Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Rana

Maria Fernanda dos Santos Gonçalves

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a temática aeroporto/Montijo?
P.J.- O aeroporto no Montijo, consideramos importante, para descongestionar Lisboa e por sua vez estar próximo da cidade, ter bons acessos e facilitar a vida às grandes massas populacionais.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- A Freguesia de São Domingos de Rana, inserida no Concelho de Cascais é ainda uma das freguesias esquecidas pelo município, mas com muita história cultural. Vários monumentos que podem ser visitados, mas o ex-libris é a igreja de São Domingos de Gusmão edificada no sec. XVI, serviu de farol à aproximação dos barcos ao Mar da Palha, sendo na altura um marco de referência à navegação marítima.
A Capela de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda, mandada construir por Frei Gonçalo de Azevedo, cavaleiro da Ordem de Malta, a ermida de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda tem como mais antigo registo datável o ano de 1579, inscrito na sepultura armoreada, que pode ser observada na capela-mor do templo.
A Capela de Nossa Senhora da Graça, de estilo barroco e cujo nome se deve às benesses que a Virgem teria concedido, em 1362, aos pescadores de Cascais.
A Casa Saloia de Outeiro de Polima.
As Ruinas Romanas de Freiria, com um espólio importante do ponto de vista histórico.
A Quinta da Estrangeira residência da escritora Odete de Saint-Maurice. Fundada no séc. XVI.
A Quinta da Torre da Aguilha é uma das mais antigas do Concelho, cuja origem remonta seguramente ao século XVI.
A Quinta de Rana, onde se produziu por muitos anos o vinho de Carcavelos.
O Torreão de Mina de Água e Aqueduto.
O Museu Ilídio Carapeto onde se encontra a maior coleção a nível mundial de embarcações e pirogas, construídas à escala pelo artesão.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- A violência doméstica é um flagelo a nível mundial, penso que todas as medidas que foram até ao momento aprovadas ainda são poucas para o grau de violência existente e o masoquismo apresentado pelos agressores perante as vítimas.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- A delinquência infantil e juvenil é mais uma catástrofe, na sociedade. A falta de valores instituídos no seio da família, a falta de acompanhamento por parte dos pais e avós, a falta de educação dada por parte dos pais, o alcoolismo familiar, as liberdades juvenis, a sistemática utilização das redes sociais, a importação de modelos e ainda a desvalorização da escola.
A educação devia ser o pilar da sociedade, no entanto, nada está a ser realmente feito para a valorização da educação e temos um acréscimo de delinquência no país.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- A delinquência gratuita é o resultado do já descrito na pergunta anterior, a falta de referências na família.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A Junta de Freguesia apoia os idosos da Freguesia de diversas formas:
Apoia os Centros de Dia onde muitos idosos da freguesia estão inseridos, tem uma Linha de Apoio Sénior para a compra de alimentos, medicamentos e apoio psicológico, sete dias por semana. Acompanhamentos psicoterapêuticos, envolvendo cinco psicólogos e um psiquiatra, apoios psicossociais a diversas situações de enorme vulnerabilidade.
Temos três turmas no Projeto Seniores em Movimento, Terapia Ocupacional, com atividades 2 vezes por semana, para melhoria da mobilidade.
Com o Projeto Psico- Arte construímos um espaço de escuta e auto-ajuda a idosos com sintomatologia depressiva e indicadores de solidão. Em paralelo construímos espaços lúdicos e de criatividade.
No espaço “Vida” disponibilizamos serviços de fisioterapia, cuidados de enfermagem, em parceria com uma instituição.
Realizamos passeios sociais e bailes semanais.
Criamos o Fundo de Emergência Social através do qual pagamos água, luz, medicamentos e outros aos mais vulneráveis.
Reencaminhamos e acompanhamos casos de violência doméstica, detetados.
Oferecemos apoio jurídico.

J.A.- O que acha das medidas tomadas pela DGS, para contenção do COVID-19?
P.J.- Inicialmente as medidas foram bem tomadas, mas com o andar dos tempos, tornaram-se brandas e por esse motivo os casos de infetados, no Concelho de Cascais e nomeadamente em São Domingos de Rana estão aumentar.
As pessoas não respeitam as normas e a fiscalização praticamente nula.

J.A.- Com a aproximação do Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Com o aproximar do Verão procuramos que as pessoas limpem junto das suas habitações os terrenos e por sua vez a Junta procura limpar também quando não é possível ser feito por outros.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- A Junta de Freguesia de São Domingos de Rana não recebeu qualquer apoio para esse fim, nem da Câmara, nem do governo.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Falta de verbas para resolver situações necessárias.
A Câmara de Cascais não transferiu as competências previstas para as Juntas de Freguesia, nem enviou a nossa proposta para o governo em como queríamos todas as competências definidas por lei e esta é uma freguesia com 60 000 habitantes e 85% das Câmaras são inferiores a esta freguesia, por esse motivo debatemo-nos com grandes problemas. Um orçamento de 1milhão e meio para atender a todas as solicitações, não dá e o governo não se tem preocupado com os nossos problemas, sobretudo os das grandes freguesias, como é o caso.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- Necessitam de grande intervenção o Mercado de São Domingos de Rana, o melhor da região e o Complexo Desportivo onde diariamente serve um agrupamento de escolas e duas equipas federadas de Futsal, além de outras vertentes como ginásio, dança, Karaté, ténis, hóquei e outros.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- A Freguesia é muito assimétrica, com uma zona habitacional muito desordenada e muitos locais que são património antigo.
Gostava que houvesse mais espaço de lazer com árvores e menos construções habitacionais.
Gostava que a Freguesia tivesse uma nova centralidade, agradável a quem a visita, no entanto, da forma como se apresenta, apenas é um local de passagem para os diversos concelhos vizinhos.
Gostava que fosse como já foi há muitos anos, uma referência no concelho.
Que houvesse investidores que apostassem nesta freguesia como zona turística importante de descanso e lazer.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- A mensagem é que nem só de praia vive o homem e esta Freguesia pode ser um local agradável onde se pode agregar o trabalho ao descanso e lazer. Quem conhece a freguesia e nela habita, não quer mais sair, com gente simpática e afável.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Como já foi referido atrás, o orçamento é muito reduzido para o número de habitantes e as inúmeras coisas que há para fazer.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- À Junta de Freguesia de São Domingos de Rana, praticamente nenhum apoio, tirando as verbas da Delegação de Competências previstas na lei 75, com estrangulamento sempre que possível. Primeiro fazemos a obra, enviamos o relatório e por fim recebemos.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Neste período de COVID-19, apenas uma mensagem de esperança, que procurem não ficar em ajuntamentos, usem sempre máscara e fiquem o mais possível em casa com a família.
Porque juntos iremos mais uma vez vencer esta batalha como temos vencido muitas outras.
Contem sempre com a Junta de Freguesia, porque a nossa prioridade são sempre as pessoas.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Com o grande apoio familiar de retaguarda, grande compreensão e deixando os problemas à porta.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Desejar as maiores felicidades e continuar um trabalho isento, para que possa perdurar por muitos anos.

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