Entrevista da Presidente da Junta de Freguesia de Arrabal

Helena Cristina da Fonseca Brites

J.A- Qual a vossa opinião sobre a temática “Aeroporto/Montijo”?
P.J.-Tendo em conta a situação pandémica e o impacto provocado pela mesma, e considerando que o aeroporto de Lisboa só agora começa a retomar os seus níveis de normalidade, parece-me pertinente que o processo tenha parado, por agora. Futuramente, caso a situação possa retomar a normalidade, pelo enorme impacto positivo que terá ao nível da atividade económica e de criação de novos postos de trabalho, parece-me uma decisão benéfica para o país.

J.A- Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.-O setor primário não representa na freguesia, neste momento, uma área forte. A existência do mesmo diz apenas respeito à subsistência a nível familiar, onde se regista com frequência o cultivo de uma área reduzida de terreno agrícola, apenas destinado ao consumo próprio.
No que diz respeito ao turismo existem fortes potencialidades, visto que a atividade cultural da freguesia é bastante dinâmica, havendo a destacar a existência de duas Filarmónicas, um Rancho Folclórico, um Museu Etnográfico e um Grupo Coral. Para além disso há ainda um número avultado de artistas individuais, desde músicos, artistas plásticos, bailarinos, poetas e escritores, havendo também lugar para a encenação teatral. A Freguesia tem ainda espaços verdes e uma envolvente natural muito muito agradável e aprazível à realização de passeios e caminhadas pela natureza. A oferta gastronómica não é uma área forte, mas é existente. Neste sentido, reúnem-se as condições para forte atração turística, esforço que já está neste momento a ser desenvolvido em conjunto com o Município de Leiria, com vista a promover cada vez mais além, em termos de projeção, o potencial da Freguesia.

J.A- O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.-A violência doméstica é um flagelo social que tem vindo a conquistar algum terreno de ação em termos de avanço positivo, no entanto muito ainda há a fazer. As medidas aprovadas recentemente pelo governo no âmbito da situação pandémica, que visam reforçar as respostas para prevenir e combater a violência contra as mulheres, foram extremamente positivas e isso é um sinal claro que este assunto representa um papel que está na linha da frente em termos de consideração governamental.

J.A- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.-Em termos da Freguesia que lidero, concretamente, esse problema não é preocupante, no entanto em contexto escolar o bulliyng é ainda uma realidade à qual quer pessoal docente, quer não docente, bem como as famílias deverão estar muito atentas. Ainda assim penso que, à semelhança da violência doméstica, também este assunto tem vindo cada vez mais a ser abordado, sendo inúmeros os esforços já desenvolvidos para o colmatar.

J.A- O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.-A violência gratuita é, possivelmente, fruto de duas situações divergentes: uma delas estará relacionada com extratos populacionais de carência económica gerada da revolta do “querer ter”, sem desenvolvimento de esforços nesse sentido. Por outro lado, temos também uma geração educada com demasiados “luxos”, que não aprenderam o significado da palavra não, atingindo a vida adulta numa perspetiva de que todos lhe deverem satisfações, sem nada ter que dar em troca, a não ser a expressão “exigir mais”.

J.A- Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.-No que diz respeito a envelhecimento populacional, sempre que se justifica, a Autarquia Local articula com a Autarquia Municipal, no sentido de assegurar o apoio necessário através de programas criados quer em termos de apoio alimentar, quer logístico ou psicológico. Apoia ainda um programa artístico que visa promover o bem-estar psicológico e emocional.
A Freguesia tem uma IPSS destinada ao acolhimento da população sénior, quer em termos residenciais, quer de centro de dia e apoio domiciliário. As mensalidades já têm em conta o poder económico das famílias e até hoje não temos a registar qualquer idoso que tenha ficado sem resposta por falta de recursos financeiros.

J.A- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.J.-As medidas tomadas pela DGS parecem-me pertinentes. Cabe à autarquia o reforço constante do apelo à população para que se consciencialize do seu papel de responsabilidade individual, tendo sido promovidas várias campanhas quer de informação, quer de distribuição de equipamento de proteção individual.

