Entrevista da Presidente da Junta de Freguesia dos Olivais

Rute Sofia Florêncio Lima de Jesus

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - A freguesia dos Olivais, em termos geográficos situa-se na zona mais a Oriente da cidade de Lisboa, fator que a tem afastado do fenómeno do turismo. Com o passar do tempo e com o aumento do turismo na cidade (interrompido, é certo, no último ano pelos motivos que conhecemos) a criação de alguns alojamentos locais e hostels foi uma realidade. E foi muito curioso perceber a chegada de alguns turistas à nossa Freguesia, cujas características naturais e urbanísticas a colocam num extraordinário e deslumbrante equilíbrio entre a urbanidade e a ruralidade. Reconheço o turismo como uma importante alavanca económica para a cidade, contudo enquanto Presidente desta Junta de Freguesia, mantê-la paradisíaca, serena e calma é também um objetivo. A pressão do automóvel no centro da cidade e as rotinas normais do turismo na sua plenitude acabariam por “roubar” aquela que é nossa beleza natural. Trata-se um território sem indústria e sem produção de recursos para exportação. É uma Freguesia de serviços mais direcionada para as relações interpessoais, por via do setor do comércio em geral, de serviços como educação, saúde, segurança, transportes, finanças.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J. - A violência doméstica é um flagelo persistente, um flagelo silencioso cujo emaranhado toca em diversas circunstâncias sociais. São diversos os tipos de abuso e considero absolutamente inaceitável que em pleno Séc. XXI ainda nos vejamos confrontados com múltiplas situações desta natureza. A violência doméstica, que funciona como um sistema circular promove tensões, agressões, maus tratos e sofrimento nas vítimas, bem como concorre para uma sociedade disforme em que aquelas são o elo mais fraco muitas das vezes remetidas ao terror silencioso. A possibilidade de, por via da denúncia, poderem ver as suas vidas ainda mais sofridas, muitas vezes remetem-se ao silêncio. Esta consciência plena levou a que a Junta dos Olivais, tivesse há 4 anos atrás criado a linha “SOS-DAR VOZ AO SILÊNCIO”, através da qual, sem custos e em anonimato, pudessem ser denunciadas situações de violência doméstica. A média de vítimas de violência doméstica é assustadora e inaceitável. No ano 2020, 8720 mulheres, foram vítimas de violência doméstica, o que representa, 167 por semana e 24 por dia. Contudo este tipo alargado de violência abrange também homens, crianças e idosos, cujos números são também assustadores, ainda que menores. 1841 crianças, 1627 homens e 1626 idosos foram também vítimas. Este é um cenário de terror, que nos remete diretamente para um compromisso inadiável de resolução. Qualquer medida, por ínfima que seja é sempre bem-vinda e representa muitas vezes a diferença entre a vida e a morte de alguém. Este Governo e muitas Autarquias têm tido um olhar de extenuante preocupação e operacionalidade sobre estas matérias, em conjunto com as entidades não governamentais. É uma luta que não cessa, tanto no combate, como também e em especial na prevenção. Esta última vertente, a da prevenção é transformadora do ponto de vista da formação cívica dos nossos jovens e deve ser incutida através de ações de sensibilização cujo foco deve ser o conhecimento pleno dos direitos humanos e a consciência do respeito que devemos ter por nós próprios e pelo outro.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - A delinquência juvenil e/ou os comportamentos desviantes derivam muito da forma como a nossa sociedade se tem vindo a organizar ao longo das décadas. A forma como as famílias vivem as rotinas do dia a dia, tendo muitas vezes de ter mais uma ocupação laboral, a falta de horários, o desencontro familiar dos agregados, levou a que se perdessem alguns dos valores e ideais da família enquanto veio transmissor de ensinamentos e enraizamento de posturas sociais que toquem em coisas tão simples como o respeito, como a preocupação com o outro, como a solidariedade e o espirito de comunidade. Substitui-se de forma gradual o “ser” pelo “ter” e as novas gerações possuem um sentimento muito material da humanidade, o que é grave e complexo. As referências são muitas vezes e apenas os amigos e amigas da escola, também eles em idade tenra, logo, suscetíveis a práticas próprias da juventude, mas que devem ser controladas e sanadas quase de imediato. As medidas de conciliação entre a vida privada e laboral são um fator importante e transformador da vida dos nossos jovens, cuja presença e atenção assídua dos progenitores ou encarregados de educação é absolutamente imprescindível.