Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia do Areeiro

Fernando Manuel Moreno D`Eça Braamcamp

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O Areeiro é uma freguesia tendencialmente urbana, onde o sector primário não tem representatividade, por outro lado a beleza, localização, comercio e história da nossa Freguesia tem bastante interesse turístico, não só nas avenidas largas com a tradicional calçada portuguesa como na arquitetura dos prédios, que mantêm a traça original, mas também com monumentos como a Fonte Monumental.
Com autarca acredito que devo procurar proteger a Freguesia onde cresci e defender todos os fregueses e comerciantes da Freguesia, que vivem e trabalham no território do Areeiro.

J.A- O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- A Junta de Freguesia do Areeiro, é muito próxima da população e acompanha todos os casos que tem conhecimento, tanto com apoio psicológico com apoio social, tendo ainda uma relação de proximidade com a Policia de Segurança Pública. Antes de pandemia procurámos sempre promover fóruns de discussão sobre temas da sociedade, nomeadamente a violência doméstica porque consideramos da máxima importância alertar e mostrar às vitimas que não estão sozinhas porque muitas vezes as situações resultam de uma degradação gradual.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- As crianças da Freguesia do Areeiro estudam muitas vezes fora da Freguesia, devido às lacunas da Carta Pedagógica que não oferece qualquer prioridade às nossas crianças, o nosso meio escolar tem um ambiente familiar e prestamos todo o apoio necessário às escolas da freguesia. As crianças do Areeiro são na sua maioria, se não todas acompanhadas pelos cuidadores formais e mesmo os adolescente são o resultado de uma Freguesia familiar, com um espirito de comunidade muito presente em todas as gerações.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- O Areeiro é uma Freguesia central da Cidade de Lisboa e está muito bem servida de transportes públicos, neste sentido em condições normais é visitada por imensas pessoas, recebemos alguns relatos de assaltos e vandalismo na freguesia, uma situação que nos preocupa e motivou a adquirir um veículo para a PSP, promovendo o policiamento de proximidade, não consideramos que os nossos fregueses, independentemente da idade, pratiquem atos de violência gratuita, mas não podemos fechar a freguesia à nossa comunidade.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A Freguesia do Areeiro acredite no envelhecimento ativo e no apoio e acompanhamento personalizado das pessoas, no Areeiro ninguém fica para trás, além da Academia Sénior, dos passeios, caminhadas e todas as atividades que promovemos junto da população com mais de 55 anos.
Criámos o programa “Olá Bom Dia!” com contactos telefónicos regulares a 53 pessoas que vivem sozinhas e com este programa quebram o isolamento e têm um apoio necessário e muitas vezes capaz de evitar ou resolver situações próprias de quem vida só.
Prestamos ainda serviços gratuitos de entrega de bens alimentares e mesmo passeio de cães com uma bolsa de voluntários.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- Todas as entidades responderam o mais rapidamente possível à situação, sempre de acordo com as indicações da DGS, muitas vezes emanadas pelo OMS, só no final de todo o processo podemos fazer uma análise assertiva das medidas, algumas medidas não são consensuais, mas o mais importante será ultrapassar esta pandemia o mais unidos possível.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.J.- Na nossa Freguesia estamos a prestar todo o apoio possível, com uma linha de apoio amplamente divulgada pela comunidade e ainda com o transporte de todos aqueles que precisam do nosso apoio. Destacámos ainda trabalhadores para o centro de vacinação do Areeiro e continuamos a prestar todo o apoio logístico desde o primeiro momento.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J.- A Junta de Freguesia tem prestado todo o apoio possível e continuamos a ter uma resposta eficaz e efetiva para todos os que nos procuram.
Reforçámos a nossa bolsa de emprego e formação e criámos novas formas de contactar a população
Disponibilizamos ainda uma aplicação totalmente gratuita, sem qualquer custo para os comerciantes que podem usufruir de um centro comercial online, podendo os clientes optar pelo serviço gratuito de entregas efetuadas pela Junta de Freguesia, nos dias úteis e no prazo de 24 horas, ou por recolher os produtos nas lojas. Com esta resposta todos os comerciantes podem ter uma montra digital, um mercado com bastante procura durante a pandemia.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- De forma direta o governo não tem prestado apoios à Junta de Freguesia, apenas temos concretizado alguma parcerias com a CML, nomeadamente a nível dos cabazes alimentares e do Fundo de Emergência Social.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Alguns problemas foram agravados, como por exemplo o estacionamento e a segurança. A atribuição de lugares de estacionamento para esplanadas e a permanência de pessoas nas residências reduziram a oferta, mas a situação ficou mais grave com o encerramento de um parque de estacionamento da nossa Freguesia.
A segurança ficou abalada, como os fregueses têm sentido e relatado, desde a chegadas das carrinhas dispensadoras de metadona e ainda com algumas pessoas em situação de sem-abrigo que acabam por ser expulsas do centro de emergência situado no Casal Vistoso. Estas pessoas são recolhidas fora da freguesia, transportadas para o centro de acolhimento e depois abandonadas numa zona que não conhecem.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Como disse anteriormente, precisamos de resolver a situação das pessoas sem-abrigo e recuperar o Complexo Desportivo do Casal Vistoso, só assim as restantes pessoas podem usufruir do espaço. Será uma questão de equidade, não podemos prejudicar centenas de pessoas para acompanhar de forma pouco eficaz noventa, algumas há um anos a dormir em camas improvisadas.

J. A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Acreditamos que em breve teremos uma nova carta pedagógica para a cidade de lisboa e já estamos a construir uma creche para os mais novos poderem estudar na freguesia onde vivem.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A Freguesia do Areeiro é bastante reconhecida pela sua centralidade e ainda pelo comércio de bairro, recentemente tivemos de tomar medidas especificas para promover o comércio, como no dia da criança do ano passado onde oferecemos um presente da Livraria Barata, através de um vale, modelo que utilizámos do Natal e nos habituais apoios, como o cabaz de natal, os fregueses recebem sempre vales para adquirir as suas compras no comércio local. Disponibilizamos ainda uma aplicação totalmente grátis e com entregas gratuitas, todos os custos são suportados pela Junta de Freguesia do Areeiro

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- A situação financeira está um pouco encapotada com alguns apoios do Governo, algum comércio tem fechado as portas e as famílias continuam a contar com o nosso apoio porque sempre gerimos o nosso orçamento de forma equilibrada.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Além dos processos naturais de transferência de verbas, contamos ainda com alguns contratos de delegação de competências.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- A mesma mensagem de sempre, É Bom Viver no Areeiro, é nesta máxima que acreditamos e trabalhamos diariamente.
Continuamos ao lado dos nossos fregueses, comerciantes e todos os que nos visitam, mesmo quando não podemos estar perto fisicamente

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Vivo na Freguesia desde os meus seis anos de idade, as pessoas da Freguesia já fazem parte da minha família alargada e a minha família está habituada a minha atividade.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Agradecer todo o trabalho da equipa do Jornal das Autarquias para responder de forma rápida e eficaz à necessidade de publicitação e divulgação do trabalho das diferentes freguesias e assim enaltecer a importância do trabalho de todos os trabalhadores e autarcas das diferentes freguesias.

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