JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Novembro 2019 - Nº 145 - I Série - Bragança e Vila Real

Bragança e Vila Real

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Vinhais

Luís dos Santos Fernandes

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.C.-No concelho de Vinhais, as conclusões são muito positivas. No entanto, há dois problemas que destaco: a abstenção, que não contribui em nada para a valorização da democracia, e o facto de, nestas eleições, não se discutirem os verdadeiros problemas da Europa.

J.A.- Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C.-O setor primário é o mais importante do concelho de Vinhais. Tem sido uma das maiores apostas do município no qual, o papel principal é assumido pela castanha. Financeiramente é o produto mais importante, com uma produção média anual de 15 mil toneladas, movimentando cerca de 25 milhões de euros.
O maior elogio e maior valorização que se pode dar ao setor primário é a excelência dos nossos produtos, produtos que são o fruto do setor primário.
Quanto ao turismo, este é cada vez mais vital mesmo em regiões do interior. O nosso ex-libris é o Parque Biológico de Vinhais que, em 11 anos de existência, conta atualmente com 40 mil visitantes/ano. O turismo deve ser cada vez mais potenciado como fator de desenvolvimento.

J.A.- O aumento de desemprego gerou muita pobreza, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.C.-Felizmente, neste município, o desemprego é pouco significativo. No entanto, seria importante o poder central criar condições para a fixação da população, sobretudo os jovens, nestas regiões de baixa densidade.

J.A.- O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.C.-A violência doméstica é um problema social que infelizmente conta cada vez mais vítimas, é dever de todos trabalhar em conjunto para a diminuição de números que são tão aterradores. Penso que os meios de comunicação social têm aqui um papel importantíssimo, pois, bem utilizados servem para denunciar em vez de potencializar estes crimes.

J.A.- A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.C.-Na minha opinião, a delinquência infantil é fruto dos novos meios comunicação e das redes sociais que, através do anonimato, proporcionam determinados comportamentos/atitudes totalmente inaceitáveis. Para a criminalidade infantil conta também a realidade social que hoje se vive, em que valores fundamentais para a formação, sobretudo dos mais jovens, são cada vez mais uma miragem.

J.A.- Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C.-Se há área em que este município tem apostado é na área social. Quer ao nível do apoio às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s), ao transporte dos doentes oncológicos, apoio ao arrendamento habitacional, cartão Municipal Sénior, projeto de Enfermagem, Fisioterapia e Animação Social nos lares e freguesias do concelho, Protocolo de Cooperação com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, Protocolo “Municípios Solidários com as Vítimas de Violência Doméstica”, Cuidados Paliativos ao Domicílio, mas também na dinamização de várias atividades que permitam às pessoas, desta faixa etária, melhores condições de vida.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transatos?
P.C.-A prevenção passa sobretudo, pela limpeza junto aos núcleos urbanos, limpar de forma a que em primeiro lugar as pessoas estejam seguras, bem como, articular com as juntas de freguesia de forma a tudo ser feito para proteger as pessoas e os seus bens.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C.-Os apoios do governo, infelizmente, são poucos. No concelho de Vinhais, não houve vítimas deste flagelo.

J.A.- Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C.-Os grandes problemas de um concelho do interior do país são sem dúvida, o despovoamento e o envelhecimento.

J.A.- Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C.-O outro problema que necessita de maior intervenção é a criação de condições para fixar a população. O poder central deverá apostar nestas regiões como fator de desenvolvimento e não de esquecimento.

J.A.- Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C.-A mensagem é que este concelho é cheio de oportunidades, não só pelos produtos de excelência, mas também pelas suas riquezas naturais, pelas paisagens e também pela localização, pois fica mais perto da Europa do que outros concelhos do litoral.

J.A.- A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C.-Temos parcerias sobretudo com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) principalmente ao nível, daqueles que são os nossos produtos mais importantes: a castanha e o fumeiro.

J.A.- Como é a situação financeira da autarquia?
P.C.-É, felizmente, uma situação estável que, eu, diria normal.

J.A.- Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C.-Se não fosse o apoio da Câmara, as Juntas de Freguesia deste concelho passariam por enormes dificuldades. O apoio que a Câmara Municipal dá é ao nível financeiro, material, e de recursos humanos.

J.A.- Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C.-Quero deixar uma mensagem de esperança e união, porque em conjunto, apesar das inúmeras dificuldades, vamos continuar a fazer deste concelho, um local melhor, em que as pessoas gostem de viver.

J.A.- Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C.-É difícil de gerir e na balança entre a autarquia e a família, não tenho dúvida que quem fica a perder é a família, e só com o suporte dela é possível estar nesta vida autárquica.

J.A.- Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C.-Não uma mensagem, mas um pedido: que continuem a valorizar aquele que é o poder mais importante para as nossas populações, que é o poder autárquico.

Luís dos Santos Fernandes

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