Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Montes da Senhora

Carlos Manuel Ribeiro Gonçalves

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A Freguesia de Montes da Senhora tem variado património religioso, fontes de mergulho, miradouros na Serra das Talhadas, locais de interesse natural, fornos comunitários, jardins e, de momento, está a ser construída uma Torre com 16 m, aproximadamente, na Serra das Talhadas (projetada por Siza Vieira) e um Parque de Caravanas, no Chão do Galego. Os percursos pedestres e o local dos Fortes e Bataria, sob a Ponte do Alvito são, também, atrativos adicionais. Na Ribeira do Alvito está prevista a construção um ponto de água recreativo, junto aos Carregais, localidade onde temos as Casas dos Carregais (de Rui Martins e Olga Lopes), para Turismo Rural, e o Museu Manuel Ribeiro “Lameira”, na Fundação Joaquim Lourenço.
Em termos agrícolas temos como principais ex-líbris as cerejas e o limão, estes últimos, particularmente, nas envolventes às aldeias de Chão do Galego e Rabacinas, a que se juntaram os MontesPhysalis, do Nuno Fernandes e Alexandra Delgado. As marcas “Monte Barbo”, em termos de vinho, e “Lagares da Catraia”, em termos de azeite, são dignos representantes da qualidade que a Família Rodrigues, nossos habitantes, produzem. Desta família são, também, os restaurantes do Hotel Rural da Catraia (neste momento a ser orientado por Liliana Cruz e Carlos Ferreira) e o Restaurante das Bombas da Catraia, locais onde se degustam pratos da gastronomia da região, com qualidade reconhecida.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- Tudo o que puder ser feito para prevenir e proteger as vítimas destas situações é positivo, sendo que destaco, como de particular importância, o alargamento da criação de gabinetes de apoio às vítimas nos departamentos de investigação e ação penal e a reestruturação do Serviço de Informação a Vítimas de Violência Doméstica, garantindo o atendimento especializado 24 horas por dia, e abrangendo um serviço de apoio em situações emergência, são novidades ótimas.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Na zona da Freguesia de Montes da Senhora não tenho relato, graças a Deus, de situações deste género mas, como Professor, é algo que me preocupa. Espero, como é óbvio, que sejam casos cada vez mais raros…

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Espero que haja regressão pois uma sociedade só se desenvolve se houver regras e respeito entre todos os seus integrantes.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Neste período, relacionado com o COVID 19, esta situação foi particularmente notória, trabalhando a autarquia no pedido e transporte de medicamentos e bens de primeira necessidade para as casas mais necessitadas. Também iniciativas da Cáritas e da sociedade civil (como o “Cabaz Solidário) foram iniciativas dignas de destaque. Identificamos, também, casas a precisar de obras para ver se conseguimos, em articulação com o Município de Proença-a-Nova e a Segurança Social, podemos intervencioná-las.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- Não creio que o apoio às autarquias seja suficiente sendo que poderíamos rentabilizar, pela proximidade, muitos dos apoios que são dados. No restante creio que há entendimentos díspares sobre a legislação que vai saindo não sendo, muitas vezes, dada formação e informação suficiente aos públicos a que se destinam.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J.- Por enquanto o receio maior é a falta de apoio à população mais idosa e/ou carenciada, como já referimos anteriormente, mas que temos tentado identificar e apoiar.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J.- Creio que os apoios são mínimos (pagamento de despesas que a autarquia teve com material diretamente relacionado com a pandemia), sendo que a criação de uma plataforma onde pudéssemos relatar situações de carência e pedir apoios diretos poderia colmatar muitas situações.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O envelhecimento e redução constante da população sendo que a fixação de jovens é mínima, por não haver emprego para eles, o que, com a ascensão do teletrabalho, poderia ser superado. Mesmo antes desta situação que defendo o encerramento de determinadas atividades coletivas (como os “call centers”) e a passagem destas para teletrabalho.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A conclusão da distribuição da rede de fibra ótica e da rede de telecomunicações

J. A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Estando de saída da Presidência da Junta de Freguesia, espero que os futuros elementos que façam parte dos órgãos da mesma a sirvam com o mesmo esforço e orgulho com que o fiz. Depois de 20 anos ligado à mesma (4 anos como Secretário da Assembleia de Freguesia, 4 anos como Secretário da Junta de Freguesia e 12 anos como Presidente da Junta de Freguesia de Montes da Senhora), espero continuar a apoiar a mesma em outras atividades de índole político-social.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A mensagem é que, sendo uma Freguesia pequena em população e área, se vive aqui com saúde e qualidade, sendo que o investimento será sempre bem-vindo e trará retorno a quem o fizer.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Sou suspeito para comentar essa situação porque, o que temos, é sempre pouco para suprir as necessidades, sendo que, no entanto, tentamos que seja disseminado um pouco por todas, com especial enfoque em quem precisa mais.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara dá um valor fixo anual, por localidade, bem como algum material para as obras que a Freguesia assumiu.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Queria enviar um agradecimento muito grande pela confiança que sempre depositaram em mim, sendo essa a maior recompensa que me poderiam dar. A algumas vozes dissonantes/negativas quero agradecer o desafio que sempre me colocaram, pois sem elas não me teria sentido obrigado a melhorar e evoluir.
Espero que, de futuro, todos, apoiantes, oposição, habitantes e futuros habitantes, tenham uma vida feliz nesta Freguesia e continuem a lutar por ela.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Só Deus e a minha família sabem: tendo tido sempre o cuidado de tentar não falhar à Freguesia e à família. Tenho de dar à minha esposa e aos meus dois filhos, o meu maior
Agradecimento, pois têm demonstrado paciência para as minhas ausências, quando a absorvência da minha vida política o exige.
Para além de Presidente da Freguesia, sou Secretário da Comissão Política Concelhia do PSD, Delegado à Assembleia Distrital do PSD, e já fui Secretário da Direção do Centro Social, Presidente da Mesa da Liga dos Amigos de Montes da Senhora e Presidente do Lagar Social de Catraia Cimeira.
Em termos de ANAFRE, sou o atual Presidente da Assembleia Distrital de Castelo Branco e membro do Conselho Geral Nacional. Tal quantidade de cargos, a juntar à única profissão que tenho, Professor do 1º Ciclo (que costumo referir como a única ocupação que escolhi já que, nas demais, fui escolhido por outros…) deixam-me muito pouco tempo livre para estar com a família e amigos.
Vou fazendo um esforço sendo que, ultimamente, a gestão de tempo me tem permitido alguma folga adicional. Continuo, no entanto, fiel ao meu lema “Sempre ao dispor para servir!” o que, inclusive, me valeu o epíteto de “moço de recados” por parte de alguns elementos da oposição: não lhes poderia estar mais grato pois, assim, apercebi-me que as pessoas confiam, em mim, para aquilo de que necessitam e que todas as solicitações são de valor por mais simples que possam parecer.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Agradecendo a oportunidade que me deram de expor o que penso e sinto sobre a Freguesia de Montes da Senhora, desejo que continuem a desenvolver um trabalho dignificante, que continuem a prosperar no vosso trabalho, dando a conhecer as autarquias do nosso país, as suas diferentes realidades, os elementos que nelas tentam apresentar o seu melhor, em prol da população, e, claro, das suas regiões e de Portugal.

Go top