
O Outono e sobretudo o Inverno que se aproximam representam novos desafios. Poderemos vir a entrar numa nova fase da pandemia, muito associada a outros vírus e infeções. Mas, se por um lado a esperança é legítima e imprescindível, a única certeza é a necessidade de nos mantermos diligentes, coesos e sobretudo muito atentos à evolução nacional e global.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.C.- Devido às diversas medidas adotadas pelo Município do Entroncamento e ao desenvolvimento de um excelente trabalho em Rede, com a preciosa colaboração de todos os parceiros sociais tem sido possível responder afirmativamente a todas as solicitações.
Em período de Pandemia, o Município do Entroncamento colocou em funcionamento, desde de março de 2020, uma Linha de Apoio Social de Emergência COVID-19, para apoiar toda a população em situação de maior vulnerabilidade. A linha de emergência social funcionou todos os dias da semana, 24 horas por dia. Esta linha, em parceria com o Projeto “ Em Proxim’idade” do CERE, teve como finalidade apoiar munícipes em situação de maior vulnerabilidade, tendo desenvolvido ações no terreno com uma equipa multidisciplinar, ao nível da monotorização e acompanhamento das situações, em plena articulação com os parceiros locais que integram o CLASE, (Conselho Local de Ação Social do Entroncamento).Todas as situações sinalizadas foram devidamente avaliadas e encaminhadas para prestação de apoio ao nível de refeições, aquisição de bens alimentares, medicamentos e apoio psicossocial, articulando ainda a sua intervenção com a Autoridade de Saúde Local.
De referir ainda que durante estes meses de pandemia tem sido uma preocupação da autarquia dar resposta às necessidades mais prementes dos munícipes, sendo importante salientar que o município tem realizado contatos telefónicos com os idosos portadores do Cartão Municipal do Idoso (Universo de 1900 utentes), com os utentes do Centro de Convívio da Terceira Idade através das “visitas” à distância com o programa “ Alô estou aqui”, tendo como objetivo primordial combater o isolamento e a solidão.
Ainda no âmbito do Apoio a famílias em situação de vulnerabilidade e em continuidade ao apoio já prestado em 2020, procedeu-se ao reforço da verba no valor de 20 mil euros para aquisição de cabazes de bens alimentares para fazer face a novas famílias em situação de vulnerabilidade.
Prestou ainda apoio ao CERE – Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento, no pagamento do custo do fornecimento géneros e das refeições aos cidadãos em situação de vulnerabilidade, na parte não coberta pelos próprios ou pela Segurança Social. No que se refere a medidas de apoio à habitação, as rendas de Habitação Social devidas nos meses de março, abril, maio e junho de 2020, para famílias com dificuldades no seu pagamento dentro dos prazos definidos, tiveram a possibilidade de solicitar o seu pagamento em 12 prestações de igual valor sem juros, com início do pagamento da 1ª prestação em setembro de 2020.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.- Reconhecendo o papel fundamental e insubstituível que as autarquias locais têm desempenhado na resposta à emergência social e sanitária provocada pela pandemia, o Governo decidiu afetar de forma integral o montante do FSUE aos municípios portugueses, comparticipando as despesas que estes tiveram com o combate à Covid-19.
São exemplos de despesas elegíveis a compra de equipamentos de proteção individual, designadamente máscaras, luvas e batas; instalação de hospitais de campanha e outras infraestruturas de proteção civil; testes, outras análises laboratoriais e outros meios de diagnóstico.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.C.- As vacinas têm sido a “maior arma” contra a covid-19, Portugal está no bom caminho para vacinar toda a população. À presente data temos 86,82% dos portugueses já completamente vacinados, sendo o 12.º país com a maior taxa de doses administradas por 100 habitantes do mundo. Face ao exposto considera-se que Portugal tem sido um exemplo de boas práticas no âmbito da vacinação Covid-19.