J.A- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
P.J.-Penso que a pergunta se refere à questão dos incêndios florestais. Neste âmbito, temos na freguesia uma equipa criada para o efeito das devidas medidas de prevenção, que foi constituída no ano transato, no âmbito do programa Aldeias Seguras. Essa equipa está alerta e disponível para colaborar quer em termos de patrulhamento e vigilância, quer de apoio em caso de catástrofe.
Para além disso estão a ser efetuados patrulhamentos regulares por parte dos bombeiros municipais, Serviço Municipal de Proteção Civil e GNR.

J.A- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J.-Do Governo, por delegação de competências da câmara Municipal, tem sido mantida a faixa de gestão de combustível de 10 metros ao longo das principais vias de acesso à Freguesia. Nesta freguesia em particular não se registaram quaisquer danos, e em termos de outro tipo de apoio, tal como referido na pergunta 8, tem sido assegurado o patrulhamento de prevenção e vigilância.

J.A- Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.-Neste momento, um dos problemas é a falta de segurança. Têm-se vindo a registar cada vez mais assaltos, quer a viaturas, quer a residências. Há ainda referir a existência e/ou tentativa de burlas.

J.A- Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.-Outros problemas que necessitam de intervenção são a adequada limpeza dos caminhos florestais para acesso de viaturas no combate aos incêndios, bem como a limpeza das linhas de água que se encontram em péssimas condições.

J.A- Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.-Perspetivas futuras que nos identificam são sobretudo a criação de um centro de artes, com o intuito de promover um trabalho de maior partilha comunitária, utilizando o mediador artístico como potencial de união, coesão e projeção comunitária.

J.A- Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.-A grande mensagem de investimento nesta freguesia é, sem dúvida, a riqueza cultural e o seu património imaterial, arquitetónico e etnográfico. É uma freguesia rica de gentes, lendas, poetas, músicos, beleza natural e paisagística. Local aprazível para residir, com localização privilegiada quer em termos de proximidade com a beleza da cidade de leiria, quer das principais vias de acesso a todos os pontos do país.

J.A- Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.-No que diz respeito à situação financeira, importa referir que os recursos existentes são sempre escassos relativamente às reais necessidades. O orçamento da Junta de Freguesia é gerido com as verbas oriundas do fundo de financiamento das freguesias, que nos chega pela DGAL, e pelas verbas do município de Leiria (acordo de execução/contratos interadministrativos e pedidos de auxilio). As receitas próprias são muito escassas e resultam apenas de um serviço que prestamos à população relacionado com o transporte de doentes não urgentes e pelos serviços de exumação. Tendo em conta que grande parte do orçamento é absorvido pelas despesas correntes, há necessidade de efetuar uma gestão muito contida, apenas de acordo com as reais capacidades, sempre com a preocupação de manter um saldo positivo.

J.A- Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.-De acordo com o referido no ponto 14, a CML por delegação de competências na Junta de Freguesia, transfere verbas específicas pelos acordos de execução e contratos interadministrativos, bem como prestar um apoio financeiro para despesas correntes e de capital, manifestando-se sempre disponível para colaborar sempre que manifestarmos essa necessidade.

J.A- Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.-A mensagem que pretendo passar à população é que de facto todos juntos seremos mais fortes para a projeção de uma imagem positiva da freguesia. Neste sentido, o caminho que conduzirá ao sucesso deste lema consistirá na realização de trabalho conjunto associativo, mediado pelas artes que são o ponto forte da nossa identidade.
Transmito ainda a mensagem que a Junta de Freguesia está sempre disponível para ouvir as pessoas, equipas e ideias que possam contribuir para a melhoria do serviço que prestamos à população. Com espirito colaborativo e de união, “todos juntos seremos mais fortes”.

J.A- Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.-A gestão destas duas valências é feita tendo sempre em conta a prioridade mais urgente, é preciso ter foco, capacidade de organização e também educar a população no sentido da presidente delegar competências nos restantes membros do executivo, não podendo estar em todo lado. Há que ensinar a respeitar também o espaço de privacidade individual, sendo que os assuntos da Junta devem ser tratados no local próprio. Claro que há exceções, em casos urgentes ou de catástrofe, a missão do Presidente de Junta sobrepõe-se à vida familiar, onde todos têm que manifestar apoio e compreensão.

J.A- Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.-O Arrabal é uma Freguesia em movimento, onde a cultura e as artes imperam. Do talento artístico ao cultural, a Freguesia reveste-se também por belas paisagens naturais, repletas de histórias e lendas, convidativas à realização de percursos pedestres pela natureza.

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