Entrevista do Presidente da União de Freguesias de
São João Batista e Santa Maria dos Olivais - Tomar

Augusto Barros

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.U.F.- Penso que a construção do aeroporto/Montijo ou qualquer outra localização já deveria estar em marcha porque o ontem já era tarde. Por exemplo, na nesta região, existe uma pista de aviação (Tancos) que se encontra desativada e que poderia estar neste momento ao serviço de low-cost ou como terminal de carga aérea dado que, esta pista se encontra bem servida de transportes ferroviários e rodoviários.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.U.F.- O setor primário tem ao longo desta última década decrescido por força do encerramento das indústrias na freguesia e do concelho. Porém com o desenvolvimento do Turismo em que a nossa freguesia é riquíssima notamos alguma melhoria particularmente no setor hoteleiro. No entanto, uma região não pode viver exclusivamente de turismo e por essa razão há que recuperar algum tecido industrial no concelho.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.U.F.- A violência doméstica é na verdade um flagelo que atravessa a sociedade atual. Penso que, muitas vezes, as pessoas ou a lei são demasiado lentas a agir e, dessa forma a gravidade dos problemas adensam-se. Por essa razão penso que se a denúncia e a lei fossem mais céleres não existiriam os graves problemas que nos assolam todos os dias através de conhecimento pessoal ou informativo.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.U.F.- A junta de freguesia está particularmente sensível a este tema e tem de forma muito concreta desde que assumiu funções, desenvolvidas ações para ajudar a formar e alertar os jovens destes atos, contribuindo, na justa medida das suas capacidades, com a realização de colóquios ou peças de teatro, proporcionando assim um melhor conhecimento dos perigos que envolvem a delinquência infantil.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.U.F.- Penso que a violência gratuita é transversal a toda a sociedade atual quer jovens ou menos jovens, pois que na vida presente os valores sociais sobrepõem-se aos valores humanos. Nas nossas escolas fazem-se com regularidade sessões sobre bulling para ajudar a minimizar este problema.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.U.F.- Fazemos parte de um “burgo” onde a população mais idosa tanto trabalhou para ajudar os seus e o país, para terem uma vida melhor, e confrontam-se hoje com os problemas que a sociedade lhes impõe. No que se refere ao apoio dado por esta freguesia, estamos na linha da frente ao lado dos mais fragilizados e de acordo com os parcos recursos financeiros, apoiamos com bens alimentares, transporte e acompanhamento a consultas médicas, aquisição de remédios, pagamento de rendas, e, em tudo aquilo que se julgue de primeira necessidade.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.U.F.- Penso que o mundo não estava preparado para enfrentar esta “guerra química”, mas sob a batuta da DGS os valorosos médicos(as), enfermeiras(os), assistentes técnicos da área da saúde têm desenvolvido um trabalho incessante e louvável para tentar aniquilar este horrível COVID-19.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.U.F.- A chegada do Verão, para além dos problemas que já existem, podem agravar-se com os incêndios que anualmente nos assolam durante aquela época e por essa razão é necessário que o Governo tome medidas severas para minimizar os efeitos colaterais quer nos incêndios quer no COVID-19. Também é necessário que todos e cada um dê o seu contributo, seguindo nesta fase as recomendações emanadas dos múltiplos organismos públicos.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.U.F.- A Junta de freguesia não tem recebido apoios governamentais, mas tem vindo através de outras instituições, e neste campo o Serviço Nacional de Saúde não tem estado mal; a Câmara Municipal de Tomar numa missão mais abrangente está a cumprir; a junta de freguesia através da Comissão Social de Freguesia tem fornecido transportes diários e feito entrega de refeições para as crianças mais afastadas da escola central, assim como cabazes alimentares a famílias desprotegidas e assinaladas.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.U.F.- Neste momento, é não conseguirmos totalmente acudir na área social, quer por falta de recursos financeiros quer porque as pessoas mais fragilizadas não recorrem ao nosso apoio e por essa razão não temos, às vezes, conhecimento de problemas mais graves. Esta é a nossa maior preocupação.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.- Um dos problemas mais graves com que nos confrontamos na freguesia é a falta de saneamento básico quer na cidade quer em lugares da freguesia com elevado nível populacional sendo esta uma das maiores freguesias do distrito, isto é, na verdade problemático.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.U.F.- Na minha perspectiva, nada será como dantes e, como tal irá sofrer as modificações que o tempo lhe irá impor, mas, esperançados que com uma dinâmica bem estruturada, iremos conseguir dotar a freguesia dos meios e espaços atrativos ao bem-estar de todos.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.U.F.- Levo sempre uma palavra de estímulo para que continuemos na nossa “missão” de tudo fazer para que os nossos fregueses sintam gosto em nela residir. Para isso, temos desenvolvido ao longo do ano, atividades para a população jovem e menos jovem em pareceria com a Câmara Municipal e outras entidades públicas e privadas. Penso ser uma riqueza viver e investir nesta freguesia que tem tudo de bom, com as suas raízes históricas de património mundial. É também uma cidade acolhedora e que recebe bem quem nos visita.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.U.F.- A situação financeira das freguesias que vivem quase em exclusivo das verbas do Estado e Câmara Municipal tem que ser muito equilibrada para dar resposta aos problemas desta malha urbana e campo quer nas estruturas necessárias e manutenção da área da freguesia, bem como no apoio às áreas social e educativa.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.U.F.- Temos tido uma ótima relação Junta de Freguesia/Câmara, sei que somos onze freguesias, mas nós muitas vezes devíamos ser tratados de outra forma, porque penso que não devíamos tratar coisas diferentes de modo igual e é aqui que, por vezes, discordamos.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.U.F.- Quero transmitir a todos os habitantes da “Mega” freguesia de São João Baptista (Tomar) e Santa Maria dos Olivais, que esta equipa que está à frente dos destinos da mesma, não vai baixar os braços por causa da pandemia. Com mais coragem, iremos abraçar os projetos que estão em marcha e que nos apoiem com críticas construtivas.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.- É muito difícil, pois quando se assume a responsabilidade de autarca, por vezes a família passa a segundo plano por força das exigências do cargo. Mas também é na família que nos momentos menos bons nos apoiamos e saímos mais fortalecidos.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.- Peço que o Jornal das Autarquias seja mais interventivo na divulgação das fragilidades das freguesias no sentido de as unir e as tornar mais fortes.


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