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - O que vemos hoje, é a disseminação da violência gratuita manifestada das mais variadas formas. Temos um fenómeno corrosivo em termos comportamentais, que é essencialmente a forma como se interage nas redes sociais. Estamos perante um retrocesso civilizacional, um retrocesso nas conquistas ao nível dos direitos sociais e humanos. As redes sociais transformaram-se, em poucos anos, nas “ferramentas do civismo” do século XXI. Deram voz às pessoas que, num grande número de casos, apoiadas no anonimato e na proteção que lhes oferece a máquina, se apoderam de um excesso de liberdade. As redes sociais transformaram-se em ambientes humanos virtuais tristes e agressivos, despudorados, desrespeitadores dos direitos “do outro”, ambientes em que meras opiniões contrárias transformam “o outro” em opositor ou até inimigo. Aos poucos, observa-se o fortalecimento do ódio nas redes sociais, que se manifesta na intolerância perante a opinião contrária à do grupo virtual dominante. Autênticos campos de batalha polarizados pelo debate a distância, pelos comentários agressivos e violentos, pelos juízos de valor, pelos julgamentos imediatos das correntes de opinião dominantes, são alimentados de forma até quase sádica e doentia. A blogosfera transforma-se gradualmente, em cada dia, em campos de guerra, que arrastam depois as pessoas para outros tipos de violência. O fenômeno da violência nas redes sociais aumenta a cada dia que passa, o que nos permite concluir que outro fenômeno cresce de forma paralela: o prazer ao ódio e o prazer em senti-lo e disseminá-lo. Sentir o ódio alimenta e autoriza as pessoas a expulsá-lo através da violência e isso para muitos é prazeroso. Incitar ao ódio torna o odioso como um líder e no controle de seguidores que compactuam do mesmo ódio.
É absolutamente imprescindível que todos entendamos e façamos entender aos nossos filhos e filhas, amigos e amigas, colegas de trabalho, familiares que, no ambiente virtual, devem prevalecer as regras da vida real. A empatia, a boa educação, o respeito pela opinião do outro, pelo outro e pela sua condição singular devem ocupar todo o espaço das redes sociais, eliminando convívios virtuais tóxicos, violentos, ofensivos, nocivos e severos, os quais, atualmente, se encontram naturalmente aceites. Sempre existiram. Comportamentos como linchamentos públicos, violências verbais, agressões físicas, invasões de privacidade, intolerância ao “diferente” e outros fenômenos repressivos e opressivos foram sendo eliminados das culturas e sociedades democráticas, através de grandes e duríssimas lutas ideológicas, com sangue, suor e lágrimas. O que vemos hoje nas redes sociais é um retrocesso civilizacional, um retrocesso nas conquistas ao nível dos direitos sociais e humanos. É preciso inverter.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - A população de uma forma geral está efetivamente mais envelhecida. A sociedade tem uma dinâmica alucinante em que “todos” trabalham muito e muitas horas. Os cuidados e atenção que os nossos cidadãos mais maduros necessitam obrigam a que sejam pensadas novas formas de apoio e recursos por forma a que o envelhecimento se processo de uma forma natural, ativa e saudável. Os nossos pais, os nossos avós merecem de nós o melhor a todos os níveis e é absolutamente imprescindível que sejam pensadas novas formas de vida para estas faixas geracionais. Um plano gerontológico nacional, à luz do qual fossem definidas políticas públicas direcionadas, levaria a que todos pensassem esta “verdade” como uma verdade natural e não como um problema. Os idosos dos séc. XXI não são os mesmos idosos dos Século XX e têm outras necessidades, outras histórias de vida e outras formas de encararem o envelhecimento. A situação de reforma é algo que deve ser preparado num momento prévio à sua chegada. A verdade é que o tão esperado e feliz momento da reforma, em que a sensação de liberdade pelo não cumprimento de horários, pela inexistência de compromissos, depressa se transforma num mar de “nada para fazer”, num vazio terrível e doloroso que remete as pessoas para uma falta de projeto de vida e abre a porta para patologias associadas à falta de atividade.
