Carta Aberta do presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova

João Manuel Ventura Grilo de Melo Lobo

A pandemia provocada pelo novo Coronavírus está a obrigar-nos a todos, enquanto coletivo, a vivermos permanentemente em modo de gestão de crise, com a dificuldade de não sabermos até quando nos será exigido este esforço de contenção. Sabemos que depois da crise de saúde pública ser ultrapassada teremos um conjunto de outras crises para resolver, a começar pela económica, mas sem esquecer a social que certamente irá obrigar a um acompanhamento de proximidade, principalmente aos grupos mais vulneráveis e aos mais impactados por toda esta situação.

Nas autarquias, a gestão de proximidade já é o nosso lema, ainda mais quando falamos de um concelho com as características de Proença-a-Nova em que temos pouco mais de sete mil habitantes. A rede de solidariedade que criámos logo no início da pandemia, em março de 2020, está assente na interligação entre várias entidades – o Município e o seu gabinete de Ação Social, as Juntas e Uniões de Freguesia, o Centro de Saúde – e um interlocutor designado em cada aldeia como porta voz das necessidades da população, nomeadamente dos idosos e dos doentes crónicos. Levámos medicamentos e bens de primeiro necessidade para evitar deslocações que poderiam colocar em risco estas pessoas mais vulneráveis e continuamos a levar. Atualmente, esta rede está também assente no trabalho desenvolvido por duas unidades móveis da autarquia: uma dedicada à saúde e outra à cultura (Bibliomóvel – Biblioteca Itinerante), mas ambas com a mesma finalidade: apoiar quem precisa.

Tomámos um conjunto de medidas para apoiar igualmente o tecido empresarial, das quais destaco o Programa Municipal de Apoio à Recuperação da Atividade Económica no âmbito da pandemia Covid-19, destinado a empresas com porta aberta ao público que poderão usufruir de um apoio financeiro não reembolsável de 15% sobre o valor da quebra de faturação com o limite máximo de 1.600,00€ se no período entre janeiro e novembro de 2020 apresentarem quebras de faturação igual ou superior a 15% quando comparado com o mesmo período de 2019. Estamos também a realizar um trabalho de proximidade com o Agrupamento de Escolas de Proença-a-Nova para garantir que todos os alunos possam acompanhar online as suas aulas, agora que parece inevitável o retorno a esse modelo de ensino. A Câmara está a desenvolver todos os esforços no sentido de garantir uma cobertura de rede móvel idêntica em todo o concelho. Essa é também uma luta que temos vindo a dirimir pois não somos todos iguais, de facto, relativamente à cobertura móvel e à capacidade de termos a todo o momento a oportunidade de nos ligarmos e essa é uma condição essencial nos dias de hoje por que devemos todos pugnar.

O facto de ainda não ter sido possível eliminar as desigualdades territoriais é uma dificuldade acrescida para os territórios do interior do país e aquela que eu aponto como o nosso principal problema. Só conseguiremos ter o país a uma só velocidade quando as assimetrias - criadas durante décadas - forem corrigidas. A situação atrás referida, de não haver cobertura móvel em todo o país, é apenas um exemplo de como estas desigualdades nos impendem, por exemplo, de atrairmos os chamados nómadas digitais ou mais pessoas que se possam fixar na modalidade de teletrabalho nas nossas aldeias.

A fixação de pessoas continua a ser uma das nossas principais prioridades, pois só assim conseguiremos ir travando o progressivo envelhecimento da nossa população que não é por si uma fatalidade. Só se tornará fatalidade a partir do momento em que deixarmos de ter condições para fixar jovens e para atrair população das zonas litorais tendo em conta a qualidade de vida de quem aqui reside e que é igualmente prioritária na política desenvolvida pela autarquia.

Adicionalmente, é importante notar que há espaço para que surjam novos investimentos num sector que nos é particularmente caro: o agroflorestal. 80% do território é ocupado por floresta que, bem desenvolvida e gerida, pode ser fonte de riqueza. Está na hora de mudarmos o paradigma do combate para o da prevenção dos incêndios e isso só se conseguirá em pleno com uma floresta que seja explorada em todo o seu potencial, desenvolvendo-se atividades económicas como a agricultura biológica, a micologia, a extração de óleos essenciais ou a resinagem, atividades de valor acrescentado que complementam as tradicionais que continuam a ter o seu espaço.

Para as empresas, a autarquia disponibiliza um conjunto de soluções que nos torna atrativos, até pela nossa localização privilegiada: a duas horas de Lisboa e a outras tantas do Porto e a quatro horas de Madrid. Quando olhados do ponto de vista ibérico ganhamos uma nova centralidade que importa explorar. Em breve irão iniciar as obras de requalificação e criação de uma nova área de acolhimento empresarial, a juntar aos outros três espaços que dispomos no concelho, alguns deles com áreas disponíveis para acolher novos investimentos. Neste âmbito destaco ainda a aposta no setor tecnológico que estamos a criar a partir da empresa OutSystems, já com três empresas parceiras a trabalharam para o mundo a partir de Proença-a-Nova. Para qualquer das situações, o Gabinete de Apoio ao Empresário e Agricultor está disponível para apoiar e esclarecer atuais e possíveis investidores.

A nossa gestão rigorosa, com contas equilibradas, permite-nos encarar o futuro com tranquilidade, sem abdicarmos de projetos que consideramos estruturantes, como a já referida Área de Acolhimento Empresarial de Vale Porco, a requalificação da Praia Fluvial da Aldeia Ruiva, também em curso, ou a valorização da Serra das Talhadas, um ativo do ponto de vista turístico. É compromisso deste executivo municipal continuar a colocar Proença-a-Nova no mapa, realizando os projetos que nos parecem essenciais para o território, sustentados no nosso projeto político que coloca em primeiro lugar as pessoas pois é por e para os nossos munícipes que damos o nosso melhor todos os dias.

Agradeço ao Jornal das Autarquias a oportunidade de apresentar o meu concelho e uma visão global sobre aquilo que temos realizado, dando os parabéns pelo trabalho desenvolvido junto de uma das células fundamentais da política de proximidade que nos deve mobilizar a todos.

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