JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Setembro 2019 - Nº 143 - I Série - Guarda e Castelo Branco

Guarda e Castelo Branco

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Eirado

François Manuel dos Santos Ferreira

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.J.- A maior conclusão que se por tirar é que houve uma enorme abstenção e um maior desinteresse por essas eleições. Julgo que os maiores culpados disso, são os partidos que não conseguem fazer com que as pessoas se interessem ao que os partidos políticos propõem para as pessoas e para o país e nesse caso para a Europa.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- O sector primário é essencial e o principal sector nesta Freguesia. Pois é uma freguesia onde não existem industriais e apenas existem empresas de construção civil, de transporte de mercadorias e alguns comércios. No sector primário destaca-se a produção do queijo da serra, da castanha, da maçã Bravo Esmolfe, da batata. Porém ultimamente o maior contributo foi o desenvolvimento do sector avícola, que consiste na criação de frangos de corte onde a freguesia produz cerca 220.000 frangos por mês, e de frangos do campo, cerca de 40.000 cada trimestre.

Quanto ao turismo, temos como locais de interesse para visitar :

A Nascente do Rio Dão, que é um rio que nasce na freguesia de Eirado mais propriamente na Barranha, concelho de Aguiar da Beira, numa zona em que a cota de altura oscila entre os 714 metros e os 757 metros. Desagua no Rio Mondego, em plena albufeira da Barragem da Aguieira, depois de percorrer cerca de 100 quilómetros. No seu vale, zona de altitude com solo granito, situa-se a Região Demarcada do Dão, da qual se destaca a produção de excelentes vinhos de mesa.
A aldeia de Ancinho, que é uma aldeia com várias casas em ruínas, já sem habitantes, mas com espectaculares vistas e tem como ponto maior de interesse a capela do Senhor do Castelinho, datada de 1736, com a imagem do Senhor esculpida na própria rocha, com abóbada de granito, é apenas a capela-mor duma projectada e imponente construção.
E Temos as aldeias de :
Eirado é a aldeia sede de Freguesia, possui cerce de 275 habitantes, tem como locais de interesse para visitar a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora da Conceição. No largo, a capela de Santo Amaro, com Santo António à porta, que acolhe uma missa campal a 15 de Agosto de cada ano. No seu terreiro, um pinheiro secular e um singular chafariz cilindrico-cónico. Na esquina da rua Torta, uma curiosidade, o "Eirado", designação de um anónimo rosto esculpido e adornado de vistosa gravata. São vários os locais de interesse em Eirado, em redor do pinheirinho (pinheiro nórdico frondoso) desenvolve-se o casario granítico de traça beirã em vias de total recuperação, enaltecendo a linda capela da Sr.ª do Repouso, recentemente oferecida à povoação por Alberto Moreira e herdeiros de Adriano do Rosário. Ande a pé, passe pela fonte de chafurdo com cúpula de granito do sec XIX e suba à penedia da Fonte da Velha, sente-se e respire fundo o ar puro e a excelente paisagem.
Carregais é uma aldeia pertencente à freguesia de Eirado, possui cerca de 70 habitantes, tem para visitar a capela de S. João, o calvário em granito, o poço Romano onde as pessoas antigamente se abasteciam com a água para consumo próprio, o forno do povo e belos varandins de madeira na rua que nos leva à capela de S. João.
Barranha é uma aldeia pertencente à freguesia de Eirado, possui cerca de 60 habitantes, sendo esse número ascendido quando seus emigrantes retornam temporariamente, durante as férias. Nela se localiza a nascente do Rio Dão. Possui uma capelinha em honra a Santo António e Santo Amaro. A capela de S.to António bem enquadrada no casario beirão. Deixe o carro ou vá de todo o terreno ver a nascente do rio Dão no Santo Amaro com as alminhas em granito a desafiar o tempo. Suba, por fim, ao alto da panascada, deixe a sua vista perder-se na imensidão da paisagem e respire o ar puro envolto no impressionante silêncio da natureza.
Antela é uma aldeia pertencente à freguesia de Eirado, possui cerca de 34 habitantes, já muito desertificada, possui uma capelinha em honra a São José, um forno comunitário, e uma enorme laje onde as pessoas ainda secam o milho, o feijão ao sol e onde é os populares dançam nas festas e romarias dessa aldeia.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- Como é uma freguesia com pouca indústria, não houve um aumento de desemprego com a crise, apenas houve mais dificuldade para os jovens arranjarem o 1º emprego, que dificilmente é na freguesia.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- Apesar de ser uma freguesia rural é uma situação inexistente na Freguesia de Eirado.