A Junta de Freguesia tem inúmeras atividades regulares para estas faixas etárias, nomeadamente passeios culturais, passeios lúdicos e de convívio, atividades desportivas ao ar livre e em ginásio/piscina, apoio psicológico, aulas de informática, aulas de inglês e alfabetização, atividades intergeracionais com as crianças das nossas escolas e acompanhamento próximo em necessidades particulares.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J. - O Governo tem tomado medidas adequadas, seja no combate como na prevenção à COVID19, e ainda no apoio prestado às famílias e empresas que, de repente, se viram numa situação de precariedade. O surgimento de uma pandemia foi algo que atropelou todo o mundo e pela primeira vez, tivemos de nos defender de um inimigo comum a uma escala universal. O Governo, numa esfera central e nacional e as Autarquias, numa esfera local, têm feito um trabalho extraordinário. Um trabalho que têm sido reforçado em termos de resultados pela simbiose institucional criada em torno da COVID19. Todos passaram a trabalhar em conjunto, fazendo uma gestão adequada dos recursos e valências institucionais diversos. Há sempre tendência para críticas e controversas acerca desta e de outra matéria, mas na verdade, dificilmente encontraremos na nossa história outro momento que todos os organismos da Administração Pública e sociedade civil se tivessem unido verdadeiramente em torno de um bem maior. Uma palavra de natural e sentido reconhecimento e agradecimento para todos aqueles que estiveram sempre na linha da frente, arriscando-se, lutando, para que tantos outros pudessem viver.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.J. - O plano de vacinação está a decorrer de forma organizada e eficaz. Todos os mega processos de intervenção no terreno, que mobilizam massas, obrigam a logísticas operacionais, obrigam a estratégias bem definidas e amplo sentido de agregação e missão. Também nesta matéria se pode observar o êxito de uma estrutura de hierarquia piramidal. Também aqui, as Autarquias têm tido um papel preponderante no aspeto mais operacional, na mobilização e deslocação dos cidadãos aos centros de vacinação e na presença e apoio aos cidadãos bem como às entidades gestoras do processo. Tem sido muito trabalhoso, mas muito gratificante na medida em que percebemos que os objetivos estão a ser alcançadas de dia para dia, por forma a alcançar a imunidade de grupo.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J. - No território dos Olivais foram encetados procedimentos imediatos e foram inúmeras as ações de combate e prevenção adotadas no primeiro instante. No primeiro confronto com a possibilidade da pandemia, ajustámos o nossos Plano de Contingência, o qual foi aprovado em fevereiro de 2020. Os desafios colocados por esta contingência foram diferentes dos colocados em muitas outras situações de resposta à emergência, visto que afetaria a população em geral. O Centro de Coordenação integrada da Junta de Freguesia acionou todos os mecanismos de proteção e socorro. Inicialmente foram concebidos cartazes e outro tipo de comunicação sensibilizando a população para os cuidados a ter e quais os serviços que a junta de freguesia tinha ativado. Descrevo sinteticamente apenas algumas medidas que relatam a situação vivida nos Olivais. Procedemos á desinfeção do espaço público, incidindo em primeiro lugar nos locais com maior afluência, as frentes dos prédios, o passeio em frente às farmácias, o espaço circundante do Posto Médico, os mercados, as papeleiras, ecopontos e caixotes do lixo, as paragens de autocarro, os bancos na via pública, corrimãos e escadas, etc. Através das nossas bases de dados, foi prestado um acompanhamento sistemáticos aos idosos da Freguesia, na primeira fase da pandemia. Abarcando 2316 utentes, contactados no mínimo três vezes, num total de 7000 chamadas.
