Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Fafe

Fernando Paulo Teixeira Soares

J .A. – Valoriza o sector primário e o turismo dessa freguesia?
P.J.- Sim, tanto ao nível da agricultura, como a pecuária, temos tentado manter sempre uma boa ligação com a Cooperativa, com os lojistas que se ocupam dessas áreas e a população com conhecimento no terreno da realidade, quanto aos terrenos de cultivo, que estão a ser utilizados, com algumas estufas, inclusive. Em relação ao turismo, tentamos promover e apoiar sempre o que de melhor existe na nossa terra, desde a gastronomia, às belas “Casas dos Brasileiros”, aos nossos jardins e Praças emblemáticas, aos rios, às paisagens, ao desporto, cultura, monumentos e museus.

J. A. – O que pensa sobre a violência doméstica, e das medidas recentemente tomadas, contra este flagelo.
P.J.- É um problema que ataca a nossa sociedade e na qual todos devemos ser responsáveis na denuncia de situações, em apoiar quem sofre dessa violência, nas demais situações, porque como vemos as vítimas mortais têm sido muitas, não chegando a tristeza que passam. São medidas que, em concreto, teremos de perceber se estão a surtir efeitos e que para já, com todo este estado de confinamento, o problema parece que está a aumentar, que afeta muito o psicológico dos cidadãos. Esperemos que tudo isto seja ultrapassado e vamos estando sempre atentos a estes casos terríveis da nossa sociedade.

J. A. – A delinquência infantil tanto no meio urbano como no escolar e neste momento uma infeliz realidade. Fale-nos sobre esta situação.
P.J.- Preocupa-nos a situação dos jovens, das crianças que não se conseguem integrar numa sociedade de direito e que na sua vida terão problemas, certamente, pois cedo começam a entrar em graves situações de maus comportamentos. É um assunto que temos acompanhado de perto através das nossas escolas, dos nossos bairros, não querendo com isto que as crianças com níveis sociais melhores se comportem melhor, pois como sabemos em alguns caos, não é verdade, mas compete-nos ter conhecimento de todos os casos. Também ao nível das nossas forças de segurança, temos vindo a acompanhar situações mais complexas de jovens que não andam pelos melhores caminhos, o que nos leva a tomar algumas medidas e salvaguardas.

J. A. – O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.- É um problema no qual devemos estar atentos e não deixar andar. Quer na política, no futebol, na nossa vida, em geral, deparamo-nos todos os dias com situações novas e que temos de estar atentos, para que pare, o quanto antes. A vida está a mudar! A forma de viver muda todos os dias! Quem diria que esta pandemia iria aparecer e o resultado está à vista e todos devemos aprender com os erros para que não se voltem a repetir situações de extrema gravidade, como às vezes vemos, na praça pública.

J. A. – Estando a população cada vez mais envelhecida e muita dela sem apoio familiar e recursos financeiros, que apoio presta a autarquia a esta realidade?
P.J.- A Junta de Freguesia de Fafe tem feito um trabalho de grande proximidade com todos e principalmente com os que têm mais dependências sociais, com menos apoio familiar. Desde a ajuda nas faturas das contas de eletricidade, água e lixo, também ajudamos nos medicamentos e comida. Temos a rúbrica orçamental denominada “Fundo de Emergência Social” que nos permite ajudar esses casos. Mas não ficamos por aqui, obviamente, fazendo um trabalho em rede com as Instituições que se dedicam a estas áreas, com o nosso cabaz da Páscoa, entre outras ajudas, que vamos apoiando ao longo do ano.

J.A. – O que acha das novas medidas tomadas pela Governo para contenção do COVID-19?
P.J.- Ninguém gosta de parar o país, ninguém gosta de ver os comércios a falirem, as empresas, as pessoas a passarem por maus bocados na vida, mas já atingimos números que nos fazem o país que tem o pior resultado do mundo na pandemia e tudo deve ser feito para que o vírus acalme. Os hospitais já sem meios! Não é fácil para ninguém, mas penso que no Natal se abriu demais e a comunicação não funcionou porque as pessoas quando viram que tinha chegado a vacina desleixaram-se, também. Infelizmente, ainda demorará muito tempo até que a pandemia seja vencida. Temos de ser resilientes e pacientes.

J.A. – Devido ã pandemia que se instalou no Mundo, originando falta de recursos na população, a todos os níveis, relate a situação na sua zona.
P.J.- Em Fafe está muito complicada a situação. Já estivemos em estado extremamente grave, agora estamos em estado muito grave e os números não param de aumentar. Por vezes ficamos sem explicação, mas neste confinamento apercebemo-nos das pessoas que não levam isto a sério e não param de andar nas ruas, com pouco cuidado. Certamente que já houve pessoas que tiveram a doença e que poderão apanhar novamente, pois passa a imunidade e a vacina ainda não chegou a todos e o processo está a ser lento.

