Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Santarém

Ricardo Gonçalves Ribeiro Gonçalves

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.C.-É essencial que a questão do aeroporto não se eternize, não existe soluções perfeitas e o fator tempo é crucial. Vejamos que o Turismo tem sido um importante impulsionador do crescimento nacional, não se compreenderia que passadas as contingências impostas pela pandemia, não existisse um plano concertado de reabilitação económica, que necessariamente terá de contemplar a questão do novo aeroporto internacional.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-A Agricultura é um importante motor de desenvolvimento para o nosso concelho desde tempos imemoriais, a proximidade ao Rio Tejo e a lezíria assim o permitem. Essa mesma proximidade e beleza natural associada potencia um turismo cada vez mais significativo em Santarém, onde encontra uma oferta rica em monumentos e igrejas de estilo gótico, o túmulo de Pedro Alvares Cabral ou um Complexo Aquático de referência, para não ser demasiado exaustivo. Santarém tem muito para oferecer, quer seja para viver, visitar ou investir.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C.-Santarém sempre teve um particular cuidado com as questões de âmbito social. Temos o conselho local de ação social (CLAS), que assegura respostas coordenadas e eficientes entre entidades, garantindo uma resposta capaz a este tipo de ocorrência. Este Conselho foi constituído no ano 2000 e integra na presente data 118 parceiros. Especificamente na questão da violência doméstica, temos o Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém que assenta no Plano Municipal de Ação para prevenção e o Combate à Violência contra Mulheres e à Violência Doméstica da CMS. Para esta questão a parceria está protocolada com a APAV, com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), e ainda um acordo de Parceria com o Instituto Politécnico de Santarém (IPS).
A legislação, quando bem aplicada, permite uma intervenção assertiva e eficaz. Assim como as medidas, que sempre que resultem em maior proteção e capacitação das vítimas e maior sensibilização da comunidade, são medidas positivas.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-Os seniores são para nós um valor maior. Grande parte do nosso esforço, na vertente social, é dirigido à garantia da qualidade de vida desta faixa etária (envelhecimento ativo), bem como à sua valorização entre os mais novos. O município possui uma série de medidas que promovem os dois grandes focos de ação: Rede Social – Trabalho em rede com as entidades; a Universidade Sénior (UTIS), O Passeio dos Avós em parceria com as Juntas de Freguesia; o programa de apoio na aquisição de medicamentos (ABEM); a Teleassistência - Serviço de Teleassistência Domiciliária; o Cartão Sénior Municipal
- apoia os idosos na redução de valor na aquisição de bens e sensibiliza o setor privado para a responsabilidade social e participação cívica solidária; O Mobi.Sénior - um transporte gratuito para a população sénior. A autarquia possui um regulamento de apoio às IPSS disponível no website do município.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.C.-Não me cabe comentar a natureza técnica das medidas da DGS, deixo apenas um reparo às contradições constantes, que em nada facilitam o trabalho dos eleitos locais, gerando confusão e insegurança na população.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.C.-Nós possuímos um plano operacional de combate a incêndios que aprovamos em comissão municipal e colocamos em prática anualmente, este ano não será diferente, com vista a assegurar a proteção de todo o concelho.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.-Os apoios no âmbito da proteção civil são claramente insuficientes, a resposta que o município julga necessária para a segurança de pessoas e bens, garantindo a operacionalidade de todos os agentes de proteção civil, nomeadamente os corpos de bombeiros voluntários, é claramente superior aos apoios estatais, anualmente é afeta uma importante parte do orçamento municipal de forma a garantir a adequação da resposta.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-Santarém está a crescer e o foco tem de estar nas oportunidades e não nos problemas, crescemos mais que a média nacional, temos boas escolas, boa saúde, bons acessos e uma localização central no território nacional.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.-Necessitamos de potenciar a nossa linha de caminho de ferro, a importante Linha do Norte, que aguarda uma renovação há largos anos. Necessitamos de um projeto ambicioso que resolva o problema da cunha de salinização no Tejo e garanta uma fonte de água para as nossas lezírias. Necessitamos de investimento público do estado central que nos permita continuar a manter este rumo de crescimento, minimizando os efeitos da pandemia.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-Os indicadores económicos são claros e a melhor mensagem para um qualquer investidor são os factos. Santarém está a crescer e vai continuar a crescer mais que a média nacional.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-Todos os protocolos estão disponíveis para consulta no nosso site, numa importante medida de transparência e informação. Ainda assim, saliento o protocolo com o Instituto Politécnico de Santarém, com vista à literacia digital.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-A autarquia está estável financeiramente, de contas certas e com um prazo médio de pagamento inferior a uma semana.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-A colaboração com as Juntas de Freguesia é total, respeitando a autonomia dos poderes locais, mas certos que apenas em conjunto poderemos melhor servir o munícipe.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-Para serem positivos e acreditarem que com o trabalho e empenho de todos, superaremos esta pandemia e a crise económica que se seguirá, já ultrapassamos desafios complexos no passado e certamente ultrapassaremos este com distinção.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Com esforço e algum sacrifício pessoal, não é fácil, mas com uma boa organização e gestão do tempo é possível.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Continuem com o vosso trabalho que em muito valoriza as autarquias e assegura uma melhor compreensão do que é o verdadeiro trabalho autárquico.

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