Entrevista do Presidente da União de Freguesia de S. Mamede de Infesta e Senhora da Hora

Leonardo Moreira Fernandes

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.U.F.-Eu e todo o meu Executivo, valorizamos não só o setor primário e o turismo, como setor secundário e terciário. Trabalhamos, diariamente, para valorizar todos/as os/as que trabalham na nossa União das Freguesias, pois é nossa convicção que a “União faz a força” e se todos/as tiverem os seus postos de trabalho seguros, todos/as sairemos vencedores/as.

J.A - O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.U.F.-A violência contra as mulheres e a violência doméstica são das formas mais gravosas de discriminação das mulheres em razão do seu sexo, reflexo de persistentes estereótipos de género e de relações de poder desiguais. Um dos objetivos consagrados no programa do XXII Governo Constitucional é o de combater todas as formas de violência, em particular contra as mulheres, e travar o flagelo da violência doméstica.
Deste modo, a 26 de novembro de 2020, saiu o Decreto-Lei nº101/2020, que tem por base a criação de uma licença especial para reestruturação familiar e do respetivo subsídio, no âmbito do crime de violência doméstica. A medida é um passo muito importante para que estas vítimas se sintam mais seguras e confiantes na altura que decidem deixar o/a agressor/a para trás.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.U.F.-O meio escolar é um ambiente do qual tenho um profundo conhecimento porque fui professor durante dezanove anos e fiz, também, parte da Direção de um Agrupamento de Escolas de Matosinhos, o Agrupamento de Escolas de Irmãos Passos. Portanto, conheço bem todos os meandros da Comunidade Educativa. Deste modo, tenho uma opinião um pouco diferente da sua. Não sinto, pelo menos em Matosinhos, que a delinquência infantil esteja a aumentar, até pelo contrário. Lembro-me que, há uns anos atrás, a Escola Segura ia, quase diariamente à minha escola por desacatos e abuso de algumas substâncias ilícitas. Hoje em dia, os Srs. e Sras. Agentes só vão à escola para dar as suas ações de formação aos/às nossos/as alunos/as. Um dos motivos pelos quais sinto este decréscimo de violência tem que ver com o forte investimento por parte da Autarquia de Matosinhos na contratação de vários/as Técnicos/as Especializados/as que os/as distribuiu por todos os Estabelecimentos de Ensino. Estes/as, juntamente com a Rede Social de Matosinhos, sinalizam precocemente todas as situações de risco e encaminham, quando necessário, as crianças e/ou jovens para as estruturas de apoio.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.U.F.-Penso que essa violência gratuita poderá ser fruto de alguma instabilidade que esta Pandemia veio trazer a todos/as nós associada a alguns valores distorcidos de uma pequena franja da nossa sociedade. É urgente tomarem-se medidas sérias para controlar estes “focos incendiários”.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.U.F.-A autarquia de Matosinhos é uma das Autarquias mais desenvolvidas a nível nacional no que concerne a medidas sociais. A nossa Presidente, Dra. Luísa Salgueiro, e a sua equipa de ação social são responsáveis por variadíssimas respostas sociais para a terceira idade. Nomeadamente: temos várias respostas com diferentes valências (Estruturas Residenciais para pessoas idosos/as, Centros de Dia, Universidades Séniores, Serviço de Assistência Domiciliária, Serviço de Apoio Domiciliário, Serviço de pequenas reparações nas habitações dos/as nossos/as idosos/as, etc.

J.A. - O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.U.F.-Sob o meu ponto de vista, o nosso Governo, na pessoa do nosso Primeiro Ministro, Drº António Costa, e da nossa Ministra da Saúde, Drª Marta Temido, têm sido incansáveis e de tudo têm feito para tentar conter um “monstro” desconhecido. Nunca nenhum/a governante, pensou ou sonhou ter de passar por tamanha provação. Este nosso inimigo é invisível e ainda sabemos pouco sobre ele, pelo que eles têm dado o seu melhor para o combater. Penso que, se o Governo tivesse a ajuda de todos/as nós, no que respeita ao rigoroso cumprimento das regras da Direção Geral de Saúde a situação do nosso País estaria bem melhor.

