JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Outubro 2019 - Nº 144 - I Série - Braga e Viana do Castelo

Braga e Viana do Castelo

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Pedraça

João Luís Mouta Magalhães

J.A.- Que conclusões dos últimos resultados das eleições Europeias?
P.J.- Na minha opinião, parece que a conclusão mais óbvia que estas eleições trouxeram foi o fim do dois principais grupos políticos europeus de centro-direita e centro-esquerda, e uma ascensão dos ambientalistas. Penso que esta onda de ar fresco vai ser muito benéfica.

J.A. – Valoriza o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- Sem dúvida! O sector primário ainda tem bastante expressão, e não podemos esquecer que é dele que todos viemos. Quanto a turismo, é uma das grandes apostas é divulgar as nossas potencialidades, tentar divulgar as nossas tradições, designadamente, divulgar a marca de Nuno Álvares Pereira, que viveu parte da sua vida aqui, enfim, colocar Pedraça no mapa de pontos de referência histórica é o nosso objectivo. Tentamos sobretudo através de divulgação variada, pelas festas que celebramos, pela própria criação de um dia da freguesia, pelo incentivo às unidades de alojamento local, etc.

J. A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza, como está essa freguesia a gerir esse problema?
P.J.- Infelizmente, o desemprego e a crise dos últimos anos é um fenómeno transversal, e a nossa freguesia não foge à regra. Tentamos, no entanto, dentro das nossas possibilidades sanar este problema, tentando captar o investimento dos privados. Porém, nem sempre é fácil, e uma série de problemas se levantam, por exemplo quando não temos na nossa freguesia uma zona industrial ainda definida, etc. Este é um problema que deverá ser pensado à escala do município, com o qual teremos todo o gosto em colaborar, pois é no interesse de todos.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país e qual a causa e efeito?
P.J.- Sinceramente, não tenho a certeza que tenha aumentado nos últimos anos, ou se apenas nestes últimos anos se tenha assistido a um aumento de divulgação. É algo horrível, e que, infelizmente parece não estar erradicado da nossa cultura. Cabe-nos a nós, enquanto cidadãos conscientes, actuar urgentemente quando se tenha conhecimento de uma situação destas.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento um infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Felizmente, e na realidade desta freguesia ainda de cunho rural, a delinquência infantil não é uma realidade no verdadeiro sentido da palavra. Mas temos que estar atentos, e aí cabe aos pais ou outros encarregados o papel predominante. Mas não só, a nós também, enquanto cidadãos responsáveis. Não devemos temer e dar uma advertência quando um jovem não age correctamente, um chamar de atenção por vezes é preciso. Os mais velhos também nos chamaram à atenção a nós, portanto, há que persistir na correção de comportamentos para que haja convivência com urbanidade. De referir que cada vez mais os programas de televisão, as redes sociais, etc , modelam os nossos jovens, por isso não podemos descurar os valores que nos foram transmitidos.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- Como referi acima, cada vez mais a televisão, (sobretudo com os reallityshows), a internet, as redes sociais, etc , modelam os nossos jovens. Criam a sensação de tudo ser permitido, que o que é importante é a felicidade imediata, e que o importante é o “eu”, sendo frequente ouvir-se “quem está bem está, quem não que se mude”. Isto gera um egocentrismo que extravasa, e que faz com que não haja pudor, não haja ponderação. Isso leva a que seja difícil aceitar um “não”. E, precisamente porque se perdeu a noção de que a outra pessoa é um ser humano como eu, que, por exemplo, e infelizmente se assiste a episódios como no último fim-de-semana, em que se dá um tiro na cabeça de um jovem só porque não permitiu que outro entrasse na discoteca….

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- São alguns os esforços desta junta de freguesia. Por exemplo, esta junta de freguesia cedeu parte das suas instalações para o funcionamento de um centro de dia, comparticipa nas suas despesas de lanches, limpeza, pagamento de eletricidade, compra lenhas para a lareira, paga as sessões de fisioterapia dos utentes. Unicamente não paga a funcionária, que pertence a uma empresa municipal do concelho. De referir também que, há três anos que temos um Regulamento de Comparticipação de Medicamentos, cujo objetivo é precisamente auxiliar as pessoas idosas mais carenciadas. Este Regulamento só foi possível graças a uma verbas disponibilizada por um benemérito da freguesia, porém coube-nos regulas as condições de acesso, e a própria execução. Aparte estas duas medidas, de referir que mantemos a medida “cabaz solidário de natal”, bem como auxiliamos na execução de acessos viários por vezes a pessoas mais debilitadas que precisam de acessos de transporte especializado de ambulância ou cuidados domiciliários.

