Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Torcato

Alberto Martins

J.A. – Valorize o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J. - A Vila de São Torcato é iminentemente rural e tem aí as suas raízes identitárias. A Junta de Freguesia aposta na produção local, através de incentivos na feira semanal e na procura de valorização dessas atividades no setor transformador, como por ex. padarias e industria têxtil.
A Junta de Freguesia aposta ainda fortemente no turismo da Vila. A Vila de São Torcato tem um património natural e edificado único e nesse sentido temos diversificado as nossas apostas, quer na dinamização de eventos de promoção da terra (ex: Trail Vila de São Torcato ou Portugal Lés-a-Lés), quer através do galardão de Eco-Freguesia XXI, onde evidenciamos as nossas melhor características de Vila Mais Verde de Guimarães. A Vila tem ainda um forte pendor de turismo religioso, onde se destacam naturalmente o nosso padroeiro (São Torcato) e a majestosa Basílica de São Torcato.
Assim facilmente concluímos que quer o setor primário, quer o turismo, são dois alicerces de desenvolvimento da Vila e de toda esta área do Concelho de Guimarães.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J. - A violência doméstica é um verdadeiro flagelo, que resulta de muitos anos de aceitação tácita desta forma de crime. É fundamental reforçar a consciencialização que não é um crime menor e que só alterando os dogmas pré-concebidos será possível erradicar este tipo de violência. Assim, o facto da violência doméstica, de ter passado a ser considerado um crime público permite uma maior dinâmica na verdadeira penalização dos infratores. Permite esbater o medo e a repressão que é feita no seio familiar. Estou certo que a evolução civilizacional permitirá, finalmente, eliminar este enorme flagelo que se chama violência domestica.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J. - A delinquência infantil está diretamente relacionada com o meio e as condições socioeconómicas onde os jovens se inserem. É fundamental perceber o enquadramento de cada situação, para poder intervir de forma cirúrgica e eficaz. Cabe ainda às escolas e às instituições onde os jovens estão ou poderão vir a estar inseridos, enquadrar cada situação e proceder em conformidade.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J. - A violência gratuita é um novo fenómeno muito cultivado nas redes sociais e que é errático na sociedade. A satisfação instantânea, as novas necessidades da vida moderna e a pressão diária sobre as pessoas, distorceu a sociedade e o seu status quo. Somos acometidos diariamente de exemplos de violência gratuita, sem sentido e com sem razões aparentes. Este “novo” contexto social é propício à violência, não de causa mas de pequenas coisas.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J. - Com a população cada vez mais envelhecida é fundamental implementar políticas de apoio direto a essa faixa etária. A Junta de Freguesia de São Torcato tem procurado ir ao encontro das necessidades fundamentais dos séniores de São Torcato, disponibilizando um conjunto de apoios e auxílios. Assim esta Junta dispõe de um gabinete de apoio aos mais idosos, para resolver pequenos problemas e reparações nas suas habitações. Dispõe ainda do projeto “ Juntar São Torcato”, onde disponibiliza a título gratuito bens geriátricos e ortopédicos aos mais idosos, como cadeiras de rodas, canadianas, medidores de tensão etc. Em tempos de pandemia disponibilizamos máscaras aos idosos e vamos ao supermercado e à farmácia por eles, por forma a mitigar a propagação do vírus. Temos ainda um conjunto alargado de outras iniciativas, como a disponibilização de transporte para hidro ginástica, eventos culturais e convívios para os mais idosos. Sabemos bem que a solidão é um dos flagelos mais graves que vivem os idosos e nesse sentido estamos a preparar um gabinete de psicologia para um acompanhamento de proximidade.

J.A.- O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J. - As medidas tomadas estão em linha com a do resto do mundo, contudo penso que foram realizadas de forma errática e com um critério difícil de entender, por parte da população. Se numa fase inicial houve uma perceção da gravidade e da necessidade de confinamento, no final do ano, as medidas foram tomadas de em zig zag, sem critério técnico e científico. Esperamos todos que se possam afinar as medidas e possamos evitar novas vagas da pandemia que para além do custo na saúde pública, terá um impacto brutal na economia e nas questões sociais.