No mesmo período de março, foram também contactados e monitorizados todos os agregados das crianças de escalão A, B e NEE, a frequentar as escolas básicas de primeiro ciclo da Freguesia, abarcando 450 agregados, num total de 1350 chamadas.
Foram ainda acompanhados sistematicamente todos os utentes que por norma usufruíam das atividades Passeios Seniores e Passeios Culturais, abarcando 250 utentes, num total de 750 chamadas. Desde o primeiro momento, foi efetuado um acompanhamento regular de todos os utentes a frequentar o Centro de Dia da Junta de Freguesia de Olivais, tendo sido efetuando um total de 779 chamadas ao longo do ano.
Estamos On: Primeira linha geral de apoio a todos os fregueses no âmbito da pandemia de Covid-19, que efetuava a receção e encaminhamento dos pedidos de apoio e informações em diversas áreas. Linha Apoio à Empregabilidade, destinada a complementar as respostas à população, é especificamente dedicada às questões da empregabilidade, como o apoio na procura e acesso ao emprego, formação profissional, estágios, ou outros apoios especialmente criados neste contexto de pandemia. Linha de Emergência Social: Esta linha destina-se a todos os fregueses que atualmente se encontram em situação de vulnerabilidade necessitando de um apoio social. Tem como objetivo responder a situações de risco que necessitem da atuação emergente no âmbito da proteção social. As situações são encaminhadas para o serviço de intervenção social da Junta de Freguesia que efetua a análise, encaminhamento e acompanhamento das situações, de acordo com as necessidades de cada utente e as respostas sociais existentes na freguesia ou em articulação com outras instituições. Linha Estamos Aqui / Linha de Apoio Psicológico: Esta linha foi criada tendo em conta as questões emocionais ligadas ao isolamento e a todas as vulnerabilidades psicossociais decorrentes da pandemia, para prestar apoio psicológico, nomeadamente, a seniores que se encontram em isolamento social, indivíduos com doença mental e fragilidade emocional. Alimentação Confecionada: Apoio específico implementado na primeira fase da pandemia, para pessoas de risco e/ou sem capacidade para confecionar refeições ou recorrer a outros apoios para o efeito, englobando idosos, doentes crónicos e também doentes com COVID19. As refeições, confecionadas nos refeitórios das escolas da freguesia, foram entregues todos os dias úteis no domicílio, englobando todas as refeições diárias, inclusive para o fim-de-semana.
Para a distribuição, foi necessário utilizar seis viaturas cedidas pela CML, formando seis equipas de dois colaboradores, ou seja, doze pessoas que diariamente entregavam porta a porta a alimentação a todos os que por obrigatoriedade ou por precaução não saiam de casa.
Através deste apoio servimos cerca de 500 refeições diárias no período de março a maio, incluindo refeições para a Corporação de Bombeiros e equipa da PSP e Polícia Municipal a atuar na Freguesia. No início de junho, encontravam-se a receber este apoio mais de uma centena de famílias, tendo o apoio sido concluído em julho. Todos os agregados foram reavaliados: nalguns casos verificou-se a evolução positiva da situação com consequente autonomização face ao apoio; algumas situações foram encaminhadas para acompanhamento por outras entidades com competência/capacidade para o efeito e alguns casos foram transferidos para o apoio de emergência alimentar da JFO, passando a receber cabaz de alimentos semanal. Rede de Emergência Alimentar / Banco Alimentar da JFO: Resposta social alimentar, promovida pela Junta de Freguesia de Olivais em parceria com o Banco Alimentar Contra a Fome e tendo o apoio de algumas empresas e grupos de particulares que efetuaram doações ao longo do ano. Esta resposta tem tido um impacto social positivo refletindo no bem-estar das pessoas/famílias, assim como na poupança mensal no orçamento familiar.
