JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Junho 2019 - Nº 140 - I Série - Madeira

Madeira

Francisco Paulo Pestana

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Serra de Água

Francisco Paulo Pestana

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O sector primário é um sector com pouca representatividade na freguesia. Falamos De uma freguesia com orografia marcada pelo vale profundo e por montanhas. Consequentemente é uma actividade muito desgastante. O envelhecimento da população e a emigração reduziram o número de pessoas que se dedicam a este sector, mantendo-se sempre na ordem da subsistência.
Esta autarquia tem a visão do problema, mas a questão pertence a um nível macroeconómico com fundamentos demográficos, pelo que a acção da Junta de Freguesia nestes últimos anos tem sido a de apoiar os agricultores na manutenção e realização de pequenas obras nos canais de rega. Pode parecer insignificante, mas a limpeza dos canais é uma actividade que envolve muito esforço físico pois requer a limpeza de dezenas ou centenas de metros de canais de rega, muitas vezes influenciados por derrocadas, proliferação de ervas que obstroem a passagem da água. A população fragilizada e envelhecida aprecia este serviço da JFSA. Tentamos responder a todas as solicitações, mas também nisto estamos dependentes dos recursos humanos de Instituto de Emprego através dos Programas de ocupação temporária (POT).

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- O concelho da Ribeira Brava tem instituições vocacionadas para o apoio social a famílias com dificuldades económicas e de assistência a pessoas com dificuldades de saúde e mobilidade. Falamos do Centro Social e Paroquial de São Bento que tem a elevada missão de prestar cuidados básicos e continuados, intervindo individualmente nas famílias prevenindo a exclusão social. Existe ainda a ADBRAVA, uma organização que partilha de objectivos semelhantes mas que tem a especial função de prover os mais necessitados de ajudas técnicas como as camas articuladas tão importantes na prestação de cuidados aos idosos acamados.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- A violência doméstica é algo que não deveria existir. A célula familiar deveria ser um ambiente de protecção e de desenvolvimento dos afectos não deveria funcionar, portanto, como um local de domínio e violência de uns sobre outros. Na família dever-se-ia cultivar a liberdade e o respeito mútuo, pelo que a formação pessoal e o estilo parental têm muito a ver com o assunto.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- A delinquência infantil/ juvenil é outra condição que não deveria existir. Condiciona o desenvolvimento do próprio jovem, cria infelicidade à sua família e à sua comunidade. Dificilmente se intervém eficazmente e atempadamente nestas questões que estão também relacionadas com a dinâmica familiar que ensina valores que mais ninguém substitui. Sobre este tema a JFSA também é sensível pois reconhece que jovens adaptados geram desenvolvimento e pelo contrário a delinquência gera dependência e problemas de conduta que não beneficiam ninguém. Assim, apoiamos financeiramente a instituição acrescer sem risco que, tendo a sua sede em São Vicente abrange a sua acção a esta freguesia.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A violência, seja de que tipo for, não deveria existir. A sociedade deve rege-se por princípios de respeito e solidariedade e não pelo exercício de força sobre o outro.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- O combate aos incêndios deve ser feito de forma concertada. Não deve ser abordado como o resultado da aplicação de medidas avulsas. Os fogos estão associados à actividade primária, para o bem e para o mal. De facto alguns resultam de queimadas que fugiram ao controlo, mas qualquer leigo é capaz de observar e concluir que os fogos ocorrem nas zonas não agricultadas. Ou seja, o abandono da agricultura aumenta a existência de terrenos baldios que rapidamente ficam ocupados por plantas infestantes e fazem desaparecer as linhas de água que, em situações emergentes podem facilitar o próprio combate ao fogo.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo?
P.J.- No nosso entender o combate aos fogos é feito de forma sistémica. O apoio aos agricultores tem repercussões importantes na prevenção dos fogos.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- A freguesia partilha dos mesmos problemas de outras freguesias rurais que são o envelhecimento da população provocado pelos fenómenos da imigração e da baixa natalidade.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- O executivo da JFSA ambiciona tornar a freguesia mais moderna e atractiva. Gostávamos muito de explorar todo o potencial do vale da serra de água, transformá-lo num factor de desenvolvimento. Pretendiamos que a freguesia se tornasse um local para poder estar com a família e divertir-se e não apenas um lugar de passagem. Temos a visão do potencial de crescimento e desenvolvimento que um corredor verde de ligação pedonal e uma ciclovia trariam ã freguesia. Este, por sua vez integrado num projecto de construção de uma piscina fluvial, um parque de campismo e um parque de desportos radicais traria um impulso de desenvolvimento à freguesia. Entretanto apostamos no desenvolvimento cultural. Recentemente foi criada a Tuna de Bandolins e violas da Serra de Água e apoiamos financeiramente os projectos da Casa do Povo local com uma acção fundamental no desenvolvimento de actividades para os jovens e menos jovens.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Gostávamos que nos diferentes eventos e reuniões se evidenciasse o potencial turístico da freguesia e que partilhassem da nossa visão de desenvolvimento da freguesia.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira decorre conforme o orçamentado, sem dívidas.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A CMRB tem um contrato-programa com a JFSA no valor de 17000 euros. Para além do valor em numerário a entidade colabora logisticamente quer seja através de mão-de-obra ou de cedência de maquinaria para alguma intervenção mais emergente.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Gostávamos que todos os nossos fregueses compreendessem que este executivo tem vontade de fazer o melhor pela freguesia. No entanto, nem sempre é possível acudir a tudo e a todos na medida das suas exigências. Os recursos que possuímos são escassos e são para utilização comum. Gostávamos que a população compreendesse o seu próprio valor, o seu potencial e que partilhasse da nossa visão empreendedora para o futuro da freguesia.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Não há problemas de articulação entre a vida pessoal e profissional, uma vez que estou desempregado. No entanto gostava de salientar que a função de Presidente da Junta de Freguesia exige muita disponibilidade e tempo. O atendimento à população, a visita aos locais e as tarefas burocráticas exigem deslocações que não esperam e têm de ser realizadas.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Gostávamos que partilhassem os nossos projectos de desenvolvimento da freguesia como o corredor verde de ligação à RB, a piscina fluvial e os parques de campismo e de desportos radicais.

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