Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga

Jorge Paulo Costa Carvalho

J.A. - Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.U.F.-Na minha opinião o aeroporto do Montijo não deve ser construído naquela zona, pois irá trazer um impacto ambiental negativo que se irá manifestar com o passar dos anos. Além do mais, não trará também qualquer beneficio para a nossa Freguesia.

J.A. - Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.U.F.-Todos os sectores existentes na nossa Freguesia são valorizados por este Executivo, tanto a nível da exploração/fabricação de pedra, o comércio ou o turismo, todos eles dão um contributo importantíssimo para a Freguesia. Neste momento o que se tem notado é que devido a toda a situação que o país está a atravessar devido à pandemia covid-19, o turismo deparou-se com algumas dificuldades. No entanto a nossa Freguesia tem lindas paisagens e parques de merendas que continuam a pode ser visitados ( com a excepção das casas de banho públicas ainda não poderem ser frequentadas), tais como as Lagoas do Arrimal, o Parque "Telhados de Água" e o parque-"O seu Parque".

J.A. - O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.U.F.-A violência doméstica é um crime violento que resulta de um desequilíbrio de poder entre homens e mulheres. Trata-se de uma grave violação dos Direitos Humanos que limita a autonomia e a liberdade tanto nas mulheres como também já tem vindo a surgir casos nos homens. Na minha opinião a violência seja a que nível for nunca nos leva a lado nenhum. E acho que as medidas recentemente implementadas para as vitimas no caso da violência doméstica ainda são muito aquém do expectável e da segurança que estas devem ter.

J.A. - A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.U.F.-No meu ponto de vista existem vários factores para que exista esta delinquência infantil cada vez mais acentuada na nossa sociedade, tais como: a desagregação familiar, a distorção dos valores educacionais e a falta de acompanhamento das atividades exercidas pelos jovens de hoje em dia, muito por culpa de toda a correria e falta de tempo por parte dos encarregados de educação. De salientar que na nossa Freguesia felizmente ainda não existem casos que cheguem a este patamar.

J.A. - O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.U.F.-Como já respondido anteriormente a violência seja de que tipo for, física ou psicológica, nunca será uma forma de resolver qualquer tipo de assunto.

J.A. - Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.U.F.-Felizmente no nosso meio ainda não é um dos maiores problemas, pois a nossa Freguesia é composta por aldeias que os familiares ainda são muito unidos, ou mesmo os vizinhos estão sempre dispostos a ajudar o outro. No caso da Junta de Freguesia ser chamada a intervir nestes casos, prontificamo-nos a avaliar a situação e procedemos aos meios necessários que a situação assim o exija.

J.A. - O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.U.F.-Na minha opinião as medidas tomadas pelas DGS talvez não tenham sido as mais completas, mas acredito que no meio de toda a situação foram as possíveis de implementar num curto espaço de tempo. Tem se verificado muitos casos na população idosa e cada vez mais em lares, presumo que neste setor as medidas não tenham sido cumpridas com o rigor que deveriam ser.

J.A. - Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.U.F.-A Prevenção continua a ser a mesma como em anos anteriores, o corte de mato com as distâncias que a lei impõem e a proibição de queimadas.

J.A. - Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.U.F.-Para ser sincero não temos recebido apoio nenhum, mas felizmente também não temos vitimas a registar.

