Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Avenidas Novas

Ana Maria Gaspar Marques

J.A. – Valoriza o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - Como em toda a cidade, antes da pandemia, fomos envolvidos no boom turístico. Este território é central e muito apetecível. Esta freguesia acolhe e estima variados “públicos”. O turismo gerou aqui (e, em toda a cidade) emprego e interação.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J. - A violência doméstica é um mal social bem presente na nossa sociedade. Por isso, é preciso uma atenção constante para que consigamos levar a bom porto esse combate... Como em muitas outras áreas, e porque os jovens são o futuro imediato, devemos estar atentos às escolas e enfrentarmos todos os problemas relacionados com a violência... Mas sobretudo ter consciência que a prevenção e um olhar atento para este crime público são prioritários. Creio que a Escola tem aqui um papel decisivo no sentido de mudança comportamental.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - Como já referi, é junto dos mais jovens que deveremos continuar a trabalhar para garantir um melhor futuro. Existem modelos de comportamento social a que deveremos estar atentos e resolver de imediato... E a verdade é que temos de subir mais um degrau na consciência de responsabilidade de cada um, principalmente os pais, pois é em casa que tudo começa...Os professores e as escolas não conseguem tudo...Outro fenómeno complexo que convoca a sociedade. As instituições e as famílias têm de estar atentas.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - A violência é a resposta primária de quem não tem razão...
Temos, cada um por si, de ter mais sentido do coletivo, que todos somos só um, no mundo, na sociedade, na família, com os amigos... Esta transição para uma sociedade digital tem perigos, claro, e temos de conseguir não deixar que os jovens se isolem, criar mais vínculos com a sociedade e o mundo no seu todo, com as diferenças existentes porque, com esta consciência, temos a garantia para a inclusão de todos e com os grandes desafios de um mundo cada vez mais inclusivo.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - Realidade que eu conheço! Quero dizer-lhe que uma das minhas primeiras medidas foi dinamizar a ASAN, a nossa Academia Sénior, com o objetivo de melhorar muito o seu funcionamento... Hoje, temos todas as atividades de carácter físico garantidas para esta população e, também, programas de saúde e de bem-estar psicológico. Nestes períodos de pandemia, percebemos o maior isolamento a que muitos estão sujeitos e as graves consequências que daí podem advir. O atendimento 24 horas e o futuro autocarro de bairro são também medidas que destacamos. Distribuímos, desde março do ano passado mais de 500 kits de refeição à população mais carenciada e no caso dos séniores, demasiado isolada.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J. - Penso que as medidas que o governo tem implementado têm sido corretas. É necessário mais consciência por parte das pessoas. Todos nós contribuímos para o sucesso ou insucesso deste combate à pandemia... Está nas nossas mãos. Ninguém adivinhou esta pandemia! E por isso…

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.J. - A vacinação está a decorrer dentro do que foi previsto e está a ser feito um esforço notável para cumprir os objetivos determinados, como é a criação do centro de vacinação que agrega as freguesias de Avenidas Novas, Campolide e Alvalade... Pela nossa parte, dado que é uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa com as juntas de freguesia, temos dado apoio diário com funcionários nossos, para questões de diversas de ordem logística...

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J. - Estamos atentos e desde o primeiro momento que montámos um sistema de resposta às várias problemáticas... Relativamente ao problema específico da alimentação posso dizer-lhe que estamos a distribuir em toda a freguesia, mais de 1500 refeições diárias, desde Março de 2020.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J. - Até ao momento, e sempre em articulação com várias entidades, especialmente a CML, temos tido toda a ajuda necessária... Esta articulação tem sido, e é, uma grande mais-valia para as operações diárias da freguesia.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - Não temos um problema... Temos muitas soluções a serem implementadas e, temos sobretudo, uma grande vontade de chegar ao momento de ver os nossos fregueses a passear de novo nas ruas e avenidas, usufruírem do nosso variado comércio local.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - Continuamos a trabalhar na Higiene Urbana, na segurança e em todos os sectores que reparam urgências.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Esta é uma notável zona da cidade em que a economia e o futuro se cruzam. Continuamos a trabalhar arduamente para esse desiderato.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - Zona Central da cidade, servida por todos os meios de transporte, com jardins, ciclovias e equipamentos culturais vários, parques subterrâneos e um forte tecido socioeconómico. É fácil “fazer marketing” deste extraordinário território!

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - Sólida. Temos para cada pelouro, especialistas na área. Só assim uma junta de freguesia da cidade pode ser gerida!

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - Como já tive oportunidade de referir, a nossa junta de freguesia vive em permanente articulação com todos os serviços da CML... Penso que tal acontece com todas as freguesias da cidade, e portanto o apoio nas mais diversas áreas, é permanente.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Precisamos de continuar a exercer com a nossa capacidade de resiliência e de trabalhar em rede. Certos de que nada é para sempre... Nem uma pandemia!

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Herdei uma vontade e determinação em resolver problemas que afetam os outros. E tenho família “à minha semelhança”.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Que continue com o seu bom trabalho e agradeço o vosso convite para esta entrevista. Bem hajam.

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