Julgo que pode haver diversas causas para que surgem essas situações, como o álcool, a dependência de drogas, o desemprego que por vezes gere algum desespero, levando a pessoas cometerem esses actos. No entanto julgo que tudo depende da educação que as pessoas tiveram e do meio ambiente onde vivem.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- É uma situação que felizmente também não existe na Freguesia de Eirado, bem como no concelho de Aguiar da Beira, por há poucos jovens, todos eles se conhecem, têm relações familiares ou de amizade o que faz com que se respeitem mais entre eles.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- É outra situação que felizmente também não existe na Freguesia de Eirado, julgo que esse é um problema existente mais em zonas urbanas, onde jovens / pessoas por vezes exercem violência gratuita a pessoas sem qualquer motivo para tal, apenas para darem nas vistas, ou para se sentirem mais importantes. Acho que essas pessoas deviam ser seguidas por psicólogos e tentar cura-los, pois julgo que quem faz isso, deve ter uma doença qualquer.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Devido a falta de financiamento, apenas podemos ajudar essas pessoas em resolver problemas burocrático e quando há outros problemas mais graves, informamos os Serviços da Segurança Social do Município, para tentar resolver esses problemas. São mais problemas de falta de financiamento para obras de conservação de habitações e por vezes de pessoas isoladas que se recusam a irem ao médico devido a problemas de saúde.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Faz-se a limpeza e manutenção de caminhos, limpam-se os baldios para se dar o exemplo e informamos a população de tudo o que não podem fazer que possam originar algum incêndio, e o que devem fazer em caso de incêndio.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- Para a limpeza e manutenção de caminhos, limpeza dos baldios, entre outros, como replantações, não existe qualquer apoio do governo, o que está mal, o governo apenas ajuda as ZIF e associações/organizações de produtores de madeira. Não existe actualmente qualquer apoio para as juntas de freguesia. Apenas apoiam as Juntas de Freguesia depois de ocorrer algum incêndio nessa freguesia, quando o objectivo e nunca existir incêndios.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- O envelhecimento da população.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A falte de emprego para os jovens com cursos superiores, a desertificação, e a falta de investimento do governo e empresas na freguesia.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Infelizmente que esses problemas irão continuar e agravarem-se, na próxima década, mas que de seguida, quando já houver muito poucos jovens e adultos haverá falta de mão-de-obra para tudo, agravando ainda mais a desertificação e o abandono de tudo e dificultando investimentos nesta freguesia como em outras freguesia do interior.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A de que a Freguesia de Eirado, tal como outras do interior, tem uma enorme qualidade de vida, sem os problemas acima referenciados, que existem nos grandes centros urbanos, que tem uma natureza preservada, ar puro, produtos endógenos, como o míscaro amarelo, a castanha, o queijo da serra, bem como os respectivos cabritos e borregos e acima de tudo que tem gente boa, que sabe receber pessoas vindas de outros locais.
É uma freguesia ideal pelos motivos acima citados para se investir em turismo rural, ou na agricultura devido a natureza envolvente e por fazer parte da zona demarcada do queijo Serra da Estrela, da zona demarcada da Castanha Soutos da Lapa, e da Maçã Bravo Esmolfe.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- É muito difícil, metade do orçamento da Freguesia vai para despesas correntes, assim pouco ou nada se pode fazer.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- É cada vez menos, o Estado transfere competências para as Câmaras Municipais e essas delegam algumas dessas competências como outras que pertenciam as Câmaras, às Juntas de Freguesias, mas com poucos recursos financeiros. E sem recursos financeiros, com pouca gente, pouca mão-de-obra disponível, é muito difícil realizar as tarefas que as Juntas de freguesia têm de realizar.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Que apesar de termos poucos recursos financeiros, podem contar com a Junta de Freguesia, naquilo que for possível realizar, que estamos sempre disponíveis para resolver questões burocráticas necessárias para o bem-estar da população, bem como na maioria das vezes resolver pequenos problemas ou assuntos que nada têm a ver as Juntas de Freguesia.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Muito dificilmente.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Um muito obrigado e parabéns, por nos dar a oportunidade de dar-mos a conhecer a nossa freguesia, os nossos pontos turísticos, as nossas virtudes, mas também os nossos problemas que são semelhantes a todas as pequenas freguesias rurais do interior do país.

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