J.A.- Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.- A gestão de um território carece de um plano integrado e estruturado, com prioridades e objetivos bem definidos. Temos hoje um município mais moderno, economicamente mais atrativo, competitivo, tecnológico e sustentável. Existe uma clara aposta em todas as áreas suscetíveis de garantirem o desenvolvimento e atratividade do concelho.
Estamos confortáveis nas concretizações, mas não conformados, pois o Entroncamento exige ainda mais e nunca deixamos de ambicionar concluir o trabalho que já está no terreno para concretizar projetos que permitirão ousar novos voos para o concelho.
Continuamos com o foco na atração de investimento, na criação de melhores condições de vida, na integração e inclusão de todos, no respeito pela diversidade, mas também pela segurança e coesão social, sempre com o desígnio de Entroncamento “Uma Cidade para as Pessoas”.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.- Continuar o investimento e reforço na coesão social, habitação e educação, com vista à integração e inclusão de todos, numa cidade segura e sustentável (e inteligente) em que todos os cidadãos têm direitos e deveres e devem participar de forma ativa e construtiva.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.- O Município do Entroncamento apresenta uma centralidade geográfica com excelentes acessos rodoviários e ferroviários aos grandes centros urbanos nacionais, assim como internacionais,
Em termos demográficos apresenta uma estrutura etária de população jovem e qualificada e com elevado know how técnico e tecnológico;
Possui bons equipamentos de saúde, educação e formação, desporto e lazer;
Apresenta, em termos médios, elevado poder de compra, condições de vida e bem-estar;
Em termos de dinâmica económica, apresenta um atrativo Sistema de incentivos ao investimento e vantagens competitivas intrínsecas à excelente centralidade geográfica, mobilidade, características demográficas e educacionais, associadas a uma visão municipal de captação de investimento, empreendorismo e conhecimento.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.- Uma das prioridades da nossa atuação, tem sido e continuará a ser, o investimento na Educação e disseminação do conhecimento e empreendorismo. Neste sentido, para além das parcerias e protocolos existente com o Agrupamento Escolas Cidade do Entroncamento (rede pública), temos parcerias e protocolos com as escolas privadas do concelho, assim como com a Escola Profissional Gustave Eiffel (ensino profissional).
Ao nível do ensino superior, possuímos protocolos com várias Universidades e Institutos Politécnicos.
Em 2021, o Município do Entroncamento aderiu à Rede Internacional das Cidades Educadoras.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.- A situação financeira da Autarquia é equilibrada, tendo sido um objetivo estratégico deste Executivo a redução da enorme dívida herdada em 2013.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.- No âmbito do Acordo de execução existente, a câmara presta apoio logístico, técnico, jurídico e de recursos humanos.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.- Reconhecemos o valor e o mérito de quem vive na nossa CIDADE, as suas competências e talentos e pretendemos, cada vez mais, dar-lhes voz e expressão, projetar o futuro com elas.
Reconhecemos o valor e o mérito das entidades e empresas da nossa CIDADE, do seu potencial empresarial, de inovação e transformação e pretendemos, cada vez mais, potenciar e alavancar o seu crescimento, desenvolvimento sustentável e sucesso.
A qualidade de vida, a saúde, educação, coesão social, cultura, sustentabilidade ambiental, transição digital, inovação e defesa do património, desenvolvimento económico, emprego e empreendorismo, são fatores estratégicos e prioridades politicas para o nosso concelho/cidade.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.- Com o máximo equilíbrio possível, sem colocar em causa as exigências pessoais e familiares, assim como as da missão e responsabilidade que o cargo exige e a comunidade a que presido necessita.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.- O Poder Local está na base de uma sociedade mais democrática, educativa e participativa, mais coesa, com melhores condições de vida e bem-estar, economicamente mais desenvolvida e projetada para o futuro.
Agradeço ao Jornal das Autarquias esta entrevista e o trabalho desenvolvido para “dar voz” e divulgar o muito que se tem feito nos Municípios em prol dos bem-estar das populações e desenvolvimento dos territórios.

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