Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Torres do Mondego

Paulo Jorge de Almeida Cardoso

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?
P.J.- O turismo é um dos pilares fundamentais desta freguesia, dada a beleza que o vale do Rio Mondego detém neste território. O facto de termos uma estrada panorâmica, uma praia fluvial, a Mata Nacional de Vale de Canas e um conjunto de trilhos homologados, juntando as tradições e a gastronomia local, fazem deste um território em que pretendemos potenciar o turismo, alavancando o dinamismo necessário para rejuvenescer a população e a região. Quanto ao setor primário, embora existam algumas explorações agrícolas (essencialmente viveiristas) e de pecuária (Quinta do Zorro que promove as raças autóctones portuguesas) interessantes, o restante conjunto de zonas agrícolas é explorada, essencialmente, para autoconsumo.

J.A-As medidas já tomadas pelo Governo contra a violência doméstica, serão suficientes para atenuar esse flagelo?
P.J.- Todas as medidas que se tomem no sentido de diminuir esse flagelo, são de louvar. Entendo que um dos grandes problemas se situa a outro nível: a educação e o exemplo que são dados, pelos progenitores. Este é um problema que é transversal a toda a sociedade e que tem consequências nefastas a vários níveis. Julgo que só com muita pedagogia, junto das crianças e adolescentes, se pode dissipar esta questão, que tem muitas outras variáveis que dificultam essa melhoria, entre os quais, o stress da vida diária, as questões das redes sociais e, mais recentemente, os problemas decorrentes dos confinamentos, entre alguns outros.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?
P.J.- Essencialmente apoios para situações de emergência temporária, que estão a ser garantidos pela Comissão Social de Freguesia. Esta Comissão, tem uma verba, disponibilizada pelo Município, que visa colmatar situações de falta de rendimentos para rendas de casa, questões de saúde, apoio escolar, pagamento de transportes, pequenas obras, etc.

J.A.- O que pensa sobre as medidas tomadas pelo governo sobre o Covid 19 e sua vacinação?
P.J.- Tendo um mínimo de noção do que é governar, por inerência do mandato que desempenhamos, tendo em conta que toda esta situação é completamente nova para a grande maioria dos atuais cidadãos, pois ainda não tínhamos tido nenhuma pandemia desde a gripe espanhola, no início do séc. XX e o panorama a nível europeu e mundial, diria que o governo foi conseguindo fazer o possível. Como é óbvio, existiram alguns erros, mas todos os países erraram e, muitos deles, com supostas melhores administrações públicas e/ou privadas. Julgo que no computo geral, a atuação do governo tem sido positiva, tentando sempre encontrar um balanço, que é dificílimo de fazer, entre os interesses públicos/privados e a saúde pública.

J.A.- Que medidas pensa tomar durante este novo mandato?
P.J.- Dada a ruralidade esta freguesia, mas que, por estar próxima de um grande centro populacional, não é considerado um território de baixa densidade populacional, temos desafios muito grandes a enfrentar, no que concerne a acessibilidades dentro das povoações. Existe, ainda, a necessidade de implementar a rede de saneamento numa zona que abrange cerca de 30% da população. Há, também, a questão do envelhecimento da população e da fixação de pessoas, que causam uma questão demográfica bastante complicada, a que se juntam questões de acesso aos cuidados de saúde tão necessários.

J.A.- que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?
P.J.- Basicamente já elenquei na resposta anterior.

J.A.-Como está a situação financeira da autarquia neste novo mandato?
P.J.- Como qualquer autarca poderá afirmar, os recursos são sempre poucos para tudo aquilo que se pretende fazer e o facto de as freguesias não se poderem candidatar, diretamente, a fundos comunitários, limita um pouco as ações que desejávamos implementar. De qualquer modo, face ao acordo celebrado com o Município de Coimbra, de descentralização de competências, ao aumento de verbas do FFF, fruto da luta da Anafre em faze cumprir, na íntegra, a Lei das Finanças Locais no que concerne às freguesias e à gestão rigorosa dos fundos disponíveis, a situação financeira desta autarquia é tranquila.

J.A.-A câmara presta apoio às juntas de freguesia?
P.J.- Sim, o Município de Coimbra sempre prestou apoio às suas freguesias. Tem um gabinete dedicado ao apoio às freguesias, que muito tem contribuído para que as autarquias tenham conseguido realizar muitas das suas tarefas. Apesar de algumas dificuldades intrínsecas à organização do próprio gabinete, comparando com outros municípios, temos tido um apoio bastante razoável.

J.A.-Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia
P.J.- Essencialmente, dada a conjuntura que vivemos, que se protejam e que contem com a Junta de Freguesia para os apoiar naquilo que nos for possível. Desejamos também dizer que estamos empenhados em fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para dar as melhores condições de vida possíveis, tendo em conta as competências que nos estão cometidas e as limitações com que nos deparamos. Mas estamos cá, prontas para lutar por todos e fazer face às potenciais adversidades. Contem connosco!!

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?
P.J.- Todo o trabalho que vise a divulgação do trabalho autárquico é de louvar e acarinhar, pois (e isto é uma frase muito difundida, mas também muito verdadeira) as autarquias e, em especial, as freguesias, são o contacto de maior proximidade do governo da nação com os seus cidadãos. Apesar de alguns casos que mancham o trabalho de tantos e tantas autarcas, a dedicação destes homens e mulheres, que abraçaram e abraçam este espírito de missão em prol dos seus concidadãos, é fantástico e merece os devidos créditos, que só os meios de comunicação como o vosso, podem publicitar. Bem hajam!!

Go top