Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Almaceda

André Gonçalves

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A agricultura, embora seja predominantemente de subsistência, desempenha um papel importante na Freguesia, pois produz bens alimentares de qualidade, salientando-se o azeite. Além disso, há a pecuária, nomeadamente cabras e frangos.
No âmbito do Turismo será de salientar a natureza, com percursos pedestres e de BTT, que permitem apreciar as belas paisagens, a praia fluvial de Almaceda, a casa do resineiro, em Rochas de Baixo e a aldeia de xisto de Martim Branco com o seu turismo rural.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- A violência doméstica é um flagelo social que não é novo, pois está enraizado na nossa sociedade, mas tem vindo a ter maior visibilidade com a sua divulgação pelos meios de comunicação social. Esta tem contribuído para a implementação de algumas medidas e mudança de mentalidade, sendo, no entanto, insuficientes.
As medidas devem ser mais rigorosas, aplicadas com celeridade e acompanhadas por um maior apoio às vítimas, por parte do Estado

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Felizmente esse é um problema que não tem relevância na nossa freguesia. Consideramos que este problema radica em diversos problemas económicos e sociais. As dificuldades económicas das famílias, a sua desestruturação, a ausência de afectos são, entre outros, alguns dos motivos desta problemática. A escola, contrariamente ao que, por vezes, se propaga, não tem condições, nem será o local para resolver, por si só, esta situação. A escola poderá e deverá influenciar os jovens no sentido de uma maior partilha e convívio, mas se a sociedade/família/estado não actuarem para melhorar as condições de vida dos jovens, dificilmente se ultrapassará.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Penso estar relacionada com os valores predominantes na sociedade atual, os quais são alimentados pelos meios de comunicação/redes sociais, pelo imediatismo do quotidiano e pela desvalorização do humanismo face aos bens materiais. Por vezes também será o resultado das dificuldades de vida (falta e/ou precariedade de emprego …), sobretudo entre os jovens que não vislumbram um futuro risonho, gerando sentimentos de revolta contra as injustiças e grandes desigualdades sociais.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Procuramos uma grande proximidade, tentando apoia-los em tudo o que necessitam. Na sede da Junta disponibilizamos o serviço dos CTT, de saúde (marcação de consultas e análises, acordo com farmácia para fornecimento de medicamentos, transporte dos utentes para se deslocarem das suas aldeias à sede de freguesia para as consultas) e, naturalmente, todos os sérvios inerentes à Junta (atestados diversos, declarações, …). Na sede da junta temos também o Multibanco, por acordo com uma entidade bancária.
No exterior, procedemos regularmente ao corte de ervas e limpeza das ruas das diversas aldeias da Freguesia, a pequenos arranjos nos arruamentos, à poda de árvores, à manutenção dos bens públicos e à recolha de lixo. Por fim, tentamos proporcionar-lhes algumas actividades, como, ginástica, passeios, pequenos concertos, etc.….

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- Numa primeira fase, tendo em conta o desconhecimento da doença, a resposta foi adequada. Posteriormente, a situação foi-se tornando mais difícil, pois a par do aumento do conhecimento da doença, também foram aumentando os diversos interesses/lobbies, faltando cada vez mais uma visão de conjunto e tomando algumas medidas que, no mínimo, serão discutíveis. Como é apanágio do ser humano, cada um preocupa-se com o “seu umbigo” e perde-se um pouco a racionalidade/assertividade indispensável numa situação difícil como a desta pandemia.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J.- Numa fase inicial, o facto de ser uma freguesia do interior levou as pessoas a não terem grande reacção, mas à medida que o tempo foi avançando, o receio e a prudência foram ganhando espaço. A junta foi informando as pessoas, distribuiu máscaras a toda a população residente na freguesia, colocou dispensadores de desinfectante na sede da junta e noutros espaços como a praia fluvial, o que, de algum modo, também terá contribuído para a consciencialização da população. Actualmente, nota-se algum cansaço e tristeza, pois o convívio quase se perdeu na medida em que os contactos sociais são, em geral, muito reduzidos e os eventos foram cancelados, originando um maior isolamento.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J.- Diretamente do governo não houve qualquer apoio adicional. Houve apoio financeiro e disponibilidade permanente da parte do município, o que nos permitiu dar máscaras a toda a população da freguesia, adquirir os dispensadores de desinfetante e os produtos de desinfeção e limpeza para aplicar nas zonas consideradas mais propícias à propagação do vírus. Para quem necessita de alimentos, medicamentos ou qualquer outro apoio, os nossos serviços estão sempre disponíveis, a fim de evitar a sua saída de casa.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Sendo uma freguesia rural e do interior, confrontamo-nos com a falta de emprego/investimento e dificuldades nas telecomunicações, particularmente um fraco serviço de internet, o que impede a fixação da população.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- As intervenções mais necessárias são, como referi, ao nível das telecomunicações e, nalgumas aldeias, o fornecimento de energia, pois as linhas são muito antigas e geram frequentes faltas de energia quando as condições climatéricas se agravam.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Se houver, como se prevê, a instalação da fibra e uma melhoria das telecomunicações, achamos que há condições para que o crescimento/desenvolvimento volte a ser uma realidade.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Almaceda – freguesia de natureza, tradições e lazer, com belas e diversificadas paisagens que convidam a uma visita e proporcionam um sentimento de calma e bem-estar. Temos um território com bom potencial para o turismo de natureza e atividades agropecuárias.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Estável.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- O principal é o apoio financeiro que resulta do acordo de execução. No entanto, tem-se mostrado disponível a prestar o apoio técnico necessário e a garantir os investimentos em obras estruturais e/ou de maior valor.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- O objectivo do executivo é o desenvolvimento da freguesia e o bem-estar da população. Podem contar sempre com a nossa disponibilidade para tentar solucionar os problemas que vão surgindo. Contamos com todos e todos podem contar connosco.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Nem sempre é fácil. Tenta-se um equilíbrio, mas, em geral, a família sai prejudicada.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- É importante e meritório o vosso trabalho, pois é um dos poucos meios de comunicação que dá voz ao poder local, dando assim a conhecer a acção dos autarcas e do poder de proximidade desenvolvido pelas freguesias.

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