Entrevista do Presidente da União de Freguesias de Aveleda e Rio de Onor

Mário Francisco Gomes

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.U.F.-A localização privilegiada da nossa freguesia, em pleno Parque Natural de Montesinho, permite aos visitantes disfrutar, não só das belíssimas paisagens, como também da excelente gastronomia da região. O turismo estava, antes da pandemia, em franco crescimento, com o número de visitantes a superar todas as nossas expectativas. Para além do turismo de natureza, a procura das festividades ancestrais como as festas dos rapazes de Aveleda, Varge e Rio de Onor com os seus caretos, tem sido cada vez maior.
Na freguesia existem vários artesãos, que procuramos sempre apoiar e que se dedicam à construção de máscaras e à cutelaria.
Neste momento temos um projeto, que pretendemos venha a ser transfronteiriço, que pretende valorizar o património cultural e natural da União de Freguesias; dinamizar a oferta turística da região, com novos equipamentos e iniciativas culturais, recuperando nove moinhos ligados entre si por antigos caminhos existentes nas quatro aldeias desta União.
Relativamente ao setor primário, sendo este basicamente constituído pela agricultura de minifúndio, temos verificado um aumento no interesse pela cultura da castanha. Talvez a média de idade dos nossos residentes, que é bastante alta, contribua para cada vez mais este setor, esteja em declínio acentuado.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.U.F.-Repudiamos veementemente qualquer tipo de violência, seja ela doméstica ou de qualquer outra forma. Desconhecemos que haja casos nesta freguesia, o que nos leva a acreditar na sua inexistência. Pela importância deste tema e pela sua pertinência social é necessária uma intervenção rápida e eficaz, através de políticas publicas que batalhem este flagelo.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma
P.U.F.-A base da delinquência infantil está maioritariamente na família, quase sempre destruturada e destabilizada e reflete-se na escola quer a nível comportamental quer a nível do aproveitamento escolar. O ideal seria que as duas instituições se complementassem, assumindo as suas distintas responsabilidades.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.U.F.-Com uma população maioritariamente idosa, tal como todas as freguesias do interior, dedicamos especial atenção a estas pessoas, proporcionando-lhes, através da Cruz Vermelha Portuguesa, uma consulta mensal de enfermagem. Antes da pandemia, e duas vezes por semana, os nossos idosos recebiam aulas de exercício físico sénior que lhes permitia melhor mobilidade e também momentos de convívio e interação. Apoiamos ainda com géneros alimentares quatro famílias em três das quatro aldeias. Os nossos telefones estão disponíveis 24 horas por dia para prestarmos todo o apoio.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.U.F.- Para além da escassez das vacinas, na fase inicial, verificaram-se algumas situações menos próprias para as pessoas com idade superior a 80 anos. No período de espera até ao ato da inoculação, não havia condições para que pudessem aguardar confortavelmente. Esta espera acontecia no exterior do edifício. Para reverter esta situação, a Câmara Municipal de Bragança, irá instalar um pavilhão digno para o efeito.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.U.F.- Viver no interior tem inúmeras vantagens. Graças ao autoabastecimento de recursos de primeira necessidade não sentimos severamente essa falta.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.U.F.- Até ao atual momento nenhuma ajuda.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.U.F.-Como todas as freguesias do interior, distantes do litoral, o maior problema destas regiões é sem dúvida alguma e em primeiro lugar, o despovoamento/ isolamento. As comunicações móveis não cobrem grande parte da freguesia.
A rede existe graças à intervenção da junta de freguesia que disponibiliza posto de retransmissão e reforço do sinal.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.-Sublinho e reforço a total cobertura de rede móvel digital em toda a freguesia. É fundamental! Comprovámos agora com as crianças na escola online e os adultos em teletrabalho.
Por outro lado, por se tratar de uma freguesia raiana, a ligação de Bragança à vizinha Puebla de Sanábria, falada há tanto tempo e que esperamos seja uma realidade em breve com o contributo do Plano de Resiliência e Recuperação, era de importância vital permitindo maior mobilidade da população e um maior desenvolvimento das atividades económicas. Será sem dúvida uma via estruturante para a região e para o país.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.U.F.-Adorava dizer que perspetivamos um grande futuro, porém com a assimetria cada mais acentuada entre o interior e o litoral, com o despovoamento talvez programado destas áreas, com a concentração de 70% da população no litoral, com a extinção de serviços públicos e com uma população envelhecida, não vemos o futuro com grande perspetiva.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.U.F.-Uma mensagem de esperança, fazendo acreditar que com empenho, dedicação e perseverança, a nossa pequena colaboração venha a contribuir para um país mais coeso.
Diria que investir nesta freguesia e nesta região, tem inúmeras vantagens, desde logo pela sua localização geográfica em pleno Parque Natural de Montesinho, repleto de excelentes recursos naturais e culturais, depois porque o quotidiano se torna mais fácil, o emprego é perto e as escolas são logo ali. Destaco o turismo de natureza que tem um forte potencial de crescimento na nossa região. Os produtos endógenos tais como a castanha, o mel, as carnes e os enchidos, entre outros, serão sem dúvida uma aposta com garantias de sucesso quer no mercado nacional quer no mercado internacional.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.U.F.- Para além do apoio financeiro, tão importante para as melhorias no território, presta ainda apoio administrativo e logístico tão importante como o financeiro, visto que a junta não possui recursos humanos.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.-Ser presidente numa junta de pequenas dimensões como a nossa, transforma a figura do autarca, numa simples pessoa que, para além de outros ofícios, pratica a cidadania. Assim a família aceita bem o tempo que lhes retiro.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.- Desejar-lhes o maior sucesso e que continuem a transmitir o que de bom se faz por este país, relativamente à verdadeira política de proximidade. Obrigado.

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