Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Guilhufe e Urrô

Vitorino Oliveira

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.F.-A nossa Freguesia para além de uma zona comercial forte que só por si tem criado nos últimos tempos muitos postos de trabalho e para além de uma zona industrial que possui de empresas de vários ramos como construção civil, têxtil, produtos médico – hospitalares e com o Hospital Padre Américo também cá instalado e outras médias e micro empresas faz com que no sector primário o desemprego seja mínimo.
A Freguesia tem tido um desenvolvimento sustentável que se deve também à capacidade de infraestruturas criadas pelo Município.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.F.-A violência doméstica é um flagelo que tem crescido a nível mundial, mas que felizmente, na nossa Freguesia não tem sido reportados quaisquer casos, mas no meu entender as medidas criadas recentemente que visam minorar estas situações que infelizmente nos chegam diariamente são pertinentes.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.F.-Não tem sido frequente no nosso meio haver este tipo de problemas embora existam casos pontuais que nos chegam mas que têm sido resolvidos dentro das instituições escolares, não tendo havido necessidade de uma intervenção mais adequada ou mesmo que fosse necessário encaminhar para as entidades competentes na área.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.F.-Penso que tal se deve muitas vezes à falta de valores que em momentos da vida não são transmitidos pelos seus progenitores e que com o facilitismo com que hoje em dia através das redes sociais, se tem acesso a tudo o que de violento nos rodeia e muitas das vezes ao mais pequeno desaire entra a violência como forma errada de resolução do problema.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.F.-A Freguesia tem atualmente mais de 700 pessoas com idade superior a 65 anos e por isso é uma preocupação constante o apoio à população mais sénior, tendo sido criado em parceria com a Associação para o Desenvolvimento (IPSS) um Centro de Convívio com capacidade para 15 utentes no edifício da Junta de Freguesia e está neste momento a ser construído um Centro de dia , ATL e ainda a valência de apoio ao domicilio.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.F.-São medidas extremamente necessárias mas que no meu entender pecaram por tardias.
Após a primeira vaga criou-se a imagem de que estava tudo resolvido como todos pudemos verificar através das imagens que nos chegavam via tv em que os nossos Governantes faziam praia entre outras atividades politicas fazendo com que muitas pessoas desvalorizassem esta terrível pandemia. Contudo no computo geral tem sido boas as medidas anunciadas.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.F.-A nossa Freguesia com o hospital Padre Américo aqui instalado, tornou-se motivo a nível Nacional de noticia precisamente por falta de meios materiais e humanos para o seu bom funcionamento, tendo sido razão de visita da Sra. Ministra da Saúde que apelidou a Zona do Vale do Sousa, em que estamos inseridos, como o “olho do furacão” logo aí fomos confrontados nesta segunda vaga como um dos Concelhos mais afetados.
Felizmente tudo está a voltar à normalidade.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.F.-Do Governo diretamente não temos recebido qualquer apoio, temos apenas estado em sintonia com a Câmara Municipal na distribuição de máscaras e tendo sido também acionado o programa Municipal “Uber” do qual esta Junta de Freguesia faz parte no apoio sempre que solicitado na distribuição de alimentação e medicamentos.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.F.-As verbas distribuídas pelo Estado a qualquer Junta de Freguesia e nós não somos exceção, são muito reduzidas que depois de feita a limpeza das ruas, pagamentos de eletricidade e água, manutenção de jardins e escolas nada sobra para que pudéssemos fazer aquilo seria necessário.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.F.-A conclusão do saneamento básico, que diga-se que até somos uma Freguesia com uma grande percentagem de cobertura, mas que com a agregação de Freguesias herdamos a Sul um território onde quase nada estava feito a esse nível, devido também ao problema de ligação onde seria necessário a autorização da Refer para que fosse possível ligar à conduta principal (Simdouro) e que agora já existe luz verde para avançar.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.F.-A criação de uma centralidade onde seja possível a criação de uma zona desportiva e um auditório ao ar livre para eventos culturais.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.F.-Costumo dizer que em Guilhufe e Urrô tudo o que se faz está vendido por natureza veja-se por exemplo as áreas comerciais que foram cá instaladas tendo uma delas sido já considerada como uma das que mais faturam a nível Nacional e qualquer outro empreendimento que cá seja construído como por exemplo na área da habitação ainda mal se começam as obras já está tudo vendido, segundo informações dos investidores.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.F.-Como atrás referi, e porque temos também um orçamento minúsculo cerca de 200 mil euros anuais o que não dá para se fazer muito depois dos compromissos correntes para um razoável funcionamento da Junta de Freguesia.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.F.-Pode dizer-se em bom abono da verdade que a Câmara Municipal tem sido o pilar fundamental no desenvolvimento desta Freguesia a todos os níveis.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.F.-Sou autarca desde 1985 no Executivo, embora só nos últimos quinze anos é que desempenho a função de Presidente e como podem imaginar foi entre o dever autárquico e o meu trabalho profissional que esteve sempre a família sendo que a família nem sempre esteve em primeiro lugar como deveria ser mas que compreendia e sempre me apoiou. A responsabilidade e o dever de cumprir com os meus concidadãos assim o obrigavam.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.F.-Parabéns pela iniciativa e que o vosso jornal não seja apenas mais um veículo de informação mas que se destaque pela qualidade na informação que presta.

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