JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Agosto 2019 - Nº 142 - I Série - Porto

Porto

Entrevista do Presidente da da União das Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim

António Braz

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.U.F.-Positivos. No entanto, lamento a elevada taxa de abstenção e, nesse sentido, é necessário tomar medidas para reverter esta situação para que a participação do cidadão seja cada vez maior e consciente. A União Europeia condiciona-nos cada vez mais e, por isso, a necessidade de termos um papel mais interventivo na altura em que somos chamados a fazê-lo e que são as eleições.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.U.F.-A nossa União congrega as freguesias Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim e no que concerne ao sector primário, numa parte do nosso território, a sua importância é ainda muito elevada. Há um conjunto muito significativo de pessoas que ainda estão ligadas a este sector, nomeadamente à agricultura. Relativamente ao turismo, está a expandir-se, não da forma mais célere como todos nós desejaríamos, mas, passo a passo, tem conquistado uma maior incidência na actividade do concelho. Temos experiências diferentes e muito genuínas que podemos oferecer a quem nos visita, nomeadamente, ao nível da gastronomia, onde o sável e a lampreia são produtos emblemáticos; a arte da filigrana; o rio Douro que banha as freguesias Valbom e Jovim e proporciona a prática de desportos náuticos; eventos culturais… Temos todas as potencialidades de poder crescer ao nível do turismo, não só enquanto freguesias, mas fundamentalmente enquanto Concelho.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.U.F.-No nosso caso concreto discordo que tenha gerado muita pobreza, no entanto, nos casos em que aconteceu os órgãos autárquicos, quer a Câmara Municipal, quer a União das Freguesias e as Instituições Públicas de Solidariedade Social tinham instrumentos para minorarem o aumento de pobreza. Hoje, com a retoma do emprego, achamos que, uma parte significativa, dos problemas estão atenuados, contudo, e no seguimento do que é a nossa área de intervenção, continuamos a manter os serviços sociais que sempre prestamos, nomeadamente, o Refeitório Social, as Lojas Sociais de Gondomar (São Cosme) e Valbom, o POAPMC – Programa Operacional de Apoio a Pessoas Mais Carenciadas, o Banco Alimentar, o Banco de Ajudas Técnicas, a Casa de Acolhimento Temporário, entre outras valências.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.U.F.-É um assunto muito sensível e que lamentavelmente é notícia frequente na comunicação social. Apesar de ainda existirem situações que não são denunciadas, acho que têm sido dados passos importantes não só ao nível da jurisdição, como do apoio que é prestado por diversas associações e que faz com que as vítimas (mulheres e homens) sintam que podem denunciar.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.U.F.-De acordo com o feedeback que vou tendo dos agrupamentos escolares do território, nesta matéria, assistisse a uma maior serenidade daquela que existia há uns anos. É claro que não podemos afirmar que não exista uma ou outra situação, no entanto na União das Freguesias o retorno que vou tendo é positivo. A nível nacional é uma realidade que preocupa e as notícias que vemos fazem-nos reflectir sobre o futuro destes jovens.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.U.F.-Hoje as pessoas explodem pelas mínimas coisas. Acho que há uma grande falta de bom senso e entre duas coisas más que se possam dizer, tantas boas podiam ser ditas. Ninguém é capaz de ver uma boa acção, de valorizar o outro ou de ser mais paciente. Vivemos numa sociedade em que é mais fácil criticar e apontar o dedo, do que reconhecer algo de bom.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.U.F.-Prestamos apoios a vários níveis, nomeadamente auxiliar tecnicamente os seniores dependentes carenciados do território, com vista a melhorar as suas condições de vida quer seja com uma cadeira de rodas, muletas, andarilhos, colchões ou bens alimentares. Temos também o Serviço de Teleassistência, em parceria com a Fundação PT, destinado a pessoas com mais de 65 anos, residentes no território da União das Freguesias, que vivam sós ou que passem mais de 8 horas diárias sozinhas em casa e que tenham alguma dependência física. Além disso, temos ainda o Grupo de Voluntariado “Projeto Aproximar” que, entre outras funções, dá apoio aos idosos na ida a consultas ou realização de exames; nas visitas a casa apenas para fazer companhia e, um dia por semana, vão ao Hospital Escola Fernando Pessoa ler um livro, contar uma história ou realizar uma actividade junto desta população.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.U.F.-Campanhas de sensibilização junto da população para a limpeza de terrenos e, em muitas situações, através de notificações aos proprietários para procederem-me a essa mesma limpeza e desmatação. Em grande parte delas conseguimos obter uma resposta positiva, em outras situações teve que ser a União das Freguesias a intervir coercivamente e a assumir os custos dos trabalhos realizados.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.U.F.-Confesso que, no território da União das Freguesias, não tenho conhecimento de que tenhamos muitas situações de vítimas de incêndios, mas os apoios que recebem ou receberam são os institucionais. Em março ardeu uma fábrica de mobiliário escolar e de escritório, em Jovim, no entanto como tem outras indústrias no concelho, a informação que tenho é de que não chegaram a parar de trabalhar.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.U.F.-Na minha opinião, o maior problema está na falta de valências para os idosos. A existência de um maior número de camas em lares e centros de dia que trabalhem com esta faixa etária. Há muitas pessoas que só encontram resposta fora do Concelho. Acho que precisávamos de pelo menos mais 150 camas para conseguir abranger uma franja maior da população sénior a necessitar de cuidados.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.-Precisamos de melhor ainda mais a mobilidade nas suas diferentes vertentes, nomeadamente, na construção de passeios com mais espaço e que permitam maior segurança aos peões e adaptar edifícios e locais que, infelizmente, ainda não têm condições para as pessoas que se deslocam em cadeira de rodas. Precisamos também de gerar mais investimento para que as pessoas não tenham de ir para fora do concelho trabalhar e estamos a dar bons passos nesse sentido.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.U.F.-Investir porque fazemos fronteira com a cidade do Porto ainda com muitos espaços verdes que podem ser usufruídos pela população. Temos um conjunto de instituições culturais e desportivas que estão à disposição das pessoas. Temos as margens do rio Douro que são muito aprazíveis. Nas três freguesias que compõem esta União são muitas as valências e os espaços que podem ser bastante atractivas para os investidores.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.U.F.-Muito débil. Temos um orçamento escasso para as muitas funções que temos atribuídas e que nos faz andar permanentemente em situações de quase ruptura.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.U.F.-Temos dois protocolos com a Câmara Municipal de Gondomar: o Contrato Interadministrativo e o Acordo de Execução em que a edilidade nos transferiu um conjunto de competências até, então, desempenhadas por autarquia e que nos são pagas através desses protocolos.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.U.F.-A mensagem que quero deixar é que temos uma União de Freguesias com dinâmica, com uma situação geográfica convidativa pelos mais de 30km de margens banhadas pelo Douro e a proximidade à cidade do Porto. Além disso temos ainda um conjunto de infra-estruturas e valências que a população pode usufruir, mas vamos continuar a desenvolver com empenho e seriedade o nosso trabalho para dar resposta às necessidades que ainda existem.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.-Com algum sacrífico, mas com motivação, empenho e alegria para poder solucionar junto da população os problemas que me reportam.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.-Agradecer em primeiro lugar esta entrevista e desejar que tenham muitos sucessos no desempenho das suas funções.

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