J.A. – Que apoios têm recebido do governo para colmatar esse flagelo, e qual o apoio dado às vítimas do mesmo?
P.J.- Temos sido chamados em situações de alimentação, medicamentos, onde levamos os produtos a casa e sempre que necessário alguma outra coisa, para com os doentes, temo-lo feito desde o início da pandemia, desde março, quase há um ano. Do governo as medidas principais são as que o ajudam os comerciantes, os empresários, que estão a passar por uma situação bastante ingrata e difícil!

J. A. – Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.- Não somos uma freguesia perfeita, somos uma cidade bonita, onde se vive bem, com segurança, com limpeza, mas se calhar precisávamos de mais empresas, de mais comércio, de mais empregos, pois os nossos jovens percebem desde cedo que em Fafe poderão não ter algumas possibilidades que terão em outras cidades mais desenvolvidas, embora que até estejamos localizados numa zona de proximidade com os grandes centros urbanos, o que até leva a que algumas pessoas vão trabalhar fora e depois regressem a casa, a Fafe.

J. A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.- A nível social, face a esta situação, muitas pessoas que não dependiam de ajudas vão necessitar de nós, e cá estaremos, mas previmos que haverão mudanças. O nosso comércio e as nossas empresas irão necessitar de um impulso depois de terem estado a passar por tudo isto. Ainda não conseguimos chegar com algumas infraestruturas a algumas zonas da cidade e que também nos cria embaraço pois muitas coisas não dependem de nós.

J. A. – Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.- Este ano é ano de eleições autárquicas, gostava de fazer o próximo mandato e serei candidato se Deus me der vida e saúde, como espero. Gostava de ver a obra do Corredor Verde executada, depois da ótima notícia que recebemos neste mandato, sobre a nossa Sede de freguesia, que se instalará na Escola do Santo. Mas há projetos muito interessantes para Fafe, para servir a nossa população, ao nível, também, das hortas comunitárias, melhoria das praças, dos nossos parques, do acompanhamento social, dos nossos jovens, da cultura, do turismo, da economia e do desporto. Queremos continuar a dar tudo por esta terra e pelos fafenses, como até aqui.

J. A. – Qual a mensagem que leva às mais variadas reuniões e eventos? E porquê investir nessa freguesia?
P.J.- Passa sobretudo por demonstrar que Fafe, face à localização, ambiente e segurança é uma boa terra para investir, para educar os filhos, trazer a família. É uma terra hospitaleira, com gente que sabe receber e sabe ajudar. Gente de trabalho, gente de garra, de ambição e que ama a sua terra. Somos muito bairristas e defendemos sempre os nossos e a nossa terra, em tudo!

J. A. – Como é a situação financeira dessa freguesia?
P.J.- Temos uma boa saúde financeira na nossa autarquia, sem dívidas, com os pagamentos feitos às empresas de forma normal, com o tempo previsto por lei e com os prazos sempre cumpridos. Seria uma irresponsabilidade gastarmos o que não temos e andarmos com as contas negativas, o que não nos levaria a bom porto. Uma questão de rigor e transparência!

J. A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?
P.J.- Temos um protocolo com o Município que nos permite a execução de obras importantes para a nossa freguesia, o que acrescentado ao orçamento da Junta é sem dúvida uma mais valia. A relação é boa com a Câmara, estão sempre de portas abertas a nos receber e temos discutido sobre alguns equipamentos que poderão ser transferidos para a nossa gestão, como é o caso do Cemitério, que carece de uma ampliação, urgente.

J. A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.- Desejo a maior força, resiliência, perante estes tempos muito difíceis, e estamos, como até aqui, sempre disponíveis, vinte e quatro horas por dia. Estamos sempre ao dispor de todos os fafenses! A Junta está próxima de todos, é conhecedora dos problemas da cidade, dos fafenses e queremos trabalhar em prol de ajudar a melhorar a vida de todos. Em Fafe todos devemos estar e ser felizes!

J. A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.- Nem sempre é fácil, mas a família entende o amor que tenho a esta terra e aos fafenses. Não ficar com os problemas resolvidos das pessoas é uma derrota para mim e é uma tristeza que levo para casa, daí que, como todos gostam que ande feliz da vida, me dão toda a liberdade e emprenho para que tudo corra pelo melhor. Eles estão comigo e eu com eles, como é óbvio!

J. A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.- Agradeço a oportunidade e dou os meus sinceros parabéns por se importarem com as Juntas de Freguesia, sendo estas autarquias as de maior proximidade à população e que por vezes não são as mais reconhecidas, valorizando-se mais o trabalho das Câmaras ou Governo.

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