JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Novembro 2019 - Nº 145 - I Série - Bragança e Vila Real

Bragança e Vila Real

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Nantes

Luís António Gonçalves Costa

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.J.- Que a Europa não tem grande importância para o cidadão comum e que a abstenção foi a grande vencedora das eleições europeias.

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- No setor primário apenas se realiza este tipo trabalho agrícola como forma de subsistência familiar. No turismo não estão reunidas as condições ideais para divulgar o potencial turístico que possui esta freguesia ao nível do artesanato e recursos naturais para o chamado turismo na natureza. Pretendemos que se potencialize esta vertente, mas não é uma tarefa fácil.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- A realidade desta freguesia ao nível do desemprego tem a ver com o fecho da principal atividade que existia nesta zona, ou seja, a transformação do Barro pelas três fábricas existentes na freguesia e que neste momento nenhuma opera. A maior parte das famílias tinham elementos a trabalhar nas fábricas. Devido ao fecho das mesmas as pessoas emigraram ou passaram à reforma devido à idade. Há uma pretensa promessa de reabrir uma das fábricas o que poderia eventualmente gerar algum emprego. Estamos esperançados que isso aconteça.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- A violência doméstica é efetivamente uma realidade neste momento e pelo que leio e vejo, a mesma poderá ter origem na insatisfação das pessoas perante as espectativas criadas ao nível do bem estar social. Isto é o desemprego a falta de capacidade económica por vezes promove este tipo de atitudes para além de uma tendência machista que não encara a realidade de independência social e económica do setor feminino. O alcoolismo terá também alguma influência no comportamento dos agressores.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- A delinquência infantil no meu entender tem a ver sobretudo com o péssimo ambiente familiar que se vive na sociedade portuguesa. A falta de tempo e vontade para educar os filhos com regras sociais permite que grupos marginais tenham mais influência no dia a dia dos jovens do que a sua família. A incapacidade por vezes de encontrar mecanismos para ocupação dos jovens faz com que eles por insatisfação manifestem o seu descontentamento a través de atos de delinquência.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Acho que já respondi em parte a esta pergunta na pergunta anterior. A sociedade em que vivemos é altamente potencializadora para a ocorrência de violência.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- Nós somos uma freguesia e não uma autarquia. Na nossa freguesia a situação de envelhecimento é altamente significativa e a nossa preocupação maior é criar centros de ocupação e convívio para este grupo etário. Pontualmente também temos atenção aos seus anseios e dificuldades embora não tenhamos capacidade para acudir aos inúmeros casos de fragilidade e que por vezes nem temos conhecimento pois as pessoas sentem imensa vergonha em apresenta-los. Acho que deveria haver mais preocupações a nível governamental para evitar este tipo de circunstâncias.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Seguimos os planos e recomendações do governo a este nível e no a que a nós diz respeito acho que temos sido muito felizes pois não temos tido este tipo de flagelos na nossa zona.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- A resposta à questão anterior adapta-se perfeitamente a esta. Felizmente não temos tido problemas deste género e consequentemente vítimas também não.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- A falta de água em quantidade para abastecimento da população nos meses de verão. A água é recolhida da natureza, ou seja, de minas e nascentes e como tal depende a sua quantidade dos fenómenos da natureza, ou seja, das chuvas e da limpeza das condutas desde a nascente até ao consumidor.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- O aumento urgente da área do cemitério, uma vez que a existente está no limite. Já se efetuaram negociações para a aquisição do espaço adjacente ao atual cemitério com o auxílio da autarquia.
Ainda de referir que alguns arruamentos devido ao aumento de construção, nessas zonas, justificam uma intervenção ao nível do piso. As verbas são escassas, o que não permite a sua realização.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Todas pois sabemos que esta freguesia tem potencial para melhorar e estamos muito empenhados em realizar em conjunto com a s associações locais e autarquia algumas melhorias significativas na freguesia. De momento resolver o problema de abastecimento de água e o aumento da área do cemitério são as duas grandes preocupações deste executivo.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Aquilo que eu levo para onde represento a minha freguesia são dados concretos de que esta freguesia tem potencial ao nível do artesanato e turístico. Há que desencadear processos para divulgar o turismo nesta zona e ao mesmo tempo continuar a divulgar o nosso artesanato do “ Barro preto “ a “Cestaria” e da “Tanoaria”, tendo a noção que a sua aplicação hoje em dia nada tem a ver com os processos de antigamente. Perpetuar no tempo aquilo que foram as principais atividades da freguesia será um orgulho para todos nós residentes nesta zona “Urbana” da cidade de Chaves

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Normal, isto é, depende do seu FEF e dos eventuais protocolos que estabelece com a Autarquia. Deva referir-se que com esta autarquia os protocolos têm sido cumpridos na íntegra nos dois anos de mandato da mesma.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Acabei de referir na resposta à questão anterior.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Dizer-lhes que estamos empenhados no trabalho de melhoria das condições sobretudo físicas da freguesia e de que s nossas principais preocupações neste momento são a água e o cemitério, para além do bem estar da população, ajudando as associações e grupos que promovem inciativas populares de tradição ou pontuais.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Apenas respondo a esta questão com o seguinte: “Se não tivesse o apoio e compreensão da família, há muito que teria deixado este cargo” As pessoas não fazem a mínima ideia do trabalho de todo o elenco da junta. Quero aproveitar também para reconhecer o enorme esforço que os meus colaboradores têm tido ao longo destes dois anos de mandato.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Em primeiro lugar agradecer a oportunidade de poder expor aquilo que entendemos necessário realçar e em segundo lugar que continuem este trabalho de dar vós aos que estão normalmente mais distantes destes meios de divulgação do seu trabalho, que é muito e difícil. Muito Obrigado

Luís António Gonçalves Costa

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