Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Boticas

Fernando Queiroga

J.A. - Valorize o sector primário e o turismo desse concelho?
P.C. -As atividades ligadas ao setor primário e ao mundo rural, nomeadamente a agricultura e a pecuária, continuam a ser uma forma de sustento de muitas famílias que se dedicam ao cultivo da terra, à criação de gado e à preservação e valorização dos usos e costumes ancestrais, fatores que deram origem à distinção do Concelho de Boticas e da região do Barroso, como Património Agrícola Mundial, sendo o primeiro território do país a conseguir alcançar tal feito.
Também o setor do turismo se tem vindo a revelar um importante impulsionador do Concelho de Boticas, pois temos um vasto legado natural, paisagístico, cultural, arquitetónico e também gastronómico, que merece ser conhecido, por esse motivo, continuamos empenhados em divulgar o que de melhor há e se faz na nossa terra, promovendo os nossos produtos e dando a conhecer o nosso património.

J.A. - O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.C. -Tenho consciência que este flagelo existe e que é transversal a toda a sociedade.
Acredito que a melhor forma de erradicar este problema passa pela sensibilização da população, consciencializando-a de que, na maioria da vezes, gestos como denunciar podem fazer toda a diferença no combate à violência doméstica.
Apesar de no Concelho de Boticas não haver registo de um elevado número de casos, a autarquia mantém-se atenta e completamente disponível para colaborar com todas as entidades envolvidas na erradicação desta problemática.

J.A. - Estando a população cada vez mais envelhecida, e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.C. -O Município de Boticas está sempre pronto para ajudar a nossa população, sobretudo os munícipes mais vulneráveis, que vivem sozinhos ou que não têm qualquer tipo de apoio familiar de retaguarda.
O património mais valioso que temos são as pessoas, que sempre acreditaram e contribuíram para o desenvolvimento do nosso Concelho, por isso temos o dever moral de cuidar delas e de lhes proporcionar a melhor qualidade de vida possível.
Do ponto de vida social, disponibilizamos um conjunto de apoios importantes para os nossos idosos, entre os quais destaco a criação do Cartão Social do Munícipe, uma ajuda que permite a atribuição de uma comparticipação financeira para a aquisição de medicamentos, óculos e próteses, ou então, a dinamização do projeto social “Dar Vida aos Anos Envelhecendo”, que possibilita aos munícipes com mais de 55 anos ter uma vida mais ativa e saudável, através da participação em atividades de âmbito desportivo e lúdico.

J.A. - O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.C. -Estamos perante uma crise de saúde pública e é óbvio que a saúde dos portugueses deve estar acima de tudo. Podemos não concordar plenamente com as medidas implementadas, mas reconhecemos a sua necessidade para travar a propagação da covid-19. Situações difíceis obrigam a medidas duras, porque em primeiro lugar estão as pessoas e a saúde de todos os portugueses é o mais importante de tudo.

J.A. - Devido à pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.C. -Tal como acontece no resto do país, a crise pandémica também está a ter impactos negativos na economia do nosso Concelho e, consequentemente, nos rendimentos das famílias.
Felizmente não há a registar um aumento do desemprego em Boticas, no entanto, e tendo em conta a atual conjuntura, os setores do comércio, restauração e hotelaria estão a ter grandes dificuldades para superar as perdas de receita dos meses em que foram obrigados a suspender as suas atividades em prol da saúde pública.
A Câmara Municipal está a acompanhar, desde o primeiro momento, a evolução da pandemia e a agir de forma a ajudar, dentro das nossas possibilidades, todos aqueles que estão a ser diretamente afetados por esta crise social.

J.A. - Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.C. -A nossa missão passa por ajudar os munícipes quando é preciso e é exatamente isso que temos vindo a fazer desde o início da pandemia.
Neste tipo de situação não podemos esperar pelos apoios do Governo para agir e tomar decisões, atuamos de acordo com as circunstâncias e as necessidades da nossa população.
A salvaguarda da saúde pública é o mais importante, contudo, não descuramos também o apoio ao setor empresarial do Concelho e criamos um conjunto de incentivos direcionados para a recuperação económica e mitigação dos efeitos da Covid-19.

J.A. - Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
P.C. -Em Boticas o plano de vacinação contra a Covid-19 está a correr dentro do previsto, todavia, este é um processo moroso, realizado por fases e que carece do número de vacinas disponibilizadas.
Já foram administradas as primeiras doses da vacina aos utentes e funcionários das diversas valências da Santa Casa da Misericórdia local, militares da GNR e alguns dos bombeiros que estão na linha da frente no combate à pandemia, estando neste momento a decorrer a inoculação dos restantes grupos prioritários.
Aguardamos com expetativa que o plano de vacinação seja concluído nos próximos meses para que, o quanto antes, possamos retomar as nossas vidas em segurança e sem restrições.

