Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Ansião

António Brandão

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A agricultura continua a desempenhar papel importante no desenvolvimento económico na Freguesia, nomeadamente ao nível da produção de bens alimentares de qualidade, seguros e com respeito pelas regras de sustentabilidade.
O Turismo contribui para esta qualidade, por exigência do visitante na procura destes produtos de eleição.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- Trata-se de um flagelo social que é preciso prevenir, combater e erradicar da sociedade.
Não bastam medidas avulsas nem de calendário para assinalar o dia de luto pelas vítimas.
O estado tão pouco se pode excluir das suas responsabilidades. A violência doméstica com todos os seus efeitos pessoais e sociais, exige respostas urgentes como trabalho e rendimento, habitação e uma rede pública de equipamentos sociais de apoio. Essa, é uma função do Estado.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento P.J.- um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
A delinquência infantil não escolhe idade nem classe social. Deriva de práticas familiares muitas vezes ineficazes, ausência de acompanhamento parental, maus tratos, abusos físicos e emocionais e também exposição a ambiente social violento.
A escola procura desempenhar papel importante contra esta delinquência, envolvendo estas crianças e jovens em atividades saudáveis e de grupo, destacando e valorizando as suas qualidades e destacando os seus talentos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Associo-a à época do imediatismo que hoje vivemos, com relações humanas fugazes e dotadas de pouco sentimento, agravadas pelo digital ao alcance de todos
e em que por vezes basta estar no sítio errado à hora errada para se verem confrontados com esse tipo de violência.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e P.J.- recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
Procuramos minimizar os problemas da população de várias formas. Desde logo com serviços de apoio permanente na sede da Junta, com horário a tempo inteiro.
Aqui, disponibilizam-se de modo geral todo o tipo de serviços de forma gratuita, com protocolos com diversas entidades nomeadamente Rede Multibanco, CTT, Paga aqui.
No exterior, contratualizamos um funcionário para limpezas gerais da Freguesia e manutenção dos bens públicos locais e pequenos arranjos nos arruamentos, podas de árvores, recolha de monstros para local seguro etc
Apoiamos ainda os mais necessitados na sua alimentação, com protocolo com IPSS locais.
As famílias, são ainda apoiadas no transporte escolar e atividades extracurriculares com 50% do valor de cada aluno.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- À primeira fase em março/abril foi dada resposta satisfatória, coadjuvados com Autarquias Locais e comunidade científica.
Infelizmente não teve capacidade de reorganização dos serviços para esta prevista segunda vaga que está a ser um descalabro total e já fora de controlo por falta de tudo um pouco no nosso SNS e débil economia Nacional.
Não é tarefa fácil, no entanto assegurar neste contexto um equilíbrio entre o valor da vida e o funcionamento da economia.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na P.J.- população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
Muito medo, isolamento e quase esquecimento dos valores de família. Não sendo até ao momento uma zona particularmente atingida, foram no entanto cancelados todos os eventos habituais e que pontualmente faziam regressar à terra, pessoas que hoje vivem e trabalham noutras paragens. Nota-se semblante carregado das pessoas, tristeza e desanimo.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J.- O Governo continua a cumprir religiosamente com as transferências para as Autarquias Locais, dentro dos montantes previstos.
A sua aplicação é da responsabilidade de cada Autarquia e pode ser nesta fase diversificado.
Temos dado o apoio possível e solicitado, nunca deixando qualquer tipo de solicitação sem resposta positiva ao nível da habitação, alimentação e saúde.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O maior problema é a falta de emprego, a falta de investimentos o que leva obrigatoriamente à sua desertificação.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Melhorar as acessibilidades, criar condições ao investimento, dar a conhecer a nossa região e captar investidores sérios.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- As melhores se formos capazes de valorizar o que temos. Sou otimista por natureza e o futuro poderá ser risonho.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- ANSIÃES: - Mais de 2500ha de Natureza à sua espera. Façam-nos uma visita.
Sobretudo ao nível do turismo de natureza, alojamento local e gastronomia, Ansiães oferece condições ímpares na região. Estamos abertos ao diálogo.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Estável e sempre em condições de fazer face a quaisquer urgências!

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Financeiro através dos acordos de execução estabelecidos. Presta ainda todo o tipo de apoio técnico e é o garante das necessidades e investimentos de maior montante e estruturais.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- O nosso foco é o bem-estar da população. Com a vossa ajuda, disponibilidade e participação, conseguiremos os objetivos propostos. Continuem a acreditar e não deixem de participar. Estamos convosco e com Ansiães, sempre!

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Com enorme prazer pelo cargo. Pela possibilidade de puder diminuir as desigualdades sociais e dar esperança aqueles que menos têm e por conseguinte, mais necessitam de ajuda e orientação.
Pelo tempo que levo de autarca, a família está de certo modo adaptada.
Admito, no entanto, que não é propriamente fácil e que a família no meio de tudo isto fica por norma prejudicada.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- O vosso Jornal é dos poucos órgãos de Comunicação que dá voz às Autarquias, que continuam os parentes pobres da Administração Local.
Bem hajam pela vossa atividade, pelo espírito da mesma e continuem enquanto for possível.

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