JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Setembro 2019 - Nº 143 - I Série - Guarda e Castelo Branco

Guarda e Castelo Branco

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal da Sertã

José Farinha Nunes

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.C.-As últimas eleições europeias demonstraram que os eleitores, sobretudo em Portugal, continuam a confiar em soluções políticas moderadas e que seguem os ditames democráticos. O receio de que as forças de extrema direita tomassem de ‘assalto’ o Parlamento Europeu também não se concretizaram, embora existam sinais que devam ser olhados com atenção, devido ao grande descontentamento a nível europeu e ao facto de certos partidos tentarem afirmar-se através de agendas populistas, com ideologias contrárias ao que deve ser uma sã democracia.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-O setor primário sempre teve, historicamente, uma grande importância no concelho da Sertã, embora nas décadas mais recentes o setor terciário tenha crescido exponencialmente, absorvendo atualmente a maioria da mão-de-obra existente. O peso da agricultura e, sobretudo, da exploração florestal são ainda consideráveis neste concelho, com várias empresas ligadas à floresta (cortiça e silvicultura) e à indústria da madeira e seus derivados. No caso do turismo, ao longo dos últimos anos, o Município da Sertã implementou uma estratégia que permitiu posicionar a Sertã como importante destino turístico, ao nível da natureza, desportos náuticos, gastronomia, cultura e património.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.-O Município da Sertã sempre desenvolveu políticas conducentes à melhoria de vida das populações que vivem e trabalham neste concelho. O problema do desemprego existe, mas numa escala muito inferior ao que acontece, por exemplo, na maioria do país. Juntamente com o nosso tecido empresarial e com as instituições sociais, a Câmara criou medidas que ajudaram a mitigar os efeitos nefastos do desemprego. Além disso, temos comunidades unidas, onde o espírito de entreajuda está muito presente. A própria autarquia, através dos seus Serviços Sociais, monitoriza e acompanha de perto possíveis casos de risco. Todavia, hoje o concelho da Sertã tem uma taxa de desemprego bastante baixa e o problema da pobreza está perfeitamente controlado, embora isso não signifique que não existam pequenas bolsas de pobreza na nossa região, às quais devemos estar atentos.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.-A violência doméstica é um dos problemas mais graves da sociedade portuguesa e que merece uma especial atenção por parte das nossas autoridades. Penso que o caminho que o Estado tem vindo a fazer, nos últimos anos, é positivo, mas não chega. Temos de ser mais proativos, combater o problema na raiz e proteger as vítimas. Se não o fizermos estamos a criar as condições ideais para uma sociedade desestruturada e com graves défices sociais.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.C.-Trata-se de uma situação que não é frequente nos estabelecimentos de ensino da nossa região, onde se verificaram, no passado, apenas casos muito pontuais. Todavia, estamos atentos e a desenhar respostas para eventuais situações do género. Ainda assim, é um problema que urge dar resposta, sobretudo nos locais onde ocorre com maior frequência. Se não o fizermos arriscamo-nos a que o problema se agudize cada vez mais.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-O Município da Sertã tem um conjunto de mecanismos e de respostas sociais que visam acautelar situações decorrentes do envelhecimento. Embora a maioria da nossa população esteja maioritariamente abaixo dos 65 anos, a tendência futura é para que aumente o número de pessoas a ultrapassar esta faixa etária. Apesar disso, no caso da Sertã, as instituições sociais funcionam e o apoio que é dado aos cidadãos mais envelhecidos é bastante satisfatório. Temos também uma política muito forte ligada ao envelhecimento ativo no nosso concelho, com a existência de uma Academia Sénior, de aulas de Ginástica Sénior, de atividades culturais e recreativas dirigidas a esta população, entre outras. Além disso, trabalhamos muito de perto com as instituições sociais e com as forças de autoridade, no sentido de monitorizar o quadro geral do que se passa no município.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
P.C.-O flagelo dos incêndios tem sido, infelizmente, uma constante nos anos mais recentes no concelho da Sertã. É uma realidade que não pode ser escamoteada. O problema não tem soluções fáceis, apesar de no caso da Câmara da Sertã termos vindo a desenvolver políticas muito sérias que procuram mitigar e combater os terríveis efeitos dos fogos florestais. A prevenção pode ser a chave do problema, mas, neste caso, a resposta tem de ser global e os sinais devem vir de cima, das autoridades nacionais. Não podemos enfrentar este problema numa lógica minimalista e de vistas curtas. O território tem de ser olhado numa lógica intermunicipal, porque os problemas e também as soluções podem – e devem – ser contínuas. A autarquia da Sertã tem em curso, ao longo do ano, diversas ações com as forças vivas da região e, ao mesmo tempo, trabalha ativamente com as duas corporações de bombeiros existentes no concelho, com as associações de produtores florestais e as diferentes forças de proteção civil para minorar este problema.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.-O Governo trabalhou ativamente com a Câmara Municipal da Sertã e com outras autarquias das regiões afetadas pelos incêndios, no sentido de ressarcir as populações dos danos verificados. Foram estabelecidas medidas de apoio às vítimas dos incêndios florestais e adotadas medidas urgentes de reforço da prevenção e combate a incêndios florestais, que no caso da Sertã chegaram ao terreno. Além disso, foi aprovado e deve ser concretizado até 2022 o Plano de Revitalização do Pinhal Interior (PRTI). Se podia fazer-se mais? Claro que sim, mas o Governo soube interpretar os sinais e fazer o que tinha de ser feito. Além disso, estamos em contacto permanente com a tutela, fazendo chegar novas sugestões e pedidos.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-Penso que mais do que problemas, o concelho da Sertã tem pela frente vários desafios que importa vencer. O despovoamento é um deles, a que podemos adicionar o envelhecimento da população e as alterações climáticas, cujos efeitos poderão ser catastróficos nos próximos anos. O investimento e a criação de emprego são outros desafios aos quais devemos estar igualmente atentos.

