JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Agosto 2019 - Nº 142 - I Série - Porto

Porto

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Cristelo

Carlos Franclim Moreira da Silva

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.J. -A abstenção é preocupante.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. -O setor primário, nomeadamente a agricultura teve um papel importante na origem da freguesia, sendo atualmente praticamente desenvolvido com fins domésticos. O turismo, sector terciário, ainda não apresenta expressão no momento, perspetivando-se investimentos nesse sentido.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J. -A freguesia já apresentada de base alguns problemas de pobreza, tendo sido naturalmente agravados pela crise económica. A Junta de Freguesia de Cristelo assume um papel de mediador com a Segurança Social e Câmara Municipal de Paredes, criou igualmente o Projeto Ser Social.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J. -A conclusão referida é precipitada. O aumento do registo de casos não traduz necessariamente o aumento da frequência de casos, pode apenas refletir o aumento da notificação e da divulgação dos casos. Pronunciar sobre uma causa-efeito pressupõe uma avaliação cuidada do caso. Naturalmente fatores de risco (problemas económicos) poderão contribuir para uma maior frequência de casos. A violência doméstica é um flagelo social, de complexa abordagem, uma vez que implica necessariamente, além da mudança do enquadramento legal e das respostas sociais, a mudança de mentalidade da população, do respeito pela autodeterminação e pela igualdade de oportunidades, com redução de estigmas de uma visão centrada no patriarcado.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. -O meio escolar frequentemente se dilui no meio urbano, não tendo consigo interpretar a base para a separação destas duas realidades. Desconheço o suporte para a informação considerada. Surgiu algum estudo recente sobre o aumento da frequência infantil? Na nossa realidade local não se verifica, apenas alguns casos de excessos juvenis. A delinquência não constitui um problema expressivo na nossa freguesia.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. -Não consigo compreender o âmbito, nem a base (estatística e científica) para a afirmação. Genericamente a violência gratuita é má. Comparando a sociedade atual com a medieval, ou outras, a violência dimuiu. Considero um fenómeno mais preocupante o desrespeito pela privacidade e pelo rigor da informação.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. -Mesmo com o envelhecimento verificado, a realidade da freguesia abarca uma proporção expressiva de jovens e crianças. A Junta de Freguesia exerce um papel de mediadora com a rede social, tendo criado o projeto Ser Social.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J. -Depreendo que está a referir os incêndios. As novas diretrizes do Governo central são bastantes claras sobre os deveres das autarquias locais. Não obstante as diretrizes não foram complementadas de verba para conseguir uma ampla implementação da prevenção.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J. -Não se verificaram incêndios na freguesia.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. -Iliteracia funcional.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. -Promoção da igualdade e respeito pela diferença.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. -Desenvolver a diversificação de atividades culturais e recuperação do património histórico.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. -É uma localidade tranquila, bem localizada, com bons serviços, com uma dinâmica cultural e social crescente.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. -Estável, não existindo dívidas significativas. O orçamento proporcionado pelo Governo Central não é suficiente para desenvolver todas as competências.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. -Em processo de delegação de competências.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. -A freguesia é de todos. Todos têm um papel no seu desenvolvimento.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. -É um grande desafio. Tem que se inventar tempo.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. -É importante continuarem a dar voz ao poder local, aquele que está mais próximo das populações.

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