J.A.- Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J. - Nesta fase e tendo em conta a situação que vivemos, ainda não houve escassez de bens, nomeadamente alimentares. Sabemos que a situação pode mudar a qualquer momento, nomeadamente com a crise económica que seguirá ao controlo da pandemia. Estamos atentos à situação e estamos a reunir um conjunto de voluntários para colocarmos no terreno, caso as situações de carência económica e social se agudizem.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J. - Por parte do governo absolutamente nenhum….
A Junta implementou diversos apoios à população, nomeadamente na distribuição máscaras e álcool gel, na dispensa de pagamento dos feirantes na feira semanal, na dispensa de pagamento de atestados, na substituição do grupo de risco na ida ao supermercado e farmácia e na criação de um concurso para dinamizar o comércio local.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J. - Atualmente São Torcato distingue-se pela qualidade de vid, contudo identificamos como principal problema o envelhecimento da população e a consequente diminuição dos aglomerados populacionais na Vila. Uma terra sem pessoas, não tem vida nem futuro e como tal implementamos diversas medidas de fixação populacional, como apoio à natalidade, propostas de alteração do PDM na Vila e apoio ao comércio local, entre muitas outras.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J. - Sabemos que é necessário sempre mais e melhor, nesta fase a Vila precisa de ver a sua EB23 requalificada o mais rapidamente possível, uma vez que é estruturante no futuro desta área do Concelho de Guimarães e funciona como ancora para outros projetos e desenvolvimento da Vila. O reforço do saneamento e a construção de um espaço multiusos, onde as associações da Vila possam ter uma casa são outros dos projetos basilares no futuro desta terra.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J. - As perspetivas são as melhores, apesar do momento que vivemos. Sabemos da importância de São Torcato no contexto local, com a sua forte matriz de cultura popular e religiosa. Sabemos que é bom viver em São Torcato, Eco Freguesia XXI e onde se liga o verde, com o património edificado. São Torcato, projeta-se para o futuro, como a Vila mais verde de Guimarães e com uma capacidade de atrair novos investimentos e população.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J. - A mensagem, nos dias de hoje, é sobretudo de esperança. Esperança em dias melhores e sobretudo na possibilidade de voltarmos a poder estar juntos, sem as restrições que esta pandemia nos impõe.
De uma forma em geral, a mensagem que levamos é que a Vila de São Torcato, tem um potencial fantástico para se desenvolver. Queremos um desenvolvimento sustentável, assente em premissas de valorização humana. Este equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade é o nosso cartão-de-visita para investidores na Vila. O turismo, quer religioso, quer de natureza, é a principal aposta, mas os negócios ligados à ruralidade e aos produtos artesanais tem também um destaque especial.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J. - Como todas as Juntas de Freguesia, o equilíbrio financeiro nem sempre é fácil. Sabemos que em tempo de pandemia, é no nosso entendimento, fundamental ir ao encontro das necessidades da população, sem por em causa naturalmente o equilíbrio e rigor, que são os pontos por onde nos regemos.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J. - A Câmara Municipal apoia a Junta de Freguesia diretamente através de protocolos de delegação de competências, quer ao nível de obras, quer ao nível da gestão dos parques de lazer e espaços verdes. Existe ainda apoios pontuais para realização de pequenas obras e para iniciativas como por ex. as iluminações de Natal.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J. - Como já referi nesta altura é fundamental mantermos a esperança que as coisas voltarão a ser como dantes, pelo menos no que diz respeito às atividades e interações sociais.
Quero ainda reafirmar o total compromisso com a Vila de São Torcato e com os Torcatenses, no desenvolvimento desta terra que tanto amamos. A valorização de cada um e o trabalho de proximidade são as nossas prioridades. Contamos ainda reforçar os apoios sociais, com a implementação total do projeto “Juntar São Torcato” e realizar as obras basilares que a Vila necessita, nomeadamente com a concretização da requalificação da EB23 de São Torcato, o reforço da rede de saneamento e o espaço cultural.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J. - É uma tarefa hercúlea. Sei bem que o trabalho de autarca de uma Vila como São Torcato é extremamente exigente e acaba por esse tempo ser retirado, à vida familiar e profissional. Faço-o no entanto por espírito de missão e por amor a uma terra que me viu nascer e crescer. Sei no entanto, que cada minuto que passo ao serviço da Junta de Freguesia, é entendido pela minha família e representa o contributo que quero dar à Vila de São Torcato.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J. - Quero deixar um agradecimento pelo magnífico trabalho que desempenha, pelas autarquias deste país. Penso mesmo que se trata de um serviço público, dando voz

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