J.A.- Com a aproximação do tempo quente, Verão, que tipo de prevenção utilizada para minimizar danos como os que aconteceram em anos transactos?
P.J.- Executamos as limpezas de bermas pelo menos duas vezes ao ano, porém agora com remoção imediata de material combustível, sendo que nas áreas mais sensíveis, chegamos a executar mais do que estas duas vezes. Reforçamos a vigilância, e apostamos na sensibilização das gentes.

J.A.- Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vitimas do mesmo?
P.J.- Não recebemos qualquer tipo de apoio.

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
Penso serem dois. Um é efetivamente a necessidade de iniciativa privada e criação de postos de emprego. Efetivamente temos algumas microempresas que começam a ter alguma expressão, mas gostaríamos de ter mais, por forma a que quem nascesse em Pedraça pudesse viver e trabalhar em Pedraça, e os outros se pudessem fixar aqui. O envelhecimento da população é uma constante, e cada vez mais é uma preocupação a escola primária não fechar, para isso é preciso que os pais venham para cá trabalhar. Uma coisa está relacionada com a outra, pois se os casais se fixam aqui, e têm aqui a qualidade de vida que não têm noutros locais, as crianças virão, e assim assegurar-se-á a sustentabilidade futura da freguesia.
Outro dos problemas é a melhoria da rede viária, uma que é da alçada do Municipio - estradas camarárias, em que foi implementado o sistema de saneamento básico há pelo menos 8 anos e nunca se levou a cabo a pavimentação integral da estada camarária. Tal provoca os constrangimentos que se calculam, e é tanto mais grave quando se unicamente remedeia a situação com arranjos pontuais.
Mas não só ao nível das vias principais, os caminhos vicinais deveriam ter iguais condições de pavimentação. Os caminhos agrícolas e viciais são fundamentais no acesso a área combustível, e no ataque aos incêndios, sendo que também eles deveriam ter uma comparticipação por parte do município na sua execução, e infelizmente não a têm, ficando as verbas afetas a outras opções mais centrais.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A água, a melhoria da qualidade da água, e novos focos de captação.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Boas, alguns projetos que estão para ser desenvolvidos, mas vamos com calma.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Costumo dizer que o meu lema é “Pedraça merece mais”. E se há coisa de que me orgulho é de não ter receio de dizer o que esta freguesia precisa. O mais que me pode acontecer é dizer que este ano não está previsto, mas podem ter a certeza que voltarei à carga novamente.

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Óptima. Executamos as obras a que nos propomos, executamos os planos integralmente, não temos dívida alguma, e nestes últimos anos transitamos de ano com algum dinheiro em caixa.

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- A Câmara Municipal acolhe algumas das nossas opções de plano no Plano e Orçamento Municipal, comprometendo-se a realizar as mesmas; por vezes comparticipa extraordinariamente com materiais que lhe são solicitados; celebra protocolos de colaboração na transferência de competência em matéria de limpezas. É uma relação cordial e saudável.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Para continuarmos unidos a trabalhar pela nossa terra, porque só assim conseguirmos ter melhores condições para nela viver. E claro, gostar de viver em Pedraça.

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Nem sempre é fácil. E confesso que nos primeiros tempos de presidente da Junta dediquei-me muito à freguesia. Não queria dececionar as pessoas que votaram em mim, e queria dar o meu melhor. Refira-se que me candidatei como um Independente, e dei a minha cara em primeira linha, o que tornou quase um compromisso pessoal com as pessoas de Pedraça. Hoje, mantenho a minha intenção, mas como já tenho alguma experiência de 6 anos, já concilio melhor estas duas vidas.

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- É de louvar este interesse pela freguesia mais pequenas. De entre o rol das “autarquias” a freguesia é o que está mais próximo do cidadão, e tem um papel determinante no seu quotidiano. Valorizar as freguesias é importante, é valorizar as suas gentes. Um bem-haja.

João Luís Mouta Magalhães

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