Entrevista do Presidente da União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas

José Augusto Gomes da Silva Simão

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
PUF.-É um assunto nacional, que está envolvido numa névoa de proteção da natureza e da rentabilidade do investimento. Desinteressante para quem está longe do Montijo.

J.A. - Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
PUF.-Em Coimbra o sector primário quase está resumido à saúde e saber com toda a envolvência destas valências, que vão da prótese dentária ao transplante renal e investigação medicamentosa. Sobre o turismo estamos muito apetrechados, com património histórico e arquitetónico, temos turismo religioso (Rainha Santa), turismo imaterial (lenda de Inês de Castro). Turismo infantil (Portugal dos Pequenitos e Exploratório Ciência Viva). Turismo Científico (Observatório Astronómico) e até turismo comercial (Primarke).

J.A - O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
PUF.-A violência doméstica tem muitas nuances perigosas. Há pessoas violentas por razões várias, má formação, necessidades de vária ordem, alcoolismo, droga, etc. A maioria da violência doméstica é exercida sobre as mulheres e crianças, mas também há mulheres impossíveis de aturar. Este é um problema ancestral, onde as religiões também tem a sua quota de culpa.

J. A. - A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
PUF.-Não batam nas crianças, não explorem o trabalho infantil e outras coisas do género fizeram de algumas crianças verdadeiros monstros, que matam pais, avós e amigos. Criamos uma sociedade em que a criança não brinca, não vive na natureza, criamos mentalidades sintéticas nas crianças, obrigando-as a serem vencedoras pelo conhecimento dado à força, estuda, estuda, estuda para seres alguém. E depois? Vão ser infelizes, frustrados, ricos mas piores que pobres. Criamos crianças que até aos 30 anos vivem com os pais?

J. A. - O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
PUF.-Continuam a pagar aos jovens para estarem quietos a receberem o rendimento mínimo, sem ocupação nenhuma, com a única preocupação de poderem mostrar uns tenis de marca, ou um telem avançado e depois querem jovens bem comportados. A tropa deixou de ter soldados milicianos, daí que milhares de jovens deixaram de aprender a obedecer e respeitar ordens, ainda não percebi para que se gasta tanto dinheiro com o Exército se não serve de nada, a não ser para cortesias e paradas.

J. A. - Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
PUF.-Fazemos tudo e mais alguma coisa para ajudarmos a população mais carente. Pagamos medicamentos, temos um banco de ajudas técnicas, com camas articuladas, cadeiras de rodas, manuais e elétricas, pagamos algumas rendas, água, luz. Vamos ao super, aos correios e à farmácia fazer compras para os idosos que não podem sair de casa, às vezes levamos uma sopa quente e até recebemos a reforma de quem não se pode deslocar. Distribuímos centenas de cabazes com alimentação fresca e outras vezes seca.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
PUF.-A DGS não conseguiu dar credibilidade à informação diária aos portugueses e agora nem nós acreditamos nem a maioria dos países europeus. Um péssimo serviço aos portugueses e ao país.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
PUF.-Que serviços pode prestar uma freguesia, quando a Proteção Civil incumbe as juntas de gerir a ida de pessoas para abrigos, que os abrigos tem de ter termómetro, água, máscaras e outros produtos e quando nós perguntamos onde se situam os abrigos, ficam calados, não há abrigos. Uma vergonha a organização deste país.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
PUF.- Que Governo? Que Presidente da República?

J. A. - Como é a situação financeira dessa freguesia?
PUF.-Não devemos nada a ninguém.

J. A. - Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
PUF.-Protocolos e Contratos Interadministrativos.

J. A. - Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
PUF.-Estamos aqui para servir, defender e resolver os problemas dos nossos fregueses, proporcionando bem estar e felicidade. Trato todos como se fossem meus familiares, o problema de um freguês é também um problema meu, seja o que for.

J. A. - Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
PUF.-Vivo para a freguesia, amo a minha família, estou na junta a pensar na família e estou em casa a pensar na junta, isto dura há 20 anos, mas eu gosto de ser Presidente e chefe de família ao mesmo tempo.

J. A. - Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
PUF.-Façam eco da experiência de gestão e saber dos autarcas do poder local e assim teremos melhor país, melhor informação, digna, credível e isenta.

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