J.A.-Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-Entre outras vantagens que o concelho da Sertã oferece, há uma que nos parece estratégica: a localização. A Sertã encontra-se estrategicamente localizada no centro de Portugal, com excelentes acessibilidades às principais cidades portuguesas e às estruturas aeroportuárias e portuárias nacionais. Além disso, temos boas ligações com a fronteira espanhola. Os tempos de viagem são curtos e os acessos de boa qualidade. Depois somos um concelho com qualidade de vida e serviços adaptados às exigências dos cidadãos.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-A Câmara Municipal da Sertã tem inúmeras parcerias e protocolos com as instituições de ensino do concelho, que cobrem diferentes áreas. Trata-se de uma política de cooperação importante, que visa oferecer as melhores condições aos nossos alunos e professores e a todos aqueles que trabalham nos estabelecimentos de ensino do concelho.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-A Câmara Municipal da Sertã possui uma situação financeira muito saudável, resultado de uma governação eficaz e orientada para a estabilidade. Temos um ambicioso plano de desenvolvimento para o concelho, mas que não colide com o objetivo de termos contas certas e que garantam a sustentabilidade futura do município.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-Já o disse e reafirmo-o: as juntas de freguesias são os aliados mais importantes da ação da Câmara Municipal da Sertã e é por isso que sempre estivemos – e estaremos – ao seu lado. Tentamos prestar o máximo apoio nas várias iniciativas levadas a cabo pelas juntas de freguesia e somos sensíveis aos pedidos que nos chegam ao longo do ano. Aliás, uma fatia importante do orçamento anual da autarquia é canalizado para obras que nos são solicitadas pelas juntas de freguesia nas suas aldeias.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-A mensagem é simples e vai ao encontro daquilo que sempre disse aos munícipes: a Câmara Municipal da Sertã sempre esteve – e estará – ao lado da sua população. Acredito que unidos poderemos chegar mais longe e fazer o melhor por este concelho.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-Não é de facto tarefa fácil, mas como diz o povo «quem corre por gosto não cansa». É um enorme prazer para mim poder dirigir os destinos deste concelho e nessa tarefa árdua conto com uma equipa empenhada, dedicada, profissional e que nunca vira a cara à luta. Além disso, tenho uma família que me dá todo o apoio, o que facilita de, sobremaneira, as coisas.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Espero que o Jornal das Autarquias possa continuar a desenvolver o seu importante trabalho de defesa e promoção das diferentes regiões do nosso país, seguindo os critérios de isenção e rigor que têm sido seu apanágio até aqui.

José Farinha Nunes

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