Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Pinela

Alex Olivier Alves Rodrigues

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. -Sim, o sector primário tem um peso preponderante na economia das famílias residentes na freguesia de Pinela, nomeadamente no que está associado à castanha e ao mirtilo. Relativamente ao turismo, estamos focados e a braços com um projeto que, caso venha a ser implementado, irá claramente impulsionar esta atividade na freguesia de Pinela e concelho de Bragança, mas também promover e impulsionar o nosso artesanato e as nossas tradições (charolo do pão e caretos), portanto a nossa cultura e património, gerando novas dinâmicas empreendedoras que, certamente, combaterão o efeito do despovoamento no nosso território.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J. -Louvamos e acompanhamos todas as medidas que visem combater este flagelo (ou outros), considerando que abominamos toda e qualquer discriminação seja ela de género, credo ou outras que vise à promoção da desigualdade e exclusão social. A declaração universal dos direitos humanos é bem esclarecedora: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio rural como no escolar é neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. -Felizmente e até à presente data, não sofremos deste “mal” na nossa freguesia. Isto é, os nossos jovens continuam a prosseguir os seus estudos em diversas áreas e graus de ensino. Porém, estamos atentos e a acompanhar os mesmos por forma a reagirmos e apoiar as suas famílias de acordo com as nossas possibilidades e competências, caso necessário.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. -Creio que estamos atualmente a viver uma crise mundial de valores, onde, infelizmente, as redes sociais desempenham um papel fulcral. Elas detinham, primeiramente, a missão de unir e fomentar interações entre as pessoas, quebrando as barreiras físicas da distância, mitigando a saudade. Hoje, lamentavelmente, assistimos à promoção do ódio e violência através dessas redes, muitas vezes baseada noutro flagelo que são as fake news. Acredito, porém, no sentimento e humanidade que habita em cada um nós. Estou certo que, findo este período adaptativo, num mundo onde a informação e o conhecimento ganham cada vez mais um papel preponderante, este “acto gratuito” seja aniquilado.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. -Encontrando-se a freguesia de Pinela num território dito do “interior”, a temática da população envelhecida esteve sempre na nossa mente e preocupação. Demonstramos desde a primeira hora uma abertura e sensibilidade perante esta problemática. A freguesia de Pinela implementou através do nosso Centro Social e Paroquial de Pinela e Cruz Vermelha Portuguesa, uma estratégia de proximidade que permitem aos nossos residentes seniores (mas não só), nomeadamente aqueles mais necessitados e a sofrer muitas vezes de outro flagelo social, que é a do abandono e solidão, oferecendo melhores condições por forma a promover a sua inclusão social mas também a interação inter-geracional, elevando-se o sentimento de pertença à Comunidade e fraternidade entre a população da freguesia.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J. -Todas as medidas de prevenção e contenção perante a COVID-19 são de extrema importância. Num contexto de pandemia como a que estamos a viver, e perante uma população envelhecida onde média de idades ronda quase os 70 anos, todas e quaisquer ações que mitigam a propagação da doença numa população tendencialmente de risco, são positivas e bem-vindas.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.J. -O processo de vacinação está atualmente a decorrer tendo a freguesia de Pinela em pareceria com a Câmara Municipal de Bragança, informado a Unidade Local de Saúde do Nordeste, entidade responsável pela vacinação no concelho de Bragança e a pedido desta última, da população com 80 ou mais anos a residir na freguesia. Transmitida essa informação em finais de fevereiro 2021, aguardamos articulação para administração da primeira toma da vacina aos idosos referenciados, que ainda não ocorreu à data de hoje. Porém, a população aguarda serenamente, embora com alguma natural preocupação, a sua vez.

J.A.- Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J. -Felizmente a população da nossa freguesia não sofreu significativamente com a falta de recursos originada pela pandemia, nomeadamente recursos alimentares. Estamos, porém, atentos.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J. -Além das medidas promovidas pelo governo, a Câmara Municipal de Bragança lançou várias medidas assertivas de apoio social à população, mas também às empresas. A junta de freguesia, primeiro elo de ligação entre a população e a autarquia, tem-se mantida atenta e disponível, apoiando e informando as populações de acordo com as suas competências.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. -O maior problema com que a freguesia de Pinela se debate é o do despovoamento e do consequente envelhecimento da população, obrigando a freguesia a procurar novas abordagens que promovam o melhor bem-estar e qualidade vida à população da freguesia. A conectividade é outro problema que a freguesia precisa de colmatar pois, num contexto onde o teletrabalho e aulas online ganham espaço no dia a dia, possuímos, ainda hoje, grande parte da freguesia de Pinela sem cobertura de rede móvel que permita um acesso pleno e de qualidade à internet.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. -Entendemos como prioritário, neste contexto de pandemia, continuar a apoiar as famílias e seus dependentes, apoiar a nossa população mais enfraquecida e de risco através das parcerias que celebramos, mas também através do apoio direto e ajustado à necessidade detetada.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. -Em termos de desenvolvimento económico e criação de emprego, estamos atualmente num procedimento de negociação para instalação de um investimento importantíssimo que criará cerca de 50 postos de trabalhos diretos na freguesia. Estamos ainda num processo de estudo e investigação, com escavações arqueológicas, ao nosso castro (Castelo de Pinela) e cumulativamente num processo de requalificação do nosso forno da cerâmica, único exemplar existente no distrito de Bragança.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. -Temos, sempre que possível, tentado promover a freguesia de Pinela em diversos níveis. Desde logo, ao nível cultural, através das suas tradições e artesanato, património material e literatura existente. Mas também ao nível económico onde a sua ligação privilegiada ao eixo da A4 para ambas as aldeias que compõem a freguesia, isto é, Pinela e Valverde, podem ser um local de excelência para viver ou investir.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. -Apesar de neste último ano a pandemia ter exigido um esforço e preocupação acrescidos, a freguesia de Pinela apresenta uma situação financeira saudável.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. -O apoio da Câmara Municipal de Bragança tem sido constante. Ela tem acompanhado e apoiado sempre que necessário, dentro das suas competências, as necessidades reportadas pela freguesia de Pinela, seja ao nível da mobilidade, cultura, económica ou social.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. -Gostaria, em meu nome e em nome do executivo da junta de freguesia, de transmitir à população da freguesia de Pinela o imenso orgulho que sinto e senti ao longo destes últimos 8 anos a liderar os destinos da freguesia, procurando dinamizar e promover uma freguesia mais coesa e inclusiva, mas também mais atrativa para todos. De referir finalmente, a estreita ligação, proximidade, amizade e carinho que a população da freguesia nos tem transmitido de forma crescente. A todos, o nosso profundo obrigado!

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. -Muito bem. Mais do que absorvente, é uma função desafiante! Ao longo da minha profissional e pessoal, o “serviço” teve sempre um papel preponderante. A minha família sabe bem desse meu gosto e paixão que nutro pela minha “terra” e suas “gentes” e, como tal, apoia-me incondicionalmente nesta caminhada, ajudando-me sempre que necessário.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. -Deixo o meu singelo e sincero agradecimento ao Jornal das Autarquias por esta oportunidade em dar a conhecer a freguesia de Pinela, sito no concelho de Bragança. É sem dúvida com iniciativas deste tipo que promovemos a valorização e inclusão territorial, dando assim a conhecer aos leitores do Jornal das Autarquias um pouco do nosso Portugal.

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