JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Junho 2019 - Nº 140 - I Série - Madeira

Madeira

Vítor Francisco Gomes de Abreu

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Tábua

Vítor Francisco Gomes de Abreu

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.-Em relação ao nosso setor primário resume-se, praticamente, ao ramo da agricultura, com predominância na plantação de Bananeiras e Cana de Açúcar. Podemos aqui falar também numa agricultura de autoconsumo para famílias, ex. (Batata Doce, Batata semilha, Milho, Feijão, Hortaliças). etc.… Em relação ao turismo temos que melhorar imenso precisamos de um apoio efetivo da Câmara Municipal da Ribeira Brava, sem este apoio dificilmente poderemos ter um turismo de qualidade na nossa freguesia.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.-O risco de pobreza na nossa freguesia é preocupante como no resto do país de acordo com os dados publicados pelo INE. Apesar da população desempregada estar á diminuir mantem-se uma enorme desigualdade na distribuição de rendimentos, com uma maior incidência nos jovens da freguesia.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.-No ano 2000, a violência doméstica foi considerada crime público, o que significa que não é necessário que seja o lesado a apresentar queixa. 
Em caso de conhecimento ou apenas desconfiança, qualquer pessoa pode mesmo denunciar o crime às autoridades ou associações de apoio, até anonimamente, sem que seja necessária a intervenção das partes envolvidas. 
P.J.-Familiares, vizinhos, amigos, colegas, mas também empresas, devem estar atentas e saber que podem agir a qualquer altura, mesmo não sabendo quem praticou o crime - cabe às autoridades apurar a identidade do autor. A denúncia é até obrigatória para alguns, como entidades policiais, funcionários que tomarem conhecimento no exercício das suas funções e para qualquer pessoa que sabe que pode estar em risco a vida, a integridade física ou psíquica ou a liberdade de uma criança ou jovem com menos de 18 anos.
J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.-Faço aqui uma distinção entre crianças na rua e crianças de rua. Numa primeira fase, a criança vai a casa dar os lucros obtidos – muitas vezes através da mendicidade – e numa segunda fase, elimina por completo a ligação familiar, procurando um apoio institucional, em particular em abrigos, que na sua generalidade são casas de acolhimento estatal. Nesta freguesia não sentimos ainda este fenómeno.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.-Quaisquer que sejam os números obtidos, e eventualmente apesar dos mesmos, devemos manter presente que as Forças e Serviços de Segurança colocam toda a sua competência, disponibilidade e empenho na difícil tarefa de garantir, em permanência, a segurança dos cidadãos, não devendo ser menosprezado que, em parte, um aumento dos valores da criminalidade participada pode refletir uma maior proactividade daquelas, bem como uma maior confiança por parte das vítimas em participarem os crimes de que foram alvo. Nós Junta de freguesia só temos que informar as autoridades competentes.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.-Não há dúvida que o envelhecimento da população se revela como uma tendência positiva, que está intimamente ligada à maior eficácia das medidas preventivas em saúde, ao progresso da ciência no combate à doença, a uma melhor intervenção no meio ambiente e, sobretudo, à consciencialização progressiva de que somos (nós) os principais agentes da nossa própria saúde. Nesta perspetiva, devemos considerar que as pessoas idosas são o primeiro recurso para a promoção da sua própria saúde e, por isso, torna--se necessário encorajá-las a participar neste processo.
Já sabemos que as pessoas não envelhecem todas da mesma maneira. A par dos fatores genéticos que determinam muito do processo, há que realçar que não é igual envelhecer no feminino ou no masculino, sozinho ou no seio da família, casado, solteiro, viúvo ou divorciado, com filhos ou sem filhos, no meio urbano ou no meio rural, na faixa do mar ou na intelectualidade das profissões culturais. Na nossa realidade contamos com o apoio precioso do Lar Intergeracional da Santíssima Trindade da Tabua integrado nos serviços da Segurança Social da Madeira.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.-Na altura do verão estamos constantemente em contato com a “Associação Humanitária de Bombeiros da Ribeira Brava e Ponta do sol”, que faz um excelente trabalho em prol da nossa freguesia de forma a garantir a segurança e o bem-estar da população na freguesia da Tabua.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J.-Graças a DEUS ainda não tivemos grandes problemas a nível dos incêndios
Penso que se isto um dia acontecer teremos os apoios necessários.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.-Sentimos a falta de apoio do Município em relação a algumas obras e aos Recursos Humanos.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.-Existe um percurso pedestre que liga o Sitio da Candelária ao sitio da Praia e precisa ser reabilitado, tratando-se de uma implementação que valoriza a Natureza e reabilitará o turismo na freguesia e automaticamente as zonas agrícolas, e algumas obras relativamente ao 20 de fevereiro de 2010, que ainda estão inacabadas, mas precisamente na Ribeira da Tabua.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.-Trabalhamos de forma a melhorarmos constantemente e permanentemente a Freguesia da Tabua.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.-Sou natural da freguesia e procuro fazer o melhor para a freguesia que me viu nascer, em relação aos eventos a comemoração do dia da freguesia que se realiza no dia 2 de julho, é um momento sonante.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.-Estável

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.-Um contrato programa anual no valor de 11.387,00€ (Onze mil trezentos e oitenta e sete euros), o que é muito pouco para um trabalho que se pretende realizar com alguma qualidade em prol da população da freguesia da Tabua.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.-Continuamos com a forte convicção de que, ao fim de cada ano procuramos fazer melhor, e penso que estamos a corresponder. Continuamos a contar fundamentalmente com a vossa colaboração e o vosso apoio. Todos juntos vamos construir uma Tabua cada vez melhor.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.-Em relação a Junta de Freguesia estabeleço uma certa disciplina, e em relação a vida familiar crio rotinas.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.-Continuem com este trabalho de qualidade para o bem de toda população. É importante esta informação chegar aos órgãos governamentais para sensibiliza-los da importância das Juntas de freguesia nos contatos diretos com a comunidade.

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