Os agregados familiares foram sinalizados através dos contactos efetuados pela JFO a centenas de idosos da freguesia, pelo diagnóstico feito pela Parceria Local a nível do Bairro Bensaúde, através de sinalizações recebidas de outras entidades e através dos pedidos de apoio recebidos nas linhas de apoio disponibilizadas pela Junta de Freguesia de Olivais. Kit Social: Resposta social alimentar promovida pela Câmara Municipal de Lisboa, em articulação com a Junta de Freguesia, destinada a pessoas/famílias cuja situação atual, devido ao Covid-19, levou à perca/suspensão do rendimento/salário. O encerramento das escolas e outras instituições que prestavam apoio alimentar ou fornecimento de refeições, contribuiu para a desorganização económica e/ou familiar. O Kit Social é composto por refeições quentes: pequeno almoço, almoço e jantar e a sua distribuição é de 2ª a 6ª feira, incluindo o fim de semana.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J. - Os apoios focam-se muito nas áreas sociais, através dos fundos de emergência social da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia. As duas Autarquias, em conjunto têm estado presentes nas soluções necessárias e encontradas para colmatar os flagelos da COVID19. O apoio às empresas, à economia local, às famílias e às associações desportivas e culturais tem sido uma constante, bem como às Paróquias que têm um papel também fundamental no espectro social.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - Nos Olivais existe um problema, que são especificamente as questões de natureza social que se constatam na vivência do Bairro Bensaúde. Um bairro que se situa a Norte do território, na fronteira com o Município de Loures que, por diversos motivos, configura um problema de natureza social ao nível de minorias étnicas e integração. A grande Avenida Dr Alfredo Bensaúde configura uma barreira física que separa as duas partes do bairro, o que dificulta em certo modo o êxito de algumas medidas e por outro lado urge a necessidade de desenvolvimento de politicas publicas centrais, que envolvem todas as áreas desde a educação, passando pela integração social e empregabilidade, para resolução de uma série de questões mais particulares. Ao longo dos anos, muitas têm sido as medidas adotadas pela Junta de Freguesia, por forma a transformá-lo num local mais aprazível. Porém para questões mais profundas exigem-se soluções também elas mais consistentes e profundas. Estamos a trabalhar em conjunto com a Gebalis e a Câmara Municipal de Lisboa por forma a encontrar as melhores formas de solucionar aqueles problemas em concreto. Existem naturalmente outros pequenos problemas, sinalizados e acompanhados, que incidem em aspetos de natureza social, agravados pela Pandemia.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - Estamos neste momento a recuperar o ano 2020 em termos de investimentos no espaço público. Não podemos esquecer que foi um ano terrível que afetou todas as áreas e a Junta de Freguesia, pela urgência no socorro e prevenção da COVID19 (que se transformou na nossa única prioridade, secundarizou algumas intervenções emblemáticas no espaço público. Contudo, estão neste momento a ser executadas.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Tenho ótimas perspetivas. Que continuaremos a ser a mais bonita e mística Freguesia de Lisboa, local onde se consegue viver com a máxima qualidade vida.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - A mensagem que transmito sempre é a de um território fantástico para todos aqueles que cá vivem, que nos visitam e que por cá trabalham. É uma freguesia extremamente bem sem servida de transportes públicos, de equipamentos sociais e urbanos em todas as valências, desde escolas de todos os ciclos de ensino, a centros de dia, serviços de saúde (Centro de saúde e hospital), serviços públicos, bombeiros, Paróquias, clubes, associações e grandes espaços urbanos de lazer e convívio comunitário.
Como refiro muitas vezes, na freguesia dos Olivais não falta nada, até o Aeroporto Humberto Delgado é nos Olivais, para o bem e para mal.