J.A. - Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.U.F.-Um dos maiores problemas da Freguesia neste momento é a falta de médico de família.
Desde o passado dia 21 de fevereiro que a nossa médica de família deixou de estar ao serviço, ficando assim cerca de 1704 utentes sem serviços médicos, sendo 40% da população idosa. Além da falta de médico de família, também o enfermeiro e a administrativa foram destacados para a sede de Porto de Mós, ficando a população sem qualquer tipo de auxílio, tendo a Junta de Freguesia assumido a responsabilidade de receber pedidos de receitas e baixas médicas entregado-as no Pólo de Serro Ventoso. Informo também de toda a dificuldade que maior parte da minha população tem em deslocar-se a outros Pólos de saúde, pois nem meios de transportes públicos existem, com alguma frequência, para uma possível deslocação à sede de Porto de Mós. Já entrámos em contacto com o coordenador da UCSP Porto de Mós, Dr. Nuno Couto, expondo também a situação, à qual obtivemos a seguinte resposta: prevê-se que a ausência da Dra. Mélody Santos, responsável pelo ficheiro de utentes de Arrimai e Mendiga seja até ao final do corrente ano e que em principio só é possível dispensar uma administrativa a partir de outubro do corrente ano.
Como Presidente de Junta continuo sem me conformar com toda esta situação, pois a Junta de Freguesia e toda a minha população não tem culpa de não existirem recursos para nos auxiliarem, uma vez que está na constituição o direito ao médico de família. Posto isto, avançamos por outros recursos, entrando também em contacto com a Sra. Dra. da ACES Pinhal Litoral, Delfina Carvalho, expondo-lhe também toda a situação que estamos a passar e solicitando uma reunião presencial com a mesma, a fim de conseguirmos resolver o assunto em questão.
Enviámos ainda um e-mail ao Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós solicitando também ajuda por parte do Município para conseguirmos chegar a uma reunião presencial com a Dra. do ACES Pinhal Litoral.
Por último foi também enviado um email para todos os partidos com acento na Assembleia da República, tendo sim recebido apenas uma reposta pelo partido Bloco de Esquerda que se mostrou disponível para intervir no tema.
No passado dia 16 de julho reunimos com a Sra. Dra. da ACES Pinhal Litoral, que disse que entretanto o assunto irá ser resolvido, o qual ainda continuamos a aguardar.
Como Presidente de Junta e cidadão estou muito insatisfeito e acho que isto é inadmissível.

J.A. - Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.-Existem mais dois problemas que necessitam de maior intervenção na nossa Freguesia que são: a implementação de mais oferta de trabalho na nossa zona para assim poder existir uma maior fixação por parte dos nossos conterrâneos, e a falta de rede móvel e internet que é cada vez mais escassa. Este último problema já está a ser debatido e prevê-se que para o fim do ano 2021 já existam melhorias.

J.A. - Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.U.F.-Perspectiva-se um futuro bom, onde se vive num ambiente tranquilo e saudável e com os acessos necessários às nossas necessidades.

J.A. - Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.U.F.-Ser eleito Presidente de uma junta de Freguesia é servir toda a nossa população, tentando estar o mais possível ao dispor de toda a comunidade. Transmito sempre uma mensagem de confiança, incentivando os mais jovens a fixarem-se na Freguesia para que esta continue a progredir no seu desenvolvimento. Pois já temos vários sectores, como pequenos negócios do comércio, o banco - Caixa de Crédito Agrícola, a Farmácia, locais de restauração, alojamentos rurais, exploração de pedra, etc. e acho que devemos continuar a investir na Freguesia.

J.A. - Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.U.F.-A situação da Freguesia neste momento encontra-se razoável.

J.A. - Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.U.F.-O nosso Município tem-nos apoiado dentro da normalidade e consoante a lei das Autarquias Locais.

J.A. - Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.U.F.-Envio-lhe uma mensagem de esperança de um futuro melhor, pois é para isso que o Executivo desta Junta de Freguesia trabalha todos os dias. Salientado que estamos sempre ao dispor de todos os cidadãos para conseguir dar o apoio necessário.

J.A. - Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.-Ser Presidente de uma Junta de Freguesia é dedicar maioritariamente o nosso tempo à comunidade, colocando em segundo plano a nossa vida pessoal e profissional e para que tudo isto aconteça é necessário ter um bom suporte familiar, por vezes não é fácil que a nossa esposa e filhos concordem com o tempo disposto que o pai e o marido, ou seja, o Presidente de Junta está ausente, fazendo por vezes bastante falta. Mas com bom senso de ambas as partes tudo se consegue.

J.A. - Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.-A mensagem que vos quero deixar é de gratidão, por nos ser permitido através do jornalismo divulgar tanto os aspectos negativos como os aspectos positivos das Freguesias.

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