Entrevista do Presidente da União de Freguesias de Ruivães e Novais

Duarte Veiga

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
J.F.- A União de Freguesias de Ruivães e Novais, tem como uma das suas características no que concerne ao setor primário o cultivo da vinha, onde existem vários hectares de produção de vinho, a produção de vários produtos hortícolas nas extensas estufas existentes nesta área geográfica. 
No que concerne ao turismo, e estando também um pouco aqui relacionado com os produtos hortícolas, destacamos um investimento privado, mais concretamente em Ruivães com a implementação de uma Escola de Cozinha – AESACADEMY, que, além de formar grandes chefes de cozinha de várias partes do mundo, cultivam também grande parte dos seus ingredientes naturais (vegetais) através do cultivo biológico, mantendo bem presente a sua mística “Da horta para o prato”.
Mas o turismo não se esgota aí,  Ruivães e Novais têm muito património material a ser visitado, desde logo de cariz religioso como são as nossas igrejas e a conceituada do Calvário, situada no ponto mais alto de Ruivães que traduz, através da vista deslumbrante do por do sol, uma calma e tranquilidade própria a quem desfruta deste local. 
A casa do Povo de Ruivães, já com muita história nesta comunidade onde mantem um Rancho Folclórico que traduz as tradições dos nossos antepassados;
Os fontanários que brotam água cristalina, que vão mantendo a tradição dos “lavadouros de outrora” e são vários nestas comunidades;
Um fantástico exemplar Relógio de Sol, situado na Rua de Bouças;
O museu da Cooperativa elétrica de S. Simão de Novais.
São vários os motivos que podem levar ao crescimento do turismo nesta localidade.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
J.F.- Relativamente ao assunto violência doméstica, desde logo, a violência seja doméstica seja de que forma se revista, é sempre um fator negativo que devemos todos combater. No que concerne à violência doméstica em si, é sempre um fator mais escondido que muitas vezes passa despercebido aos olhos da sociedade, seja por vergonha social ou medo de represálias. Todos nós devemos estar atentos e, em caso de conhecimento de causa, alertar as entidades competentes para, pelo menos averiguar a realidade existente.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
J.F.- Na minha perspetiva, a delinquência infantil está em decréscimo, o que revela que as Crianças e jovens em Portugal são agora mais instruídos, mais qualificados do ponto de vista académico, sendo significativo que grande parte, ao chegar ao final dos ciclos de ensino vão ajustado a sua postura ao meio que os acolhe, a grande diferença está nos adultos que os rodeiam, pois somos nós que influenciamos as crianças e jovens para comportamentos aceitáveis ou não aceitáveis aos olhos da sociedade atual.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
J.F.- A minha opinião acerca da violência, em parte está respondida na questão anterior, ou seja, comportamento gera comportamento, se a sociedade onde nos inserimos está em constante conflito, vai gerar, conflitualidade como um “ ambiente normal”.  Somos nós enquanto cidadãos com um dever cívico de, ser, saber ser e saber estar em sociedade que podemos influenciar positivamente quem nos rodeia.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
J.F.- Este é um assunto que muito me preocupa, e que lutamos diariamente para que nada falte aos nossos “pais e avós”, seja através de promoção de atividades onde eles possam saír de casa e conviver, seja através de telefonemas ou visitas periódicas, seja através da nossa loja social dar o devido acompanhamento para que nada lhes falte.
Leva-los a consultas médicas, ou levar medicamentos a casa, estamos sempre disponíveis.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
J.F.- As medidas que o Governo vai tomando, tenho a certeza que no entendimento destes, serão sempre as melhores que encontraram no momento, mas, no abstrato acho que o trabalho não é nada fácil e fazem o melhor que sabem. As medidas são tantas que, é difícil englobar todas numa só e dar o meu parecer, teria que se falar uma a uma... 

J.A.- Qual a sua opinião sobre o modo como está a decorrer a vacinação Covid-19?
J.F.- Parece-me que a vacinação está a correr dentro do expectável, embora com tropeços seja por falta de vacinas suficientes seja pelos “fura regras”, que são estas faltas que conseguem por em causa todo o circuito de vacinação que foi traçado.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
J.F.- A nossa Comunidade não é diferente de todas as outras, ou seja, existem famílias que viram os seus rendimentos familiares reduzirem significativamente ou mesmo ficarem nulos e, tiveram que se ajustar. Temos uma loja social que está em funcionamento para que  “nenhuma criança se vá deitar sem comer”. A nossa Comunidade em Geral tem apoiado a loja social que nos dá motivo de orgulho em saber que podemos contar uns com os outros.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
J.F.- Do governo, as juntas de freguesia não receberam nada. Quanto aos apoios que damos à nossa comunidade, não só através da loja social, conforme referido na questão anterior mas, principalmente no setor do ensino, com a atribuição de equipamentos informáticos a todas as crianças que não tinham como aceder às aulas on line, um apoio à natalidade através da entrega de 250€ para efetuarem compras no nosso comércio local – ajudando assim também os nossos comerciantes locais; a dinamização da campanha de Natal onde envolve a Comunidade e todos os comerciantes locais como forma de promover uma vez mais as compras dentro da nossa comunidade.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
J.F.- Neste momento é mesmo a pandemia... todo o resto virá no nosso dia a dia.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
J.F.- As melhores... A comunidade de Ruivães e Novais tem tudo para ser não mais uma União de Freguesias mas, A UNIÃO DE FREGUESIAS. Pelo Carisma, pelo sentimento de pertença, pelas dinâmicas que que a Junta de freguesia trouxe e a envolvência com as associações locais e população em geral, temos tudo para continuar a utilizar o lema: ”AQUI SOMOS FELIZES!”

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia? 
J.F.- acima de tudo, Aqui Somos Felizes, e somos mesmo em todos os aspetos, quer a nível de investimento de habitação, comercial ou indústria, quer a localização priveligiada por estar perto de vários concelhos... tem tudo para correr bem aqui! 

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
J.F.- A situação financeira da Freguesia é estável e controlada, não fazemos investimentos que não possamos assegurar confortavelmente, sendo os nossos prazos de pagamento aos nossos fornecedores de uma semana.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
J.F.- Neste aspecto não temos razão de queixa, bem pelo contrário. Existe sempre vontade de auxiliar nas questões e projetos que desenvolvemos em conjunto.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
J.F.- Nesta fase a principal mensagem é que se resguardem ao máximo, que cumpram as regras emanadas pelas autoridades e permaneçam em casa. Os nossos dias de confraternização chegarão e teremos ótimos momentos para desfrutar da vida em comunidade com os nossos familiares e amigos... o dia há-de chegar!

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
J.F.- Só com agenda e tudo escrito.... A vontade de não falhar com a família, de não falhar na vida profissional, de não falhar no papel de Presidente de Junta, de não falhar com os amigos, de não falhar nas Associações e Instituições que faço parte... só mesmo escrevendo tudo na agenda...

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
J.F.- Ao jornal das autarquias quero, desde já, deixar um enorme agradecimento pelas questões que colocou e dar-nos vós sobre aquilo que vamos fazendo em prol de todos. Estas questões fazem-nos refletir o que realmente estamos a fazer nesta missão... e estamos mesmo em missão. Desejo as maiores felicidades ao Jornal das autarquias e os maiores sucessos!

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