Foi uma Freguesia pensada, planeada e a aposta da CML no final dos anos 50, foi numa conceção baseada no princípio da integração social, com vista ao equilíbrio pretendido pela coexistência das diferenciações e não pela separação destas. O olhar de então, sobre a materialização da visão sobre como habitar a cidade, persiste nos Olivais até aos dias de hoje. A lógica urbanística de articulação entre o espaço edificado e o não edificado, com evidente valorização das superfícies verdes fruto, em grande medida, de uma estratégia de habitação em múltiplos pisos, é algo que não devemos permitir que se perca pois reflete e espelha o nosso ideal de qualidade de vida.
Uma freguesia contemporânea que, apesar de tudo, desafia o passar dos anos e preserva em si o melhor dos seus recantos e da sua essência. Estamos confortáveis naquela que deve ser a conciliação/aproximação entre natureza-arquitetura-homem. Mantemo-nos em plena montra de desenvolvimento urbano e social e no fundo, vivemos num pequeno paraíso.
Sou uma Presidente feliz e os Olivalenses também.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - A situação financeira é confortável. Somos um grande organismo, que gere um grande território e dezenas de equipamentos. Para tal, é imprescindível possuir recursos humanos em quantidade adequada e recursos espacializados.
Não podemos esquecer que, apesar de sermos Freguesia, temos dimensão e responsabilidades que nos colocam ombro a ombro com a maior parte dos municípios do país. Esta circunstância requer também que a entidade seja robusta em termos de capacidade de gestão e planeamento.
Gostaria, naturalmente, de possuir um maior nível de receitas por forma a poder servir melhor os meus cidadãos. Contudo e em consciência, todos sabemos que nem todos os sonhos são possíveis de concretizar, por questões orçamentais.
Mas fazemos o melhor e o mais que podemos e isso já m deixa muito feliz. Estamos bem.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - A Câmara Municipal de Lisboa é um parceiro de excelência, seja na presença assídua na resolução de problemas, seja na cumplicidade e acompanhamento da nossa visão para o território. É para mim, enquanto Presidente, muito confortante sentir o apoio do Município a vários níveis, especialmente nas áreas que não se encontram na esfera das nossas competências. A visão descentralizadora de Fernando Medina tem permitido que muitos dos sonhos dos Olivalenses sejam tornados realidade. A nova lógica de governar a cidade, assente na Reforma administrativa de Lisboa, conferiu-nos mais poder, mais competências e mais responsabilidade. Contudo, tudo faz mais sentido quando a partilha de visões e planeamento assenta numa postura institucional holística da cidade e de cada um dos territórios. E esta minha verdade, no último ano foi sentida pelos Olivalenses na justa medida em que sentiram e perceberam todos o trabalho conjunto que fizemos, Junta de Freguesia e Câmara, em abono da sua segurança face à COVID19. Estivemos sempre presentes e continuaremos a estar. Não estamos assim, SOMOS ASSIM, presentes nas vidas das pessoas para as servir.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Uma mensagem de esperança, uma mensagem de resiliência face ao momento que passamos e às distâncias que somos obrigados a cumprir e o desejo de muita luz para toda a comunidade, para as nossas crianças, para os nossos idosos, para todos e um pouco da minha fé no futuro.
Deixo também a certeza de que estarei sempre, enquanto quiserem que esteja, aqui para os servir, de alma e coração e com a maior dedicação. Ainda não construi todas as fases do meu sonho. Há muito mais para fazer e os nossos Olivalenses sabem que podem contar comigo.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - A resposta é simples. Porque sou mulher e as mulheres conseguem tudo aquilo que em que acreditam. E eu acredito na família, acredito na grandeza da missão pública e acredito em mim.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Uma mensagem de agradecimento por levaram a voz das autarquias de proximidade e dos Autarcas mais longe. O nosso trabalho é muitas vezes invisível e não reconhecido. Assim, o Jornal das Autarquias está de Parabéns por perceber que a governação de proximidade é efetivamente aquela que pulula diretamente na veia dos cidadãos.

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