JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Setembro 2019 - Nº 143 - I Série - Guarda e Castelo Branco

Guarda e Castelo Branco

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia Eiras e São Paulo de Frades

Fernando Abel Simões

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
- Podemos dizer que o povo se divorciou destas eleições por vários motivos, principalmente pelo tipo de campanha negativa que existiu, de “guerrilha” onde não se discutiu o essencial propostas e aquilo que cada um já realizou em prol dos reais interesses do nosso país.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
- Nesta Freguesia valorizamos o sector primário pelo facto de ter sido em tempos passados o motor da nossa economia e realço a atividades piscatória e agrícola, esta última levou à instalação de vários moinhos e várias padarias para escoarem as suas produções. Hoje em dia, o setor primário já não tem esse peso devido ao processo de desenvolvimento e consequentemente à instalação de muitas fábricas. Porém, estamos a recuperar a feira que existiu há muitos anos com a vertente agrícola, precisamente para estimular a produção local de produtos hortícolas e sendo possível autóctones. Quanto ao turismo estamos em fase de desenvolvimento, porém deviam existir políticas municipais claras neste sentido e não existem.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
- Concretamente a nossa freguesia não foi tão afetada como outras por esse país fora, principalmente pelo facto de nos encontrarmos numa zona raiana onde os espanhóis continuaram a ter um papel importante na sua preferência pelas nossas localidades transfronteiriças.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
- Lamentavelmente é um flagelo que tem afetado muitas famílias e não existe explicação para tirar a vida a ninguém e acho que deviam existir penas pesadíssimas para quem comete esse tipo de crime. Contudo acredito que existe uma perda de valores associada a esta questão.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
- Bem! A delinquência infantil existe muito porque o modelo socio económico mudou imenso nos últimos 45 anos, para além dos valores que a família e os pais tinham e que imprimiam aos seus filhos incutindo-lhes em tenra idade responsabilidades, o saber respeitar e ouvir!... Ao longo destas últimas três décadas assistimos a uma perda de valores que a cada geração que passa se torna mais grave. Hoje em dia, e em muitos casos, existe quase uma roda livre comportamental que indubitavelmente conduz à triste realidade atual!....

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
- Sobre isto, posso dizer que parte da resposta foi dada na pergunta anterior, porém existe um fator importantíssimo tendo em conta o contexto atual, e que, passa por uma questão de autoridade! Acho mesmo que é preciso repensar o conceito de autoridade e modificar a legislação em termos efetivos para que os agentes da autoridade a possam aplicar como tal, e ao mesmo tempo sejam dissuasores efetivos. É urgente dar autoridade com suporte legal em retaguarda para que quem de direito promova autoridade efetiva.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
- Esta situação é delicada e transversal a todo o país e infelizmente de momento não existe uma resposta adequada por parte do estado para os casos com situação económica reduzida. Esta freguesia, tal como as freguesias da maioria do país, infelizmente, não tem recursos para o apoio económico puro e duro, o que fazemos é criar sinergias com a Segurança Social e com o gabinete competente do Município para sinalizar e apoiar estes casos e para que os possam ajudar da melhor forma possível.
Casos existem na nossa freguesia que a ação deste executivo conduziu ao melhoramento das habitações de famílias carenciadas.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
- Neste caso apostamos em divulgar o máximo de informação possível aos nossos concidadãos, ou bem pela publicação na nossa pagina do Facebook ou no nosso site, mas também com a colocação de informação nos principais locais de estilo e com a distribuição porta a porta de informação escrita.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
- O apoio que temos é alguma informação que nos chega em suporte papel que difundimos, graças a Deus não temos danos materiais a assinalar nessa matéria nem vítimas a assinalar.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
- A freguesia debate-se com problemas estruturais e que estão relacionadas com a falta de visão em resolvê-los e porque os meus antecessores e o Município sempre pensaram no imediato.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
- Neste momento é preciso resolver problemas graves de saneamento, é preciso obter mais verbas do município para a limpeza urbana e principalmente SALVAR o RIO MINHO, pois, ainda continua a ser objeto de descargas de saneamento em todo o seu curso, quer do lado Português quer do lado Espanhol, para além de estar invadido por espécies de “algas” que o estão a “sufocar”. Claro que esta situação terá de ser vista num todo e a sua intervenção deveria ocorrer em toda a sua extinção.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
- A minha freguesia pode ter um futuro brilhante se for gerida de forma eficiente, com pragmatismo e com visão, até porque possuímos uma localização geográfica privilegiada, somos a primeira entrada de transito ligeiro terreste no pais e a segunda de transito pesado, para além de sermos brindados com uma excelente rede viária! Posso ainda dizer que quer a potencialização do Rio Minho quer a modernização da linha férrea do Minho podem trazer inúmeras oportunidades de desenvolvimento.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
- Bem! A mensagem passa pelas condições que referi em cima e porque investir na nossa freguesia será sempre uma vantagem competitiva pela nossa localização geoestratégica devido ao Eixo-Atlântico Vigo Porto.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
- Hoje em dia a situação económica da Junta de Freguesia é estável e desejamos que permaneça assim apesar de precisar de aumentar o orçamento!

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
- O apoio da Câmara às juntas de freguesia, e em termos económicos, é manifestamente insuficiente e no nosso caso em concreto mais ainda até porque somos de cor diferente. O único apoio que posso realçar vem do corpo técnico do Município que se tem pautado por uma colaboração incondicional.
Posso mesmo dizer que as freguesias são em regra o parente pobre dos Municípios e que estes usam para atingirem os seus fins para se perpetuarem-se nos seus lugares.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
- O meu povo já me conhece, até porque lhes escrevo a todos com alguma frequência para estarem inteirados do que se passa. Mas quero dar-lhes nota que estamos a construir um dia de amanhã melhor com eles e por eles.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
- Não é fácil, mas graças à boa compreensão da família pelo dever cívico que cumpro e ao excelente elenco do meu executivo consigo e conseguimos harmonizar e levar a bom porto toda a nossa vida seja ela familiar, profissional ou de autarca.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
- Que seja um meio de comunicação isento e que continue com a preocupação em noticiar e dar a conhecer a realidade das autarquias.

Fernando Abel Simões

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