JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Novembro 2019 - Nº 145 - I Série - Bragança e Vila Real

Bragança e Vila Real

Entrevista do Presidente da União de Freguesias de Madalena e Samaiões

João Manuel Almeida Pinto

J.A.- Que conclusões tira dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.U.F.- O povo continua a desperdiçar uma excelente ferramenta que lhe foi disponibilizada pelo 25 de abril de 1974. Votar é um dever cívico e moral, é ter a possibilidade de decidir quem vai dirigir os destinos do país, é ter a possibilidade de escolher quem nos vai representar. O Governo, assim como previsto na constituição, existe para satisfazer a vontade do povo, escolhido pela maioria dos eleitores. Uma abstenção enorme que representa o desinteresse, justificada, injustificadamente, pela desacreditação política. Não votar é simplesmente desistir, é permitir que decidam por nós.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.U.F.- A Freguesia que presido é um exemplo de aposta no setor primário. É uma zona do território (concelho) privilegiada por ter água em abundância para rega, sendo contemplada por uma Associação de Regantes que permite ter água praticamente o ano inteiro ininterruptamente. Os produtores locais têm de variadas formas e oportunidades de escoar os seus produtores, tendo algumas vantagens e creditação em relação aos produtos vindo do exterior devido à sua excelente qualidade. A Veiga de Chaves, assim conhecida, contínua a ser uma zona de produção por excelência.
Ao nível do Turismo, parte da Freguesia (zona urbana) fica localizada no Centro Histórico da Cidade de Chaves, que como seu nome indica, está contemplada com património histórico, nomeadamente com monumentos Nacionais, como é o caso da Ponte de Trajano (Ponte Romana do Sec. I, Igreja São João de Deus do Sec. VII, Jardim Público de Chaves, pequenas Capelas, entre outros monumentos históricos.
Além do referido, é na Freguesia da Madalena e Samaiões que fica situado o Km 0 da mítica Estrada Nacional 2, sendo hoje uma referência turística a nível nacional e que já ultrapassa fronteiras. Todos os dias, sem exceção, se vêm pessoas no Km 0, seja a pé, de bicicleta, de mota ou de carro.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.U.F.- O desemprego é nos dias que correm um problema transversal a todo o interior. Principalmente nas zonas rurais este problema tem-se agravado de tal forma que as pessoas se vêm obrigadas a abandonar as suas casas devido às suas necessidades básicas. A capacidade de gerar riqueza não conseguiu, notavelmente, acompanhar a inflação. Também nas zonas mais urbanas, apesar do crescimento da economia, embora lento, se verifica falta de emprego. As pessoas vão (sobre) vivendo na esperança que a situação atual, ao nível de oportunidades de emprego, melhorem. Uma coisa é certa, os jovens que saem para as universidades dificilmente regressam à sua terra natal para trabalhar, porque dificilmente existem oportunidades de emprego que se adequem às suas habilitações e qualificações.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.U.F.- A violência doméstica é fruto, essencialmente, de má formação, de irresponsabilidade, de falta de respeito pelos seus entrequeridos, que mais vitimas que as próprias vítimas acabam por ser os filhos. Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista, cada vez mais egoísta, com falta de valores, onde prevalecem as aparências. Hoje em dia as pessoas, os casais não estão dispostos a fazer sacrifícios, não estão dispostos abdicar dos seus luxos e prazeres, e tudo isto se reflete nas relações, na educação dos seus filhos e no respeito entre os mesmos. Além do referido podemos também apontar a causa financeira como um dos pontos que gera conflito entre os casais, mas acima de tudo está a falta de valores, a educação e a má formação.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.U.F.- Com o excesso de abundância de bens e serviços e o pouco tempo que os filhos passam com os pais, nota-se uma clara rebeldia e revolta nos filhos. Sempre ouvi dizer que a educação se dá no berço, mas hoje em dia, nem no berço, nem depois. Cada vez os casais têm menos filhos, muitos pais lidam com os filhos como se de amigos se tratasse, fruto de tantos e tantos divórcios que originam joguinhos de chantagem, nos quais os filhos são tratados como armas de arremesso. Todo este gerar de conflitos se reflete no comportamento dos alunos na escola, provocando-lhes conflitos internos que afetam o seu desenvolvimento intelectual e inter-relacional.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.U.F.- A violência gratuita tem origem, maioritariamente, em pequenos grupos organizados, embora também se verifiquem casos isolados, de jovens oriundos de famílias problemáticas. Esta violência não é fácil de ser controlada, apesar de existirem mecanismos, nomeadamente escolares, que permitem um acompanhamento de proximidade que pode ajudar a reduzir esta problemática.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.U.F.- A Autarquia de acordo com a receita proveniente do Estado pouco pode fazer neste âmbito, a não ser reencaminhar as situações para a Câmara Municipal e para a Segurança Social. Ainda assim são realizadas algumas ações de carater social e solidário em situações notáveis de necessidade e carência extrema, tendo em conta que cada caso é uma situação específica.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
P.U.F.- A prevenção utilizada é a passagem de informação disponibilizada, quer pela Câmara Municipal, pelo Estado e por outras entidades.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.U.F.- Não se tem verificado qualquer apoio de parte do governo, além do legalmente previsto.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.U.F.- Falta de investimento dos executivos anteriores, tanto ao nível de saneamento como de arruamentos. Falta de dinâmica e investimento na freguesia para colmatar a desertificação e o desemprego.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.- Saneamento, arruamentos nos meios rurais e apoios de cariz social.

