Jornal das Autarquias | Janeiro 2025 - Nº 207 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Sebolido

António Lopes

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
U.F- Sebolido, para quem desconhece, localiza-se sobre o nosso magnífico Rio Douro e Serra da Boneca, no concelho de Penafiel, distrito do Porto. Por si só, tendo em conta a sua localização geográfica, posso afirmar com toda a certeza que Sebolido é uma freguesia com enorme visibilidade para a atividade turística. Realço não só o alojamento rural disponível ao longo de toda a freguesia, bem como a natureza, a história, o património, a gastronomia e a cultura que é possível observar ao longo de Sebolido. É claro que não podia deixar de mencionar o Miradouro e Baloiço da Boneca que, nestes últimos tempos, têm trazido a esta freguesia um “mar de gente” que certamente não ficaram arrependidos das paisagens que observaram. Em contrapartida, é necessário manter as tradições do setor primário, um setor igualmente importante e característico da nossa autarquia, o qual este executivo procura estar atento para corresponder a todas as necessidades.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica, tem se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?
U.F- Sinceramente, eu acho que nunca existirão medidas suficientes para combater este flagelo. A violência é um “recurso” cada vez mais normalizado, do ambiente online, ao escolar, passando pelo social e pelo ambiente familiar. No entanto, se melhorarmos a resposta e apoio prestado às nossas vítimas e tivermos uma resposta mais severa por parte do nosso sistema judicial, talvez seja possível atenuar e evitar muitas tragédias.

J.A.- Esta situação está a tornar-se, quase como um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?
U.F- É extremamente penoso vermos os nossos jovens a crescerem num ambiente social em que consideram que o recurso à violência é a solução mais fácil para qualquer questão, desde situações de namoro às situações ocorridas no quotidiano. A correção destas mentalidades é um percurso longo e penoso, que deve ser iniciado em casa e trabalhado em ambiente escolar, social e mesmo online, para que as nossas crianças não cresçam normalizar a violência em qualquer contexto das suas vidas.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
U.F- Maior apoio financeiro para a área social, como no caso das associações que prestam apoio a idosos, a crianças e às pessoas desamparadas.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no Pais. Qual a Vossa opinião sobre este assunto?
U.F- Na freguesia de Sebolido, as pessoas serão sempre bem recebidas, olhando ao baixo nível depopulação que temos nos últimos anos, ficamos sempre na disposição de ajudar as pessoas quando elas chegam à nossa terra.
Relativamente às condições de trabalho é notório que as entidades patronais muitas vezes se aproveitam das pessoas desesperadas, que chegam ao nosso país sem nada e à procura de uma vida melhor. Este aproveitamento da mão deveria ser corrigido de uma forma totalmente diferente, de uma forma muito mais severa, mas é um assunto complicado e que demorará muito tempo até ser melhorado.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque da habitacional?
U.F- Do meu ponto de vista e como cidadão, acho que o governo dá uma no cravo e uma na ferradura.
Os nossos jovens precisam de ter mais apoio, com o aumento das rendas, aumentos fiscais e baixos salários e/ou salários que não acompanham o aumento do estilo de vida e do mercado imobiliário é muito complicado arrendar e ainda mais complicado adquirir um local para morar. O futuro dos nossos jovens está muito comprometido, se os nossos governos continuarem apensar desta forma, deveria de haver um gesto de conforto, principalmente na área fiscal, para que os nossos jovens fiquem mais confortados e possam adquirir em vez de continuarem a arrendar.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros, cada vez estão mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?
U.F- Por mais boa vontade e desejo de ajudar que a nossa parte governativa tenha, nada pode ser feito quando tudo é manuseado por entidades privadas e são situações que estão à vista de todos, basta ir às prateleiras dos supermercados.
Consideremos o exemplo de o Governo anunciar a retirada e/ou diminuição do iva, as entidades privadas aproveitam logo para fazer os seus acertos e aumentar o preço dos produtos.

J.A.- Com os incêndios que lavraram este verão, como reagir com as inundações resultante das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos?
U.F- Os incêndios ocorridos durante a época de verão são sempre extremamente preocupantes e é sempre necessário estarmos preparados para o pior cenário.
As derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos trouxeram a descoberto uma questão que necessita de ser trabalhada e que necessita de ser intervencionada da melhor forma possível, para evitar que durante o próximo verão, situações semelhantes possam ser evitadas e/ou previstas.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
U.F- No caso se Sebolido, faz falta uma área que permita os nossos jovens praticarem desporto. A nível autárquico faz falta uma plataforma que permita dar voz aos jovens e de áreas que permitam os jovens intervirem diretamente, se não existir a capacidade de dar voz e presença ativa às camadas mais jovens, estas acabam por se afastar da autarquia e não existe interesse em envolverem-se a níveis políticos ou sociais.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?
U.F- A situação financeira encontra-se “saudável” e sempre muito controlada e ponderada, os requisitos cada vez são mais e as verbas são sempre as mesmas

J.A.-Qual o apoio que recebem da câmara municipal as juntas de freguesia?
U.F- As Juntas de Freguesia recebem da Câmara Municipal os apoios possíveis e que se enquadram às necessidades especificas de cada uma das freguesias.

J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?
U.F- O executivo da Junta de Freguesia de Sebolido quer transmitir a todos os Sebolidenses aquele que é o nosso método de trabalho – trabalhar com e pelos Sebolidenses, tendo sempre em mente o melhor da freguesia, para que nos seja possível melhorar sempre.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
U.F- É sempre importante a existência de um órgão responsável pela voz dos autarcas de Freguesia que, no geral, são os que mais dedicam às suas populações, atendendo às suas necessidades problemas. O Jornal das Autarquias tem vindo a efetuar este belo trabalho. Como tal, em meu nome e, certamente, em nome da Freguesia de Sebolido, um bem-haja a todos pelo vosso trabalho. Obrigado.

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