J.A. - Qual o maior problema com que esse concelho se debate?
P.C. -A desertificação é um problema que afeta não apenas o Concelho de Boticas, mas todo o interior do país.
Os nossos maiores objetivos passam por atrair mais investimento, criar mais postos de trabalho e implementar medidas que motivem as pessoas a viver em Boticas.
Nesse sentido, a autarquia disponibiliza um conjunto de apoios para aqueles que pretendam investir, trabalhar ou mesmo residir na nossa terra, fatores estes que nos permitiram alcançar o 2º lugar entre os municípios do país que mais incentivos concede às empresas e aos cidadãos que optem por instalar-se ou residir no Concelho.

J.A. - Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.C. -Atendendo à situação que vivemos, diria que além da contenção da Covid-19, a nossa prioridade passa por alavancar a economia local e manter os postos de trabalho.
O comércio, a indústria e a restauração são os setores mais afetados pela pandemia e são, neste momento, uma das nossas maiores preocupações.

J.A. - Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nesse concelho?
P.C. -Enquanto botiquense e autarca a minha missão passa por dirigir os destinos do Município de Boticas da melhor forma possível, defendendo os interesses da minha terra e zelando pelo bem-estar dos meus munícipes.
Assim, debato-me diariamente pelo crescimento sustentável da nossa terra, essencialmente pela captação de mais investimento e pela criação de mais emprego, tornando Boticas um concelho cada vez mais competitivo, aprazível para se viver e com a qualidade de vida que todos desejamos.

J.A. - A câmara municipal tem algum tipo de parcerias e protocolos com instituições de ensino? Em que áreas e como se desenrolam esses protocolos?
P.C. -A Câmara de Boticas tem, atualmente, um protocolo celebrado com a Universidade do Minho, nomeadamente com a Unidade de Arqueologia, que têm vindo a realizar um excelente trabalho de pesquisa e valorização do nosso legado arqueológico.
Nos últimos anos temos recebido equipas de arqueológos que, em estreita colaboração com a autarquia, têm realizado várias escavações em pontos estratégicos do Concelho.
Esta parceria tem vindo a revelar-se um contributo importante no que concerne à valorização, divulgação e conhecimento mais aprofundado sobre o vasto património existente neste território.

J.A. - Como é a situação financeira da autarquia?
P.C. -A autarquia tem uma situação financeira estável, graças à boa e ao rigoroso controlo das nossas finanças, sendo prova disso mesmo o facto de Boticas ser o município financeiramente mais eficiente do distrito de Vila Real e o 16º a nível nacional com menor dívida.
Esta classificação é demostrativa da rigorosa gestão do meu executivo municipal e é reveladora de uma situação financeira sustentável, baseada na resolução dos problemas e na realização de investimentos de uma forma equilibrada, mas também às políticas de proximidade que implementamos com os nossos munícipes e à estreita relação que mantemos com as juntas de freguesia.
A nossa preocupação será sempre a de aplicar da melhor forma possível os recursos financeiros disponíveis, tendo em consideração o apoio à nossa população e o desenvolvimento sustentável do Concelho.

J.A. - Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.C. -A Câmara Municipal está sempre em sintonia com as Juntas de Freguesia, num trabalho de proximidade e de articulação para melhor servir os munícipes.
Defendemos uma política de gestão aberta e contamos com a colaboração e apoio das Juntas de Freguesia para materializar as principais necessidades das populações.
A autarquia tem vindo a reforçar os apoios atribuídos a estes órgãos executivos, tendo em conta que as suas competências e responsabilidades são cada vez maiores.

J.A. - Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?
P.C. -Quero, acima de tudo, deixar uma mensagem de esperança num futuro melhor para todos. Avizinham-se tempos difíceis, de muita luta e trabalho, porém, como povo resiliente que somos e graças ao espírito de união que nos carateriza, vamos conseguir ultrapassar mais este obstáculo.

J.A. - Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.C. -Nem sempre é fácil conciliar as minhas responsabilidades de autarca com a vida pessoal, mas tenho o apoio da minha família para desempenhar as funções para as quais fui eleito da melhor forma possível, contribuindo para o crescimento da terra que me viu nascer e da qual me orgulho ser Presidente de Câmara.

J.A. - Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.C. -Agradeço ao Jornal das Autarquias pela oportunidade que dá ao poder local de falar abertamente do seu trabalho e da sua dedicação à causa pública. Bem-haja.

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