J. A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.U.F.- Perspetivo nos próximos anos, essencialmente, na parte urbana da freguesia, um forte investimento no restauro dos edifícios antigos e uma grande aposta comercial e hoteleira nesta zona nobre da cidade.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.U.F.- A nossa freguesia é área mais plana da cidade, apresenta uma mescla de urbano e rural, onde as pessoas que vivem na área citadina estão a dois passos da mais bela paisagem. Na nossa freguesia está tudo por acontecer e via ser, sem dúvida alguma, alvo de forte investimento e desenvolvimento. Penso que o atual executivo está trabalhar na direção certa e isso vai-se refletir nos próximos anos no crescimento económico e social da Freguesia da Madalena e Samaiões.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.U.F.- A situação financeira atual da freguesia é estável e amplamente controlada, não prevendo que o saldo venha a ficar negativo em situação alguma.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.U.F.- A Câmara Municipal vem de uma situação financeira complicada, fez nestes dois primeiros anos uma gestão rigorosa, beneficiando de uma elevada capacidade de negociação, o que permitiu uma redução do endividamento perante as instituições bancarias. Apesar deste esforço financeiro a Câmara Municipal não abdicou de garantir um apoio equilibrado e equitativo a todas as freguesias do concelho.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.U.F.- Faço um apelo à população da Freguesia da Madalena e Samaiões para se manter esperançosa e confiante, porque este executivo trabalho de forma séria e dedicada para cumprir as suas promessas e satisfazer, dentro das suas possibilidades e de forma coerente, as necessidades dos seus residentes, tendo sempre em vista o interesse comum, o interesse de todos, acima dos interesses individuais.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.- A gestão da vida familiar enquanto autarca requer a cada dia a tomada de decisões de forma a manter o equilíbrio familiar, onde prevalece a educação dos filhos e a relação matrimonial. A compreensão e flexibilidade são fatores preponderantes para cumprir os compromissos políticos. Além da vida familiar é necessário também conciliar a vida profissional, sendo esta uma lacuna do sistema politico, por que a condição do autarca de uma freguesia com mais de 4000 eleitores, área urbana, área rural e 3 aldeias é praticamente a mesma que um autarca que preside uma aldeia (um lugar) com 200 eleitores. Exercer as funções de Presidente de Junta de forma adequada e justa para com os seus eleitores e de acordo com os seus compromissos exigem um esforço sobre humano, que levam os autarcas a tomar decisões que nem sempre são as mais assertivas.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.- O nosso desejo é que o Jornal das Autarquias passe a mensagem de forma positiva, notabilizando a função dignificante dos Presidentes de Juntas, a importância que estes têm no dia-a-dia no seio da população local, a importância da proximidade e da afetividade criada com as pessoas idosas e mais carenciadas. Ser Presidente de Junta é estar disponível 24 horas por dia, é não desligar o sentido de necessidade e responsabilidade, é ter um forte espirito de voluntarismo.

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