J.A. - Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona
P.U.F.-Infelizmente, a União das Freguesias de São Mamede de Infesta e da Sra da Hora, União essa que presido com muito orgulho, não fugiu à regra. O desemprego aumentou e os nossos cerca de 1000 estabelecimentos comerciais passam, também, por algumas dificuldades. A Autarquia no cumprimento rigoroso das suas políticas sociais está atenta e tenta minimizar estes prejuízos. São bem conhecidas as medidas de apoio à restauração, na qual a Câmara se compromete a pagar o transporte da refeição até à casa das pessoas, a linha que criou de apoio ao isolamento e a linha de emergência social, que prestam apoio direto e indireto à população.

J.A. - Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.U.F.-Nós, em estreita colaboração com a Câmara Municipal de Matosinhos, prestamos apoio a todas as vítimas da pandemia, desde que devidamente sinalizadas pelos/as técnicos/as destacados para avaliar a necessidade deste apoio. O apoio pode passar pela atribuição de cabazes quinzenais de alimentos e/ou higiene, transporte de refeições, medicamentos, etc.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate
P.U.F.-Um dos maiores problemas da nossa União, são o ambiente, habitação, a limpeza da via pública, pavimentação de passeios e estradas. Infelizmente, estes problemas não dependem da União para a sua resolução pois não são da nossa Delegação de Competências. São competência da Câmara Municipal. Sempre que sinalizamos um problema destas áreas de intervenção pugnamos junto desta Entidade para que atue da forma mais célere quanto possível.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.-Esta questão já foi respondida na pergunta anterior.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.U.F.-Pretendo que seja concretizada a descentralização de competências, que vai entrar em vigor agora no próximo ano, de forma a conseguir dar resposta de uma forma mais célere a todas as questões que mencionei anteriormente.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.U.F.-A situação financeira da nossa União das Freguesias é uma situação financeira equilibrada. A gestão séria dos dinheiros públicos é um dos nossos lemas e uma das nossas bandeiras políticas. Todo o investimento que temos vindo a fazer, durante o nosso mandato, foi devidamente pensado e estudado ao cêntimo.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.U.F.-Como já referi anteriormente, trabalho em estreita colaboração com a Sra Presidente da Câmara e todo o seu executivo. Reunimos, quase semanalmente, e debatemos várias questões e tenho tido a sorte de ter sempre a Câmara ao lado da minha União.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.U.F.-Nesta época tão especial, mas ao mesmo tempo de incerteza devido à crise pandémica, a mensagem que gostaria de transmitir a todos e todas os/as fregueses e freguesas é uma mensagem de paz e tranquilidade. Sabemos que o COVID ainda nos vai acompanhar por algum tempo, mas se todos/as formos cuidadosos/as e adotarmos comportamentos responsáveis, teremos mais hipóteses de “o fintar”. Desta forma, desejo que todos/as consigam passar estas festividades da forma mais segura quanto possível e que as passem junto, mesmo que à distância, de todos/as quanto vos são queridos/as.
Aos/às mais pequeninos/as, desejo que o Pai Natal deixe no vosso sapatinho um miminho especial, para alegrar, um pouco mais, a vossa noite.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.-A gestão do meu tempo, é a parte mais difícil de ser Presidente de uma mega União como esta. Sou muito rigoroso e cumpridor com os meus horários, sou pontual e tento ser o mais pragmático quanto possível na resolução das tarefas diárias. O meu lema no trabalho é: “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje!”.
Não falto a nenhum compromisso/reunião com os/as fregueses/as, coletividades, instituições, bem como, com a Autarquia, agora tenho a vida facilitada, porque a maioria destes compromissos são online, o que me permite estar no conforto do lar e junto da família. Quando a família “reclama”, compenso-os com tempo de qualidade, porque quando estou com a família estou só para ela.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.-Antes de mais, quero agradecer ao Jornal Autarquias a oportunidade e dizer também que foi um enorme gosto ter respondido a esta entrevista. Depois, gostaria de vos desejar as maiores felicidades e um Santo e Feliz natal a todos Vós bem como aos/às vossos/as leitores/as.

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