Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Vale da Mula

David Ruivo Fernandes

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - O sector primário é um dos sectores fundamentais de Vale da Mula. A Freguesia de Vale da Mula é conhecida por ser uma freguesia onde grande parte dos habitantes vive do sector primário, sendo a maior freguesia do Concelho de Almeida neste sector. Para além disso, temos Agricultores de referência, que tem vindo a fazer avultados investimentos nesta área incrementando o sector primário como o grande motor de desenvolvimento de Vale da Mula e do Concelho de Almeida. Para mim enquanto Presidente de Junta é um orgulho Vale da Mula ter este papel, cabe á tutela continuar a investir para que mais pessoas se fixem no interior de Portugal e apostem nesta área. Em relação ao Turismo, pese embora Vale da Mula não tenha uma aposta clara neste sector, encontra-se entre Almeida e Aldea del Obispo , que têm duas fortalezas de interesse nacional e internacional, e graças a isso vemos alguns investidores a apostarem no sector da restauração como foi o Restaurante Mulagueta .

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J. - Em relação á Violência Doméstica, sou contra qualquer tipo de violência gratuita, sendo que a doméstica é uma das que infelizmente, por problemas sociais entre outras têm vindo a aumentar. No nosso caso enquanto junta devemos ter um papel ativo não só enquanto autarcas, mas também enquanto cidadãos para combater este flagelo social. Sempre que nos solicitados, estamos disponíveis para colaborar com as entidades competentes, e estar atentos para que se reduza o número de casos. De referir que até ao momento não existe violência doméstica na nossa freguesia.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - Infelizmente Vale da Mula já não tem escola. E dos poucos alunos que temos conhecemos a realidade, pois privilegiamos políticas de proximidade onde temos a convicção que as nossas crianças são felizes e não tem qualquer problema deste género.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - A violência gratuita, advém dos tempos difíceis que vivemos e viveremos nos próximos tempos, da falta de proximidade dos partidos do arco de poder com os cidadãos que abre espaços a organizações extremistas, fundamentalismos e intolerantes que promovem este tipo de violência gratuita. Este tipo de organizações aproveitam-se de alguma exclusão social, do descontentamento de sectores que foram abandonados pelo estado e da corrupção e impunidade que infelizmente assistimos diariamente. A única solução é estarmos próximos das pessoas e servi-las para perceber de que forma as podemos ajudar a ultrapassar as dificuldades. Um Politico é alguém que serve a sociedade e não está para se servir da mesma, só assim praticando o bem é que poderemos trabalhar todos em uníssono para uma sociedade mais justa e equilibrada.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - Aqui é fácil responder. Sendo uma freguesia com poucos habitantes, somos quase uma grande família, onde todos sabemos um pouco a vida de todos. Desde a primeira hora que este executivo ao qual me orgulho de presidir, definiu como prioridade estar próximo das pessoas, somos gente de ação e que reponde rápido a qualquer solicitação seja ela financeira, logística ou pessoal .

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J. - Como qualquer País, Portugal não estava preparado para uma situação atípica destas, pese embora o Governo tenha estado muito bem na primeira fase nesta segunda houve algumas indecisões que a meu ver refletiram muito os números que hoje estamos a viver. Estas decisões só pecam por tardias, mas cá estaremos na linha da frente para mitigar os problemas.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J. - Na nossa Zona o que se passou foi exatamente o mesmo que em todo o Mundo, mas aqui nós enquanto Presidentes de Junta soubemos contornar a situação, e não houve ninguém em Vale da Mula que necessitasse de apoio que não fosse ajudado pela Junta de Freguesia, de qualquer forma durante este período fomos reforçando com EPI´S e neste momento estão garantidos os recursos necessários á população de Vale da Mula.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J. - Do Governo não tivemos qualquer apoio, da autarquia recebemos sensivelmente 1000 euros. Apoiamos a população com EPI´S, e nas pessoas com algum isolamento social e falta de mobilidade, a Junta disponibilizou um serviço para compras no supermercado, Farmácias e tudo o que as pessoas necessitem para não terem que se deslocar , salvaguardando assim a sua segurança . Por outro lado vamos passando gradualmente para que as mesmas não se sintam sozinhas e que saibam que alguém está sempre por perto, mesmo que a família esteja longe, cabe-nos a nós garantir a proximidade e a segurança dos mais frágeis.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - O principal é a falta de pessoas, e com isso não há muita iniciativa privada. É necessário de uma vez por todas o investimento público em territórios de baixa densidade populacional, só com investimento público é que poderemos inverter este ciclo negativo que ameaça a nossa região.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - O mais urgente neste momento é garantir a requalificação de infra-estruturas como a sede da junta, salão de festas, jardins, fontes. Mais investimento em pessoas com programas que juntem mais a população e que seja um atrativo morar nestes sítios.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - Eu pessoalmente como Gosto de Vale da Mula, tenho sempre uma expectativa positiva, mas a realidade é outra, se não forem garantidos investimentos no interior iremos assistir tristemente ao abandono do território, mais que falar do interior porque é bonito é necessário ter coragem politica para se pensar neste território também como um motor de desenvolvimento.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - A mensagem que eu levo, é que Vale da Mula é a capital agrícola do concelho de Almeida, com grande tradição nesta área para além disso estamos perto de Espanha o que poderá ser visto também como uma oportunidade, depois é a qualidade de vida que não se tem nas grandes cidades.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - A situação financeira da Junta é estável, fazemos uma gestão rigorosa dos dinheiros públicos, temos poupado algum dinheiro, que irá ser investido quando a autarquia cumprir com os compromissos feitos com a Junta de Freguesia.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - Neste momento nenhum. Apenas contamos com a Associação de Freguesias, que assume um papel quase predominante no apoio ás juntas, por parte da autarquia é nenhum, porque continuamos a aguardar pelos protocolos de delegação de competências / acordos de execução. Mas o Presidente já assumiu que seria este ano, por isso acreditamos que Vale da Mula terá esses investimentos garantidos.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - As pessoas conhecem-me, sou uma pessoa humilde ao serviço do meu povo. Para mim o mais importante que qualquer Partido são as pessoas, e é para elas que governamos, somos tão poucos que deveremos lutar todos para o progresso da nossa freguesia, pois só juntos somos mais fortes.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - Não consigo. Um autarca está presente e disponível a qualquer hora para as pessoas, é esta a nossa missão e é esse o compromisso que tenho. Abdico da minha vida pessoal e familiar para poder estar presente e representar Vale da Mula com orgulho nesta nobre arte que é a política autárquica, para mim e para a minha equipa é o nosso contributo por quem mais amamos o nosso povo, e todos sabemos que para se dedicar a um projeto como é uma freguesia temos que abdicar do que mais gostamos de fazer e por vezes dos que mais amamos a nossa família.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - A mensagem que gostaríamos de deixar, é que continuem a fazer um excelente trabalho em prol da política autárquica, dando voz a todos aqueles que estão no terreno todos os dias, contribuindo assim para um País mais solidário e democrático

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